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Ponte Rio Negro, cartão postal de Manaus, vira palco de tragédia por falta de segurança

Feita para consolidar a integração entre os municípios da Região Metropolitana de Manaus (RMM), melhorar o escoamento da produção, o turismo e o desenvolvimento dos municípios, a ponte Rio Negro se tornou área para atuação de criminosos e suicidas 08/01/2015 às 15:50
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Ponte Rio Negro
perla soares Manaus(AM)

Construída ao custo de R$ 1 bilhão para promover a integração da Região Metropolitana de Manaus (RMM), a Ponte Rio Negro vem passando do “status” de cartão postal para palco de tragédias. É que, desde que a obra foi concluída, em outubro de 2011, seis pessoas já usaram a estrutura para se suicidarem, saltando nas águas do rio Negro.

De acordo com pessoas que trabalham e utilizam a ponte diariamente, a falta de controle no local “facilita” os suicídios. E a falta de segurança e de fiscalização ainda serve de “incentivo” a assaltantes, usuários de drogas e até casais, que escolhem os três quilômetros não monitorados para roubar, usar entorpecentes e até mesmo fazer sexo.

“Ao longo da ponte tudo acontece. Já teve até gente usando droga e fazendo sexo. Sem nenhuma fiscalização para proibir alguém de subir na grade e pular, os suicídios também estão acontecendo. Agora, a ponte é um verdadeiro perigo”, relatou um funcionário (que pediu para não ser identificado) da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam) , um dos órgãos que atuam na Ponte Rio Negro.

De acordo um policial militar que também trabalha na ponte e não quis se identificar, o problema se agravou depois que o posto do Centro Integrado de Ações de Segurança (Ciops) que ficava na cabeceira da ponte foi desativado e os batedores e viaturas que faziam o policiamento no local foram remanejados.

“Com a desativação do Ciops a segurança acabou e a tranquilidade de quem faz caminhada também. Os criminosos já não se inibem, pois sabem que não tem fiscalização”, afirmou.

A estudante do curso de psicologia Guilhermina Antunes, 26, é uma das pessoas a quem o militar se refere quando diz que os frequentadores da ponte estão “sumindo”. Ela conta que costumava fazer caminhada na ponte, mas no ano passado deixou de frequentar o local a pé depois de um assalto e uma tentativa de estupro, ambos ocorridos em plena ponte.

“Fui assaltada uma vez e na outra um homem tentou me agarrar à força, então hoje caminho na avenida Brasil, que é mais seguro. Até porque na ponte não há mais policiamento”, relatou Guilhermina.

Câmeras para o alto

De acordo com funcionários de órgãos públicos que atuam na ponte, a falta de segurança foi agravada por um problema nas câmeras de segurança, que estão voltadas para o alto e não captam imagens dos pedestres que passam por ali.

“Logo que a ponte foi inaugurada, as câmeras visualizavam quem passava por aqui e, se algo estava acontecendo de errado, a polícia estava presente, ou seja,  evitava a ação de  criminosos. Hoje não existem mais rondas, as câmeras não funcionam e, quando a polícia chega, o fato já aconteceu”, afirmou.

Muitas responsabilidades, mas poucas ações

Apesar de vários órgãos terem responsabilidade de atuação da Ponte Rio Negro, nem todos operam plenamente, criando, entre Manaus e Iranduba, um território sem lei. É o que denunciam frequentadores e até mesmo funcionários de alguns desses órgãos públicos.

De acordo com a Agência de Comunicação do Governo (Agecom), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) responde pelo controle de tráfego na ponte; a Arsam fiscaliza o transporte intermunicipal; a Polícia Militar realiza blitze de segurança e a Defesa Civil do Amazonas emite alertas de segurança no caso de tempestades.

Sobre as denúncias feitas à reportagem, o diretor-presidente do Detran, Leonel Feitoza, disse que todas as câmeras instaladas pelo órgão estão funcionando, mas que elas são voltadas ao tráfego. As câmeras de segurança, segundo ele, são responsabilidade de outro órgão. No caso, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), que foi procurada pela reportagem mas, até o fechamento desta edição, não apresentou resposta.

Estrutura

A Agecom informou que o contrato firmado com a construtora da Ponte Rio Negro, a empresa Camargo Corrêa, prevê uma garantia contra possíveis problemas estruturais que possam surgir. De acordo com a Agecom, essa garantia estabelece um prazo de cinco anos, contado a partir da inauguração da ponte.

 Defensas

Já o sistema de defensas é de responsabilidade da Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH), que, em caso de acidentes, responsabilizará, após comprovação, o causador do acidente pelos reparos.

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