Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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População de Iranduba renova esperanças por melhorias após a cassação de Xinaik Medeiros

Obras abandonadas, vias sem manutenção e precariedade nos serviços. São os efeitos de vários anos sob administrações sem compromisso com o desenvolvimento de Iranduba



1.jpg Rua Átila Lins é o exemplo do estado em que se encontram muitas vias no município, sem qualquer tipo de manutenção
27/02/2016 às 16:59

Na semana em que Xinaik Medeiros, protagonista do mais recente caso de corrupção no Amazonas, foi cassado por uma Câmara Municipal que recebia propina para fechar os olhos para as falcatruas do prefeito, segundo o Ministério Público, o município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) experimenta um cenário de abandono, com dezenas de obras paralisadas pelo desvio de verbas públicas, desemprego e filas no cartório local, em condições subumanas para emissão do título de eleitor.

 A equipe de reportagem do jornal A CRÍTICA esteve no município na quarta-feira (24), onde visitou creches, Unidades Básicas de Saúde (UBS), quadras poliesportivas e escolas que deveriam estar à disposição da população, mas que nunca foram concluídas. O desemprego deixou de ser um fato isolado e hoje faz parte da realidade de muitas famílias do local, como é o caso de Silvio Lino, 66.

“Vim embora de Novo Airão com a minha filha e mais duas netas com as esperança de ter uma vida melhor aqui, mas nada vai bem. Ainda tenho esperança de que, quando ocorra uma nova eleição, algo melhore. A falta de transporte também dificulta muito e acaba matando na falta de resistência as poucas chances que temos de conseguir algo. Algo que os dirigentes têm pecado também é a falta de segurança. As poucas praças que tem aqui, à noite viram área de tráfico e prostituição”, relatou o desempregado.

O aposentado Francisco Ribeiro de Castro, 75, morador da Comunidade São João, a 10 quilômetros de Iranduba, reclama da ausência do Legislativo e do Executivo municipal. “Na comunidade moram cerca de 70 famílias e o ramal nunca foi asfaltado, não tem como escoar produção de nada, o que dificulta o sustento das pessoas. Mas é certo que ninguém quer vir para a cidade (Iranduba), apesar de que já vemos uma mudança”.

Obras paradas

Almir Silva Ferreira, 46, é frentista há três anos em um posto localizado na avenida Amazonas, bairro Novo Amanhecer, que fica em frente à escola Cecília Carneiro de Oliveira. No mesmo terreno da escola foi construída uma creche que até hoje não foi inaugurada. O local já foi tomado pelo mato e por criadouros de mosquito, devido ao acúmulo de água dentro do prédio e não possui placa informando o valor da obra ou mesmo a data em que deveria ter sido entregue.

“Trabalho aqui há três anos e há três anos essa creche está aí. Nunca ninguém ouviu falar em inauguração apesar de, aparentemente, ela já estar pronta. Sou pai de cinco filhos, a mais nova tem um ano e fica com a minha mulher. Se tivesse a creche poderíamos deixar a bebê lá e ela procurar um emprego, que já ajudaria muito na nossa renda”, disse.

Segundo planilha de obras paralisadas, divulgada pela Prefeitura, a empresa responsável pelo serviço é a Moura e Oliveira Construção LTDA. Outras 12 obras da mesma empresa também seguem paralisadas, como a reforma e ampliação da Feira do Produtor – orçada em R$ 719,9 mil, na principal avenida do município, iniciada e não concluída.

Humilhação no cartório eleitoral

Dezenas de pessoas que necessitam atualizar o título de eleitor se sujeitam a ficar debaixo do sol e da chuva, dormir ao relento sem qualquer segurança ou salubridade para conseguir uma das 20 senhas distribuídas diariamente pelo Tribunal Regional Eleitoral no município.

A situação classificada pela população como “humilhante” atinge não somente aqueles que moram no município, mas também os eleitores do distrito do Cacau Pirêra e de comunidades rurais próximas.

Idelson Maurício, 44, é morador da Comunidade São Sebastião, localizada a 13 quilômetros de Iranduba. Ele e a esposa estavam na fila há três dias. “Cheguei na segunda-feira, às 7h da manhã. Aqui nós mesmos vamos passando uma lista colocando a ordem de quem chegou, baseado no número de fichas distribuídas, e mesmo eu tendo chegado há três dias, estou na lista de hoje (quarta-feira) para ser atendido. Eles (TRE) acham que são melhores que a gente, e que chegamos tarde para fazer a biometria. Mas mesmo que eles tivessem razão não justifica esse tratamento”, avaliou.

Edmelson Aguiar dos Santos, 22, quer transferir o título eleitoral de Manaus para Iranduba. “Moro aqui há um ano, eu e a minha esposa precisamos transferir o título, e chegamos aqui com a nossa bebê de 9 meses, que não temos com quem deixar, na terça-feira, às 15h, e só conseguimos entrar na lista da sexta-feira.

No local havia ainda idosos e mulheres grávidas na mesma situação.

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