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Cotidiano
COMEMORAÇÃO

Por que se comemora o Dia Internacional da Mulher?

O 8 de Março é uma das poucas datas celebradas globalmente. Veja como nasceu a data e porque ela é tão importante até hoje 08/03/2018 às 11:57 - Atualizado em 08/03/2018 às 12:25
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Ag. Conversion Manaus

O Dia Internacional da Mulher é um evento mundial que celebra as conquistas das mulheres - da política ao social - enquanto clama por igualdade de gênero. Isso acontece desde o começo do século XX, mas agora é lembrado a cada 8 de março. Não possui afiliação com nenhum grupo, mas traz sempre a participação de governos, organizações de mulheres, corporações e caridades. O dia é marcado ao redor do mundo por performances de arte, conversas, conferências, debates e marchas.

Como começou?

É difícil dizer exatamente quando o Dia Internacional da Mulher (IWD, na sigla em inglês) começou. Suas raízes podem ser encontradas em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam por Nova Iorque, nos Estados Unidos, demandando direito de voto, melhores pagamentos e menores jornadas de trabalho.

Um ano depois, o primeiro Dia Nacional da Mulher foi lembrado nos Estados Unidos no dia 28 de fevereiro, em concordância com uma declaração do Partido Socialista da América (Socialist Party of America). Em 1910, uma mulher chamada Clara Zetkin - líder do "departamento de mulheres" do Partido Social-Democrata da Alemanha - apresentou a ideia de uma data internacional. Ela sugeriu que cada país deveria celebrar as mulheres um dia por ano como demonstração de compreensão de suas demandas.

Uma conferência com mais de 100 mulheres de 17 países concordou com sua sugestão e o IWD foi formalizado. Em 1911, foi celebrado pela primeira vez na Áustria, na Dinamarca, na Alemanha e na Suíça no dia 19 de março. Dois anos depois, a mesma conferência decidiu transferir a data para o dia 8 do mesmo mês, e desde então tem sido celebrado nesse dia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) só reconheceu a data em 1975, mas desde aquele ano cria um tema anual para a celebração. Em 2011, o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, proclamou o mês de março como o "Mês da História das Mulheres".

Por que nós ainda celebramos essa data?

O objetivo original - alcançar uma total igualdade de gênero para as mulheres no mundo - ainda não foi realizado. Ainda existe uma distância de salários entre gêneros ao redor do globo e as mulheres não estão em números iguais nos negócios ou na política. Relatos indicam que, em índices globais, a educação e a saúde das mulheres, além da violência que elas sofrem, é pior que em comparação com os homens.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), a distância de salários entre gêneros não vai diminuir até 2186. No Dia Internacional da Mulher, elas tentam juntas forçar o mundo a reconhecer essas desigualdades enquanto também celebram as conquistas das mulheres que já derrubaram algumas barreiras.

Segundo um relatório do WEF publicado em 2017, poderia demorar ainda mais 100 anos até o desaparecimento total da diferença de pagamentos entre gêneros no mundo. No ano passado, mulheres efetivamente trabalharam "de graça" por 51 dias do ano por causa dessa distância entre homens e mulheres. Elas ainda receberam menos da metade dos salários dos homens em algumas das maiores companhias britânicas, de acordo com o jornal The Telegraph.

Ainda assim, em 2017, os direitos das mulheres dominaram as notícias, com um "acerto de contas" global com más condutas sexuais nas indústrias. Seguindo a irrupção de alegações contra o diretor estadunidense Harvey Weinstein e outros homens "proeminentes" em posições de poder, o movimento #MeToo deu voz às mulheres que sofreram abusos por meio de filmes, músicas, políticas e artes.

No 8 de março do ano passado, as companhias mundiais também abraçaram a causa: a Apple, por exemplo, uma das líderes mundiais pela produção do celular iPhone, promoveu uma grande campanha em sua principal plataforma, o iTunes, com uma seleção de filmes e aplicativos voltados para as mulheres.

A revista estadunidense Time nomeou o coletivo The Silence Breakers ("As quebradoras do silêncio", em tradução livre) como a "Personalidade do Ano" em dezembro do ano passado. A luta pelos direitos das mulheres já cresceu neste ano, com atrizes doando dinheiro e vestindo roupas pretas nas cerimônias em sinal de apoio ao movimento #TimesUp. A jornalista britânica Carrie Gracie, da BBC, ficou conhecida mundialmente por pedir sua saída do cargo de editora na China da rede de comunicação por receber menos que homens.

2018 marca o centenário do direito das mulheres votarem na Grã-Bretanha: a introdução da lei aconteceu em 6 de fevereiro de 1918 e permitiu que mulheres com mais de 30 anos escolhessem seus representantes.

No cenário global, o tema do IWD deste ano será #PressforProgress, um aceno para a criação de um movimento global de advocacia, ativismo e apoio da paridade de gênero. Inspirado pelo #MeToo e pelo #TimesUp, o objetivo do tema proposto pela ONU é encorajar as pessoas a continuar lutando por igualdade.

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