Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
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População reivindica ações contra violência no AM

Um dos três problemas mais citados pelos eleitores do Amazonas, a falta de segurança pública questiona os poderes



1.jpg Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa criticou situação carcerária do AM
30/11/2013 às 09:36

Empregada doméstica, habituada a andar e sair cedo de casa, Androgisa Cardoso, 50, reclama da violência na cidade de Manaus. Moradora do Zumbi, na Zona Leste, ela disse que no bairro os moradores se trancam em casa com medo da violência nas ruas, gerada pelo tráfico de drogas naquela região. “Minha filha sai de manhã cedo para trabalhar. Ela já é adulta, mas sempre tem que ir um homem lá de casa para acompanha-la até à parada (de ônibus) porque ela já foi assaltada e a gente tem medo de que possa acontecer alguma coisa pior”, relatou.

O drama de Androgisa se repete entre os moradores dos bairros da Zona Leste acossados pelo medo e pela insegurança. E também dos de outros bairros de outras zonas da cidade, como uma sensação quase coletiva.

Para o delegado Raimundo Pontes, o tráfico de entorpecentes não é só um fator da criminalidade, mas um sintoma. “É um sintoma de que as pessoas (envolvidas com drogas) devem ser melhor orientadas, e formadas, para lidar com as questões que as levam ao tráfico ou à dependência de drogas”, disse.

O delegado aponta a vulnerabilidade social como um dos fatores que contribuem para que as pessoas façam práticas criminosas. “São três os abandonos que concorrem para que as pessoas cheguem aos delitos: o moral, o material e o intelectual”, disse, ao citar que muitas vezes questões pessoais e simbólicas também podem ser motivos potenciais para que muitos entrem no tráfico ou no vício de drogas.

Contraste
O aumento da sensação de insegurança e da preocupação da população com o tema tem contrastado com a redução dos índices de criminalidade apresentada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP), após a implantação do programa Ronda no Bairro. A presença de mais policiais e viaturas já não é suficiente para a tranquilidade das pessoas.

Nos últimos domingos (17 e 24 de novembro), A CRÍTICA publicou as principais preocupações do eleitor amazonense no ano que antecede as eleições de 2014. Conforme sondagem realizada pela Action Pesquisas, no mês de agosto, a segurança pública é a segunda maior preocupação do eleitorado amazonense, da capital e do interior, sendo o principal problema para 15% dos 3.650 entrevistados.

O diagnóstico das autoridades da área é que o tráfico de drogas é a principal causa da criminalidade nos dias atuais porque resulta em diversos outros tipos crimes que vão desde os pequenos furtos realizados por viciados a homicídios na disputa pelo comando do comércio ilegal dos entorpecentes. O tráfico, alertam essas autoridades, é crescente.

Nas ruas, as pessoas confirmam a tese defendida pelas autoridades sobre o efeito do tráfico de drogas para o aumento da violência e ressaltam: o medo de sair de casa ou mesmo, em algumas vezes, de ficar em casa, também é crescente.

Iaci vê poder público despreparado
O presidente do Instituto Amazônico de Cidadania (Iaci), Hamilton Leão, afirmou que o Poder Público não está preparado para o enfrentamento do problema da segurança. “O povo faz a sua parte, contribui e o Estado não dá contrapartida investindo como deveria. Hoje, o Amazonas está com deficiência no número de peritos. É um disparate em relação ao que deveria ser o ideal”, disse.

Para Hamilton Leão, o programa Ronda no Bairro não está sendo implantado de forma adequada porque, segundo ele, não tem cumprido o seu papel de manter uma relação mais próxima com a sociedade. “Comprar instrumentos, armar a polícia não é o caminho”, disse.

Segundo o presidente do Iaci, a polícia tem hoje projetos importantes como o Jovem Cidadão que não são aplicados de forma eficiente. “É um programa que vai lá na base, mas eles não dão a devida atenção para isso”, reclamou.

Delegado propõe ações integradas
Áreas de maior vulnerabilidade devem, na opinião de Raimundo Ponte, ser alvo de uma atuação concentrada dos órgãos

O delegado Raimundo Pontes defende ações intersetoriais para o combate preventivo ao crime. Para ele, é preciso ações integradas entre os vários setores da sociedade para evitar a prática criminosa. “A dinâmica da sociedade que dita o que devemos fazer. Os problemas urbanos surgem e afloram. A pressão social exige esse olhar multidisciplinar. Depois que o crime ocorre não é mais um problema de segurança, vira uma questão de insegurança”, disse. Para o delegado as ações devem ser concentradas, principalmente, onde houver maior vulnerabilidade social.

Raimundo Pontes é presidente do Conselho Penitenciário do Amazonas (Copen-AM) que no mês de outubro, após encontro estadual, lançou a Carta de Manaus apresentado uma síntese do pensamento sobre as ações integradoras nesse setor, um dos gargalos da segurança pública. “O objetivo da carta é mostrar que a abordagem do sistema carcerário depende de ações entre vários setores”, disse.

A carta foi escrita como resultado do encontro do Fórum Interinstitucional de Política Penitenciária, em 31 de outubro. O texto, segundo Pontes, não teve motivação na visita do presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que criticou a situação carcerária do Amazonas e determinou a desativação do Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa no Centro de Manaus.

Judiciário
A representante do Movimento de apoio as entidades comunitárias do Amazonas (Maecam), Aurinha Fernandes, também defendeu uma ação mais eficiente do Poder Judiciário na aplicação das penas de crimes de violência. A militante afirmou que a população deve ter uma participação mais efetiva na prevenção e no apoio às ações policiais, denunciando mais, por exemplo.

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