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Cotidiano
Medo e pânico

População contabiliza prejuízos após temporal; moradora pensa em se mudar

Moradores contam apuros que passaram: houve família que ficou ilhada após fios de alta tensão caírem em frente à residência; Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) orienta como proceder em caso de corte e poda 01/10/2016 às 06:00
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Dona Maria Sofia (à dir.) e sua família ficaram ilhados dentro de casa após galhos de uma mangueira esbarrarem em fios de alta tensão / Fotos: Aguilar Abecassis
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Na sexta-feira (30), um dia após a forte chuva que desabou em Manaus, o dia foi de relembrar, com alívio, mas revolta, os momentos de tensão vividos nas residências que foram alvo de problemas. A dona de casa Maria Sofia Gomes de Carvalho que o diga: ela e seus familiares passaram mais de 6 horas de tensão sem sair de casa após os galhos de uma mangueira baterem num fio de alta tensão e caírem em frente à residência dela, localizada na rua Mucuí, antiga 11, no bairro São José 4, Zona Leste.

“Os fios caíram aqui em frente de casa por volta de 10h, e a concessionária de energia só veio aqui às 16h para religar a fiação. Ficamos em pânico, pois um dos fios quase atingiu o veículo de um dos meus filhos que estava estacionado aqui na frente”, relembra Maria Sofia, que temeu por uma explosão.

“Também ficamos com medo de haver uma explosão. As faíscas entraram aqui em casa. Quando a energia foi restabelecida, as luzes começaram a piscar e tememos por um incêndio”, declarou Elizabeth Carvalho, 28, filha de Maria Sofia. “Por três vezes a fiação de alta tensão quebrou por conta dessa mangueira”, acrescenta a dona de casa, que sofreu tanta tensão que até já já pensa em mudar de residência. 

“Moro aqui há mais de 20 anos, mas penso seriamente em me mudar daqui. Não quero que aconteça algo pior. Por pouco não houve uma tragédia”, afirma a dona de casa, que mora com Elizabeth Pinto e mais 4 filhos e 2 netos (de 4 e 12 anos de idade).

A reportagem tentou contato com o vizinho de Maria Sofia, identificado como Alailson, par saber sobre as providências que ele tem tomado em face dos problemas causados pela mangueira, mas o morador não foi encontrado em sua residência. 

Muro desabado
Ontem foi dia de contar os estragos causados pelo desabamento de um muro que atingiu várias residências na rua Doutor Análio de Rezende, localizada no Jardim Petrópolis, Zona Sul da cidade. No local, tratores recolhiam os entulhos. O transtorno ocorreu por volta de 10h30.

“A Prefeitura já mandou fazer o recolhimento do entulho e eles ficaram de retornar neste sábado para começar a obra do muro”, declarou a proprietária Elenilce Costa dos Santos, que não soube precisar o valor do prejuízo.

“O prejuízo foi grande. Inclusive a chuva destruiu tudo do nosso inquilino”, disse ela. O inquilino não estava no local quando da presença da reportagem de A CRÍTICA.

Elenilce dos Santos disse que é a terceira que um fato parecido acontece no imóvel. “A primeira vez, acho que já fazem uns 6 anos, aconteceu o mesmo estrago. Não tinha inquilino no imóvel, só foi a questão do muro. A minha mãe recuperou todo o prejuízo, não teve nenhuma movimentação, mas desta vez foi diferente”, ressalta ela, dizendo que não houve feridos.
A proprietária falou que o problema acontece devido os bueiros que entopem na rua 1, do mesmo conjunto, e cujos dejetos caem no terreno atrás do imóvel, forçando a estrutura da residência. “O muro que for construído lá, nenhuma água vai suportar”, disse Elenilce dos Santos.

Balanço
A Defesa Civil do Município registrou um total de 5 ocorrências relativas à chuva da última quinta-feira, sendo 3 alagamentos e (nas ruas 02, nº 249, e nº 254 no Conjunto Jardim Petrópolis e Estanislau Afonso, nº 245, São Jorge) e dois riscos de desabamento de casa (rua Rio Verde, nº 41, Comunidade Vale do Amanhecer e Rua Brasilia, nº 70, Coroado.

Frase

"Moro aqui há mais de 20 anos, mas penso em me mudar daqui. Não quero o pior. Por pouco não houve uma tragédia” (Maria Sofia, dona de casa)

Como proceder em caso de corte e poda

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informa que os interessadas em realizar procedimentos de corte e poda de árvores situadas em áreas particulares devem se dirigir à sede do órgão (rua Rubídio, 288, Vila da Prata) ou ligar para 3236-6405 (Setor de Corte e Poda) para obter informações.
Se a árvore estiver em calçada, ele pode solicitar o procedimento e o poder público executa o serviço. No caso de árvore em confronto com a rede elétrica, a autorização é emitida pela Semmas e a solicitação do serviço feita à Eletrobras Amazonas Energia.

O serviço de poda é feito pelo poder público nas árvores existentes nos logradouros públicos (areas verdes, canteiros centrais, passeios públicos, praças etc). Em propriedades particulares, o procedimento é feito pelo proprietário do imóvel, mediante autorização do órgão ambiental. A autorização é um documento que respalda o proprietário em caso de denúncia. 

O órgão informa que tem um calendário de atividades de manejo da arborização urbana que prevê a realização do trabalho por áreas da cidade onde estão situados os conjuntos arbóreos consolidados e realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semuslp). A Semmas, por meio da Gerência de Corte e Poda, autoriza e supervisiona os procedimentos, enquanto que a Semulsp, com equipe especializada em podas, executa o serviço.  O trabalho, realizado a cada seis meses,  inclui a realização de vistorias e a execução propriamente dita das ações de poda para levantamento e rebaixamento de copa, principalmente em casos de árvores com raízes expandidas, retirada de erva de passarinho, e em alguns casos a supressão do indivíduo arbóreo que apresenta risco de queda.

O manejo garante a estabilidade e a saúde fitossanitária das árvores, sendo fundamental para que os índices de queda na cidade se mantenham reduzidos, mesmo com as fortes tempestades e ventos registrados na cidade. Os casos de quedas de árvores em vias públicas são pontuais. Quando as árvores estão em terreno particular, os proprietários podem entrar em contato com a secretaria e solicitar autorização para procedimentos de poda e corte. A execução fica a cargo do proprietário. Em vias públicas, o poder público se responsabiliza, bem como nos casos de confronto com a rede elétrica (Eletrobras Amazonas Energia).

Em 2013, foram realizados 6.187 ações de manejo. Em 2014, 3.167 e em 2015 2.476. Este ano, somente até abril, 4.109 árvores em vias públicas. Foi dado início a um novo cronograma em agosto, que se encontra em execução.

Para calçadas

Atualmente o trabalho de plantio é realizado obedecendo as diretrizes estabelecidas no Plano Diretor de Arborização Urbana de Manaus (2012). Pelo plano, a recomendação é utilizar as espécies arbóreas com sistema radicular pivotante, a exemplo do pau pretinho, que é natural da Região Amazônica, e pata de vaca. É uma árvore de porte mediano (até 10 m de altura) Seu tronco, floresce o ano todo, com maior freqüência no período menos chuvoso. Possui copa ampla e frondosa, sistema radicular pouco agressivo e baixa susceptibilidade ao ataque de pragas e doenças. O pau-pretinho atualmente vem sendo usado com maior freqüência na arborização de ruas, avenidas, praças e parques de Manaus porque proporciona sombra e conforto térmico. 

E qual árvore não é recomendada para calçadas? A Semmas, por meio de sua assessoria de comunicação, explica: "As que apresentam raízes agressivas, a exemplo do ficus, oitizeiro, flanboyant, mangueira, que levantam calçada, quebram asfalto. Inclusive as frutíferas tambem nao devem ser plantadas nos logradouros públicos por conta do risco de acidentes (queda de frutos sobre os carros)". 

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