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Pontualidade: vença o ponteiro do relógio e chegue sempre na hora marcada

A teoria da conspiração usada para justificar os frequentes atrasos pode prejudicar por completo a carreira de um profissional, o desempenho de um líder e a vida pessoal 03/03/2013 às 15:36
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Para uma pessoa programada, os congestionamentos da cidade não atrapalham o cumprimento de horários
Priscila Mesquita Manaus

O hábito de chegar atrasado, que geralmente é “culpa” do engarrafamento, das condições climáticas ou do pneu furado, é uma falha capaz de arruinar a imagem e a carreira de profissionais e gestores. Segundo especialistas em RH e gestão de pessoas, a falta de pontualidade pode, inclusive, prejudicar o desempenho do indivíduo em suas atividades e relações pessoais.

De acordo com a psicóloga Alana Pereira, que atua nas áreas de coaching e avaliação psicológica, no ambiente profissional o atraso constante é uma demonstração de que a pessoa não está comprometida.

“A pessoa passa a imagem de que é irresponsável. Quando houver a possibilidade de ascensão para alguém da equipe, o gestor buscará um colaborador com atitudes positivas”, enfatiza.

O coordenador da área de treinamento e desenvolvimento da consultoria Strategic Advanced, psicólogo Vitor Bahia, afirma que a falta de sintonia com o relógio pode prejudicar totalmente a carreira. “O comportamento é um aspecto extremamente importante na hora do recrutamento e seleção. Uma empresa jamais contratará uma pessoa que se atrasa”, comenta.

Problema antigo
Chegar sempre após a hora marcada pode manchar a futura imagem de um profissional ainda nos anos de faculdade. Segundo Vitor Bahia, o aluno que está sempre atrasado para as aulas será lembrado pelos seus colegas quando pleitear uma vaga no mercado de trabalho.

O mesmo acontece quando alguém é demitido por má conduta e tenta se empregar em outro local. “A empresa pedirá recomendações do profissional para a antiga empresa onde ele trabalhava. E o que dirão sobre ele? Qual foi sua marca registrada? Se foi o atraso, isso será pontuado para a nova empresa em que ele deseja ingressar”, diz Bahia.

Alegações estranhas

O site americano CareerBuilder realizou um estudo junto a 3,9 mil trabalhadores e 2,6 mil gerentes de contratação e apurou que o repertório de desculpas usadas pelos profissionais para justificar seus atrasos reúne algumas pérolas.

Um funcionário disse que se atrasou por ter sido atacado por um urso; outro alegou que a esposa, em uma discussão, congelou as chaves do carro em um copo d’água e, por isso, ele chegou tarde; outra situação inusitada foi a de um empregado que foi atacado por um urso (e ele tirou fotos para comprovar o ataque).

Além das situações citadas, a pesquisa descobriu um profissional que, antes de ir trabalhar, tentou contar o cabelo e, no meio da sessão, o aparelhou parou de funcionar. Por isso ele se atrasou. A pesquisa apontou que o trânsito, o mau tempo e os atrasos dos transportes públicos são os principais “vilões” da pontualidade.

E quando o exemplo vem do gestor?
Nem sempre quem chega atrasado para uma reunião ou para o expediente é o funcionário. Em algumas situações, é o próprio gestor ou o líder da equipe que comete a falha.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH-AM), Ozeneide Casanova, pessoas que exercem cargos de gestão devem ter atenção ao item pontualidade. “Ele é um fator de exemplo e de boa liderança”, define.

A coach Alana Pereira afirma que quando a má postura é apresentada pelo líder, a tendência é que os liderados reproduzam o mesmo comportamento. “A equipe pode passar a adotar as mesmas atitudes com as quais o próprio gestor não concordará no futuro”, diz a psicóloga.

Os especialistas afirmam que existem maneiras de vencer a “guerra” com o relógio. Para a presidente da ABRH-AM, a mudança passa pela disciplina e pelo planejamento pessoal.

Alana Pereira acrescenta que se programar com antecedência reduz um estresse desnecessário no início do dia.

Troca de lugares
O consultor de treinamento e desenvolvimento da Strategic Advanced, Vitor Bahia, afirma que já empregou a ação de job rotation para amenizar um quadro de elevado absenteísmo. Bahia prestou serviço para uma empresa no Pará, onde os trabalhadores estavam faltando e se atrasando com grande frequência.

“As pessoas demonstraram insatisfação por trabalhar em suas atividades. A partir de então foi proposta a ação de job rotation, que é quando dois profissionais trocam de atividade para gerar aprendizado. Fizemos ainda um trabalho para alinhar sonho, aptidão e retorno financeiro da carreira. Como resultado, o índice de absenteísmo que era de 7,5% caiu para 2% depois de alguns meses e se estabilizou nesta percentagem”, exemplifica.

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