Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
SEGURANÇA

População teme uso de armamento pesado em operações policiais no Amazonas

O medo é de que as armas caiam em mãos erradas. Mas a SSP garante que os fuzis serão utilizados apenas em missões pelos rios do Estado, no combate ao narcotráfico



armamento.JPG Os fuzis têm alcance de mira de 600 metros e capacidade de até 3.800 metros (Foto: Divulgação)
20/07/2017 às 07:37

Arsenal de fuzis calibre 762 cedido pelo Exército Brasileiro (EB) à Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) tem deixado muitos amazonenses preocupados quanto a utilização desses armamentos em operações policiais.  O medo é de que as armas caiam em mãos erradas. Mas a SSP garante que os fuzis serão utilizados apenas em missões pelos rios do Estado, no combate ao narcotráfico, e que os policiais estão sendo treinados para manuseá-los.

“O uso de tal armamento de guerra em uma cidade populosa como Manaus só trará horror aos habitantes. Esse tipo de armamento é de alto poder destrutivo, o que aumenta muito a chance de uma pessoa ser atingida por um projétil desse”, comentou o universitário Guilherme Ferreira. Já o analista técnico Arthur Cardoso, teme que bandidos se “apropriem” desse tipo de arma. “Logo mais leremos que alguns desses fuzis já estarão nas mãos de bandidos e facções da cidade”.

O secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, afirmou que todos os 70 fuzis recebidos serão utilizados exclusivamente pelos policiais dos grupos especializados das polícias Civil e Militar, como Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Departamento de Investigação Sob Narcóticos (Denarc), Secretaria Exexutiva-Adjunta de Inteligência (Seai) dentre outros, que atuam diretamente com investigações contra grupos criminosos nos rios do Estado. “Os criminosos têm utilizado armas muito potentes, como fuzis, para proteger as drogas nos rios. E esses fuzis, que é o armamento mais potente para uso individual, irão garantir a integridade do policial em operações nos rios da região”.

De acordo com Fontes, os policiais dos grupos especiais possuem treinamento para a utilização de armas de alto poder de fogo e ressaltou que novas instruções serão realizadas. “Nós já temos fuzis de outros calibres nas nossas polícias e não há notícia de uso indevido”, ressaltou.

O diretor do DRCO, da Polícia Civil, Guilherme Torres, acredita que o novo armamento reforça o aparato policial para a realização de abordagens nos rios do Amazonas, que são as principais rotas do tráfico internacional de drogas.

“No rio, a abordagem é diferente da terrestre. O confronto é frontal e vai vencer quem estiver mais bem equipado. Para quem está na ponta, ter armamento como esse é considerado um avanço porque precisamos ter paridade, caso haja um confronto com traficantes e evitar o que aconteceu com o delegado Garcez”, explicou Torres, ao mencionar que os narcotraficantes também têm utilizados fuzis para realizar a escolta de grande quantidade de drogas.

Planejamento

O cientista social e especialista em Segurança Pública, Pontes Filho, defende que o uso de armas de guerra se justificam quando os criminosos também tem poder de fogo. 

“É preciso levar em conta os lados opostos. Qual o armamento que a força delinquente está usando? Se houver o uso de fuzil, então se faz necessário que as polícias também tenham o mesmo poder de fogo”, explicou ele. “Quando o enfrentamento é direto, tem que saber com quem você está lidando”, afirmou o especialista.

No entanto, Pontes Filho alerta que para qualquer operação tática é essencial que haja planejamento e experiência para combater grupos criminosos. 


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