Sábado, 16 de Outubro de 2021
Entrevista

Porta-voz afirma que projetos dos EUA para conservação da Amazônia são realizados “sem dificuldades com nenhum governo”

Em entrevista ao podcast as “Amazonas”, Tobias Bradford evitou tecer criticas a politica ambiental de Jair Bolsonaro e ressaltou a continuidade de projetos dos EUA na Amazônia



tobias_bradford_0B1CC964-B934-46B4-A2E0-1CDB87FF82A9.jpg Foto: Junio Matos
02/09/2021 às 17:03

Em entrevista para o podcast as “Amazonas”, do Jornal A CRÍTICA, o porta-voz da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil, Tobias Bradford, disse que os EUA conseguem dar continuidade a projetos de conservação na Amazônia sem “nenhuma dificuldade''. Clique aqui para ouvir na íntegra.

O porta-voz evitou fazer críticas diretas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que é amplamente criticado pela comunidade internacional pela forma que conduz discussões ambientais. Por causa dessa abordagem, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Brasil tem sofrido resistência no grupo desde 2019, época da resposta tardia do governo contra as queimadas na Amazônia.

“A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID, na sigla em inglês) já tem mais de cinco décadas de trabalho com enfoque especial na região amazônica. Mesmo com a transição de vários governos brasileiros e americanos, temos uma continuidade impressionante. Conseguimos continuar o trabalho aqui no terreno sem dificuldade com nenhum governo”, disse às apresentadoras Aruana Brianezi, Liege Albuquerque e Daniela Assayag.

Tobias lembrou que a administração do presidente democrata Joe Biden prioriza pautas relacionadas ao meio ambiente com mais ênfase do que em outros governos americanos. No meio da campanha à presidência, Biden chegou a falar que destinaria US$ 20 bilhões para o Brasil combater as queimadas. 

Em abril, durante a cúpula mundial do Clima, organizada pelo governo Biden, o presidente Bolsonaro se comprometeu a zerar as emissões até 2050 e zerar o desmatamento ilegal até 2030. A promessa foi vista por ambientalistas como uma guinada na política ambiental de Bolsonaro, que é pautada pelo enfraquecimento da fiscalização ambiental.

Bradford afirmou que o governo americano também dialoga com estados e organizações do terceiro setor para conseguir resultados na questão ambiental brasileira. “Nós não vamos nos limitar a só trabalhar governo nacional com governo nacional. Devemos levar em conta todos os atores na questão ambiental, desde ongs, governo locais e governos estaduais”, destacou.

No mês passado, Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, teve um encontro com governadores do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal. O esforço visa contornar o governo Jair Bolsonaro nas negociações sobre o meio ambiente.

As autoridades dos EUA e os governadores devem discutir no encontro o desmatamento na Amazônia e mecanismos de financiamento internacional de projetos de proteção do bioma.

INICIATIVAS

O porta-voz contou que mais ou menos há seis anos o governo americano começou um programa com enfoque no pirarucu na região amazônica. A iniciativa partiu de uma preocupação da USAID com uma provável extinção da espécie.

“A ideia é que nós como governo e o setor privado podemos dedicar fundos para apoiar iniciativas locais ligadas à sustentabilidade, mas ao mesmo tempo entendendo que podemos cuidar da floresta só se nós das pessoas que vivem e dependem dela”, ressaltou.

Uma nova edição do podcast as” Amazonas” é publicada semanalmente às sextas-feiras no canal do Youtube da “Amazonas” e nas diversas plataformas de áudios.




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