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Cotidiano
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Populares e indígenas protestam contra prefeitura de Anamã (AM)

Cerca de 350 manifestantes caminharam pelas ruas do município exigindo mais transparência no uso de verbas públicas por parte da prefeitura local 09/08/2013 às 21:57
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Protesto no município de Anamã levou cerca de 350 pessoas para as ruas, que reivindicam repasse de verbas do "SOs Enchente" pela Prefeitura
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

Cerca de 350 pessoas, entre populares e indígenas, caminharam na tarde desta sexta-feira (9) pelas ruas do município de Anamã (a 129 quilômetros em linha reta de Manaus) carregando cartazes e faixas durante um protesto para exigir o repasse da verba do Governo Federal destinada à população afetada pela cheia das águas deste ano, por meio do benefício intitulado "SOS Enchente". Cada família atingida receberia R$ 400, mas a quantia não chegou a Anamã até o momento.

Conforme um dos manifestantes, Brendo Dantas, 19, o grupo passou pelas sedes do Ministério Público e da Prefeitura da cidade, mas não foram recebidos por nenhum representante. “Pedimos transparência com as verbas públicas. Não foram distribuídos nem os ranchos para as famílias”, reclamou. Segundo ele, o município também enfrenta um péssimo atendimento médico. “Anamã está sendo atendida por dois médicos que revezam entre si durante 15 dias na cidade”, disse.

O dinheiro do cartão "SOS Enchente" deveria ter sido repassado às famílias nos meses de maio e junho, quando a cheia atingiu o município. De acordo com Brendo, o prefeito da cidade, Jecimar Pinheiro Matos (PSD), não tem respondido aos pedidos da população. “O povo tem ido atrás dele, mas ele não atende a gente”, disse. Segundo ele, o Governo Federal, por meio do Ministério da Integração Nacional, teria depositado cerca de R$ 800 mil nas contas da Prefeitura para ajudar na recuperação dos prejuízos com a cheia, mas nada foi repassado à população.

REPASSE
O prefeito Jecimar Pinheiro, que está em Manaus, negou ao ACRITICA.COM que os moradores tenham o procurado e disse que o cartão do "SOS Enchente" não é administrado pelo Município, e sim pela Defesa Civil do Estado. “O morador recebe o cartão da Defesa Civil e saca o dinheiro que é depositado na conta dele pelo Governo Federal. A prefeitura nem toca nesse dinheiro”, explica. Segundo ele, o Ministério da Integração Nacional informou que não havia recursos suficientes para suprir o benefício. “Pelo menos Anamã ninguém não recebeu nada, não sei se em outro município receberam”, acrescenta.

De acordo com Jecimar Pinheiro, a prefeitura apenas recebeu recursos do Governo do Estado, cerca de R$ 500 mil, para serem utilizados na compra de cestas básicas, combustível, madeiras e para deslocamento durante as enchentes. “A nossa maior despesa foi com madeira. Foram R$ 400 mil só com madeira para levantamento dos pisos das casas”, afirma. O Prefeito também disse que, na verdade, três médicos atendem em Anamã e que espera melhorar o serviço com o programa “Mais Médicos” do Governo Federal.

“O vice-governador José Mello visitou a cidade. Estamos levantando tudo e levaremos o problema ao governador Omar Aziz. Estamos trabalhando junto à Funasa (Fundação Nacional da Saúde) na recuperação de sistema de água, que foi totalmente afetado com as cheias. Não é fácil recuperar”, falou Jecimar Pinheiro. O Prefeito informou também que a vice-prefeita Esmeralda Moura (PMDB) está na cidade e poderá atender as exigências dos manifestantes.

O político declarou, ainda, que os protestos estão sendo promovidos por candidatos da oposição e por uma moradora que perdeu a permissão da Prefeitura para ter um ponto de comércio na orla de Anamã. Ao final dos protestos, os manifestantes esperavam do lado de fora da Câmara Municipal onde ocorria uma sessão fechada para discutir os problemas na cidade. Até o fechamento desta matéria, não houve diálogo entre as partes.

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