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Por conta da violência na cidade, profissões simples agora possuem grau de risco elevado

Profissionais nas ruas da cidade revelam o medo que sentem ao deixarem suas casas todos os dias para a “batalha” 22/06/2015 às 19:23
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Frentistas que trabalham principalmente no período noturno convivem com o perigo de assaltos, agressões e até morte
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Uma coisa é certa na vida: Todos precisam trabalhar para ganhar seus salários e sustentar as respectivas famílias. Mas, a violência diária vem aumentando bastante o grau de perigo em algumas profissões.

O MANAUS HOJE listou algumas delas que são, hoje, consideradas com um elevado de risco de morte. São elas: taxistas, mototaxistas, frentistas e motoristas de ônibus. A reportagem conversou com alguns desses profissionais nas ruas da cidade e eles revelaram o medo que sentem ao deixarem suas casas todos os dias para a “batalha”.

O taxista Wellington Melo, 43, que atua em ponto de táxi no Parque Dez afirmou que “só tem Deus” para ajudá-lo a chegar vivo todos os dias em casa.

De acordo com ele, todo passageiro é suspeito. “Não está escrito no rosto se é bandido ou não. Estou há dois anos na praça e, mesmo com o pouco tempo, já vi e vivi de tudo”, explicou. Melo contou que uma vez pegou um casal, há um mês atrás, em um Shopping, no bairro Cidade Nova, e, quando menos esperou, o homem lhe deu uma gravata e a mulher, que pareceu ser inofensiva, encostou uma faca em suas costas e pediu toda a renda do dia. “Eu nem esperava, para mim era apenas uma casal, mas é complicado. Nesse dia pensei que eu ia morrer”, contou. Mesmo com o risco constante, ele não pretende em sair da praça.

Risco nas Bombas

Os profissionais de postos de combustíveis também estão vulneráveis à criminalidade. O frentista Maik Araújo, 25, que trabalha em um posto localizado na avenida do Turismo, no bairro Tarumã, na Zona Oeste.

De acordo com Araújo, o fato de se trabalhar com dinheiro “vivo” acaba por atrair a bandidagem. “Estamos sempre com dinheiro no bolso e somos uma presa fácil. Temos que deixar nas mãos de Deus e pedir para que não aconteça nada”, disse.

Dirigir busão é complicado

Os condutores de coletivos também não possuem sequer uma defesa diante de um criminoso. Sentado, eles apenas obedecem ordens dos bandidos e, mesmo assim, ainda são agredidos. O motorista Hudson Barros, 32, contou que um amigo dele, também motorista, quase morreu ao levar um tiro de raspão durante uma de suas rotas diárias dentro do ônibus de transporte coletivo.

Segundo ele, dois adolescentes entraram na linha 122 e anunciaram o assalto, porém, na fuga, um deles atirou contra o motorista que foi ferido de raspão. “Sempre entra um pela frente e outro na porta de trás.

Eles sempre estão nervosos e agressivos, batem e xingam todos”, relatou e ainda disse que se fosse vítima de assaltantes e estivesse passando próximo de uma delegacia, iria direcionar o veículo até a unidade policial.

Com criminosos na garupa

Outro grupo profissional de risco são os mototaxistas. Sem poder olhar para o passageiro, que senta na parte de trás da motocicleta, os profissionais trabalham com uma tensão acima do normal. O mototáxi Naldo Ferreira, 38, explica. “Não sabemos o que o passageiro pode aprontar. Já peguei um senhor de idade e, quando menos eu esperei, ele apontou uma revólver 38 na minha cabeça e pediu a minha moto”, explicou. Ele comparou a profissão com a de taxista. “Somos iguais, não sabemos quem pegamos. Saímos de casa e não sabemos se iremos voltar”, disse.

Mototaxistas trabalham transportando pessoas pra lá e para cá, mas são alvos constantes de assaltos e tentativas de homicídio (Foto: Lucas Silva)


O mototaxista Ednaldo Silva, 37, relatou a reportagem que sua esposa, cujo nome não será mencionado, já até pediu para que ele deixe de exercer a profissão. “Minha mulher já pediu, mas tenho que sustentar a minha família. Infelizmente esse é o risco que nós, mototaxistas, corremos todos os dias ao sair”, contou. Ambos os profissionais trabalham em um ponto fixo, localizado no bairro Jesus me Deus, na Zona Norte da capital.

Fabiano Rosas de Oliveira, 31, não teve a mesma sorte. Ele foi assassinado com sete facadas na madrugada do dia 28 de maio deste ano, no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste. Um passageiro desconhecido que pegou em Petrópolis, na Zona Sul, o matou ao chegar na ZL. No final da corrida, o suspeito esfaqueou e, em seguida, roubou sua motocicleta. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), mas ainda não foi solucionado.


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