Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020
Discurso produz efeitos

Questão ambiental: posição do governo afasta um bloco, mas agrega outro, diz especialista

Professor de Relações Internacionais afirma que posição do governo pode ter efeitos contraditórios para o Brasil no processo de negociação internacional



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01/07/2019 às 14:40

O professor do curso de relações internacionais da Faculdade La Salle e cientista político, Breno Leite, avalia que as declarações do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) sobre a questão ambiental pode ter efeitos contraditórios para o Brasil no processo de negociação internacional. Na viagem para o G-20, os líderes das duas maiores economias da União Europeia, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, manifestaram preocupação em relação à condução da política ambiental pelo governo Bolsonaro.

“A medida em que ele é rechaçado por parte de alguns governos, é naturalmente aceito por outra parcela. Por exemplo, essa lógica dualista, entre países ambientalistas e os que vão se desenvolver em detrimento da questão ambiental acaba se criando um bloco, mesmo que artificial, no sentido de forças de integração, de afirmação de acordo”, pondera o cientista político.



O presidente da França Macron chegou a declarar que o País não assinaria nenhum acordo comercial com o Brasil, se o presidente Jair Bolsonaro se retirasse do acordo climático de Paris, ameaçando colocar um entrave nas negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul. 

Antes mesmo do encontro da cúpula do G-20, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, manifestou o desejo de ter uma "conversa clara" com o presidente Bolsonaro sobre o desmatamento no Brasil.

Para o professor, se a Europa se distanciar do Brasil, o governo brasileiro irá se aproximar de países como Estados Unidos e China que estão na mesma proposta de garantir o desenvolvimento e relativizar a questão ambiental.

“No primeiro momento não podemos dizer que ajuda ou prejudica. Essas coisas são de um longo prazo, pois a tensão política é natural. Posteriormente, se têm resultados concretos do ponto de vista econômico. As coisas não são tão imediatas. Às vezes se tem uma tensão entre governos para no segundo momento ter uma conciliação e as coisas acabam se normalizando”, afirmou Leite.

Ele afirmou que em reuniões bilaterais, principalmente, pautadas em assuntos ambientais, são marcadas por movimentação diplomáticas. “Boa parte da postura desses chefes de governos deve fundamentalmente a uma demanda do seu eleitorado. Há uma preocupação muito grande com o que se vai falar lá fora e a posição em relação ao seu eleitorado, bastante sensível à legislação ambiental”, explicou o acadêmico. 

De acordo com o cientista político, os países europeus são mais “sensíveis” a temáticas ambientais contribuindo para aproximação a grandes potências mundiais que já são bastante céticas em relação à questão ambiental.

“São receosos quanto a essas aproximações com o presidente que não apresenta tanta atenção à pauta ambiental. O Brasil é um gigante demográfico, porém um anão diplomático. Dentro dos países do bloco de nações em desenvolvimento, o Brasil tem um ativo ambiental muito mais importante e se torna um alvo fácil a medida em que esses países (europeus) têm condições de pressionar muito mais um País como o Brasil e não nações Estados Unidos e China, potenciais que de certa maneira teriam como responder a altura a qualquer tipo de ameaça vinda dos europeus”, pondera Leite.

No G-20, Bolsonaro e Macron tiveram um encontro de 20 minutos em Osaka, no Japão. Bolsonaro sinalizou a Macron que o Brasil vai continuar no Acordo do Clima de Paris e disse esperar o apoio da França para o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, também convidou o francês para visitar a Amazônia.

Acordo firmado

O Mercosul e a União Europeia  fecharam na sexta-feira o acordo de livre comércio entre os dois blocos. Segundo estimativas do Ministério da Economia, o acordo representará um incremento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro de US$ 87,5 bilhões em 15 anos. De acordo com o ministério, esse valor pode chegar a US$ 125 bilhões se se considerarem a redução das barreiras não tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção. O aumento de investimentos no Brasil, no mesmo período, será da ordem de US$ 113 bilhões. Com relação ao comércio bilateral, as exportações brasileiras para a UE apresentarão quase US$ 100 bilhões de ganhos até 2035. 

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