Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
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Por Marcelo Ramos, PDT ensaia se afastar do ‘cacique’ Amazonino

Partido pretende reestruturar militância e tentar candidatura própria em 2016. Marcelo Ramos, filiado ao PSB e já sondado pelo PV e Rede, diz que só migraria para o PDT se Amazonino se afastasse da sigla



1.gif Após o terceiro lugar nas eleições para o Governo do Amazonas, Marcelo Ramos se lançou pré-candidato em 2016
30/01/2015 às 09:17

O PDT do Amazonas iniciou uma maratona de investidas que miram reestruturar a militância da sigla, pavimentar uma candidatura própria para 2016 e isolar o protagonismo do ex-prefeito Amazonino Mendes no partido. A principal negociação é feita com o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), que impõe condições para a adesão.

Sem sinais de que o PSB o apoiará contra a reeleição do prefeito Artur Neto (PSDB) na próxima campanha, Ramos sinaliza que só aceitará o convite do PDT caso haja garantias do esvaziamento das forças de Amazonino. Além do afastamento do ex-prefeito, o deputado quer ainda o aval para se tornar presidente da sigla nas próximas eleições internas.

Terceiro colocado na última disputa pelo governo, Ramos mira evitar o constrangimento de dividir o partido com Amazonino após emplacar o discurso da “renovação” como principal carro-chefe da campanha. A adesão ao PDT, partido com representação no Congresso, daria ao deputado mais musculatura do que o ingresso na Rede (partido que Marina Silva tenta criar). O político também tem convites do PV.

“Se ele (Amazonino) for a figura central no processo de tomada de decisão em 2016, isso é um fator excludente da minha adesão ao partido. Não há identidade”, afirma Ramos. No início deste mês, o presidente estadual da sigla, Stones Machado, e o deputado fizeram as primeiras tratativas das negociações em Brasília com o Ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT).

Stones Machado é um dos principais patrocinadores da adesão de Marcelo Ramos. O dirigente quer dar fôlego ao projeto do partido renovando as lideranças internas. Machado convidou também o deputado federal que perdeu a última disputa pelo Senado, Francisco Praciano (PT). O petista teria se mostrado interessado, mas ainda não decidiu.

“O PDT está buscando os melhores quadros políticos para trazer, em 2016, alternativas que representem a renovação. Não podemos achar que somos imortais e paralisar o próprio partido”, disse o presidente. As últimas declarações de Amazonino Mendes foram mal recebidas pela sigla e vistas como o aval para o início das articulações em torno das mudanças.

Em entrevista concedida ao A CRÍTICA neste mês, o ex-prefeito afirmou que “acha normal” a adesão de Ramos e sugeriu que não se importa com a sigla. “Na verdade, nunca quis ser presidente de partido e eu não dou muita moral para partido porque é tudo igual. É tudo farinha do mesmo saco”, declarou.

A indisposição dos pedetistas com Amazonino foi externada ainda durante as eleições. O vereador Francisco da Jornada e o ex-vereador Luiz Alberto Carijó fizeram campanha para adversários do ex-prefeito. Já o vereador Gilmar Nascimento se queixou da falta de apoio de Amazonino e disse que esperava mais “ajuda”.

Rede apóia sem Amazonino

Durante um pronunciamento à imprensa na manhã de ontem, a Rede Sustentabilidade reafirmou a intenção de lançar uma candidatura própria nas próximas eleições, mas não descartou um possível apoio a Ramos no PDT.

A agremiação disse, no entanto, que só poderá apoiar o deputado se Amazonino Mendes deixar a sigla. “A Rede não consegue enxergar o Amazonino com o deputado. Para a Rede apoiar, Amazonino terá que sair da sigla, no minímo”, disse uma das coordenadoras do grupo, Luciana Valente.

A Rede também busca musculatura para a próxima campanha e negocia a adesão de políticos amazonenses para a sigla tão logo consiga o registro partidário no Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

Além do deputado Luiz Castro (PPS), que já sinalizou que fará a migração, há ainda convites em análise de pelo menos outros cinco políticos amazonenses.

As negociações são feitas também no interior. Em Novo Airão, o vereador Kleber Bechara de Oliveira, do PT, já sinalizou que dispurará a prefeitura do município, em 2016, filiado ao Rede.

A agremiação já cumpriu a meta regional de coleta de assinaturas e teve a validação das assinaturas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Foram nove mil coletas.


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