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Pontos turísticos de Presidente Figueiredo sofrem com volume baixo d'água e seca afeta turismo

Com as chuvas escassas na região, não só os rios foram afetados, mas o meio urbano, com igarapés e lagos, também sofrem com diminuição do nível de água  06/02/2016 às 11:27
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Na foto, atual estado da corredeira do Urubuí, um dos cartões postais de Figueiredo
Hellen Miranda Manaus (AM)

O calor intenso nesse período tem contribuído para que muitas pessoas busquem opções para se refrescar com a família e amigos, mas com a estiagem do período locais procurados por turistas, como as cachoeiras e corredeiras do Município de Presidente Figueiredo (a 107quilômetros de Manaus) vêm apresentando uma paisagem diferente e árida.

“As pessoas vem conhecer a região e tomar banho nas corredeiras, mas acabam decepcionadas com o que encontram. E isso afeta no faturamento da pousada. O  município inteiro sente uma seca nunca vista antes”, conta Fernando Demasi, 60, proprietário da Pousada das Pedras.

Fernando é morador do município há 25 anos e diz ter descoberto um sítio arqueológico no local com a atual seca. Conforme o pesquisador em geociências da Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência de Manaus do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Andre Luis Martinelli Real dos Santos, apesar das poucas chuvas na região, os níveis das águas dos rios estão subindo em ritmo normal.

“Para o período, o nível do rio Negro em Manaus está dentro da normalidade; a impressão de que está mais seco que o normal deve-se a repetição de eventos com cheias extremas que ocorreram seguidamente nos últimos quatro anos. Isto  distorce a percepção dos níveis normais na bacia”, ressalta Santos. 

Para o pesquisador, quem frequentou cachoeiras, como as de Presidente Figueiredo, durante este eventos sentirá diferença comparado com o que ocorre agora. “Mas isso não significa que o que está acontecendo é um evento extremo de escassez de água”, afirma.

O nível atual do rio Negro, medido na estação do Porto de Manaus nesta sexta-feira era de 20,10m, um nível comparado ao evento de cheia de 2011, ano de um comportamento típico do rio Negro.

De acordo com o Monitoramento Hidrológico da Amazônia Ocidental, as estações monitoradas em período de enchente apresentam níveis baixos para o período, como as bacias do Javari, Amazonas e Purus. Na bacia do Negro, no Porto de Manaus, o nível do rio desacelerou.

No caso da bacia do Solimões, a descida de 2,90m em Tabatinga (alto curso) já está apresentando reflexos nas estações de Fonte Boa e Itapeuá (médio curso). Já na  bacia do Madeira, em Humaitá, o rio Madeira segue monitorado em período de enchente, porém com níveis baixos em comparação com a mesma época dos últimos cinco anos.

“Apenas a bacia do Rio Branco segue numa vazante histórica com cota recorde de - 50 cm. A situação está muito crítica nesta bacia, no estado de Roraima e no alto rio Negro (São Gabriel da Cachoeira)”, destaca Andre Luis.

Precipitação de chuvas foi abaixo da  esperada em janeiro

De acordo com as informações da estação  meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o total  de chuvas em janeiro foi de 118 mm, sendo que a máxima de chuvas ocorreu no dia 2, com 21,8 mm. O valor total de precipitação esperado para o mês  era de até  300 mm. Foram 14 dias com registros de chuva, sendo que o esperado era de 19 a 23 dias.

Para o mês de fevereiro o total esperado varia de 230 a 310 mm, com até  22 dias  de chuvas. O fenômeno El Niño  é apontado como o responsável pelas precipitações abaixo do esperado e temperaturas acima da média  na Amazônia. Mas o prognostico dos especialistas é de que o fenômeno comece a enfraquecer gradualmente em meados de março.

“Há consenso sobre a persistência do fenômeno El Niño no decorrer do trimestre Fevereiro, Março e Abril de 2016, principalmente nas regiões norte e nordeste do Amazonas que deverão apresentar precipitação abaixo do normal. No entanto no sul do estado a precipitação já deverá retornar a normalidade neste trimestre”, explica o meteorologista Ivan Saraiva.

Previsão do tempo

Conforme informações do especialista, a previsão de chuva para a região de Manaus indica céu com alguma variação de nebulosidade e possibilidade de rápidas e de forma isolada pancadas de chuva pelo período da tarde até hoje. Amanhã os modelos indicam céu nublado.

Seca afeta turismo

As cachoeiras e corredeiras  são locais visitados por quem deseja relaxar, aproveitar o final de semana ou praticar esportes radicais, mas pela falta de chuva na região de Presidente Figueiredo, esses locais sofrem com a baixa em seus volumes de água. A corredeira Sossego da Pantera, localizada no km 20 na estrada de Balbina, é uma das áreas mais afetadas nesse período.

“Nunca tinha ficado tão seco como está e isso, claro, refletiu no movimento, pois muitas pessoas deixaram de vir pra cá para relaxar com a família e amigos”, disse a proprietária Maria Goreth Mendonça de Amorim, 37.  

De acordo com ela, até o poço que abastece a  família secou. “Realmente está difícil porque estamos usando uma bomba para puxar água todos os dias, e agora para completar começou a faltar energia elétrica também”, lamentou Maria Goreth. 

Na sede do município,  fica a corredeira de Urubuí, um dos cartões postais do local, mas conforme donos de quiosques, pousadas e hotéis, o nível das águas dela está reduzido a um filete de água, deixando-a bem estreita e reduzindo a movimentação de visitantes que contribuem para a economia do município.

Ainda na BR-174, a cachoeira de Iracema também exibe, por conta da falta de chuvas, uma paisagem contrária a dos paraisos de águas em meio à floresta. Dentro do parque ecológico Iracema Falls, a cachoeira  é uma das mais bonitas e frequentadas de Presidente Figueiredo.

Conforme o sócio-administrador do local, José Carneiro, a seca desse ano impressiona quem a conhece. “As pessoas saem frustradas quando veem como está, tem apenas uma tímida queda  d’água, bem  diferente de quanto está cheio e o  volume de água chega a assustar”, afirmou.

Cenário paradisíaco

A cachoeira de Iracema é uma bela queda d’água de oito metros de altura, situada em um cenário paradisíaco. No período de cheia, geralmente de março a julho, a cachoeira está com o máximo de volume das águas, ficando mais bonita, mas também mais perigosa para banho por conta da forte correnteza. O período mais propício para um mergulho é de setembro a janeiro, na vazante dos rios, quando se formam piscinas naturais e é possível tomar banho embaixo da queda d’água.

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