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Postagens da comunidade "Dignidade Médica", no Facebook, avalizam boicote médico

Mensagens de médicos na redes sociais contradizem versão do sindicato da categoria sobre o veto a prescrever medicamentos fabricados por laboratórios farmacêuticos que doaram recursos a campanha de Dilma Rousseff 20/11/2014 às 15:39
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Página da comunidade Dignidade Médica
Luciano Falbo Manaus (AM)

Enquanto representantes da classe médica no Amazonas minimizaram o boicote aos doadores de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) e afirmaram que a movimentação nas redes sociais é para popularizar o uso dos medicamentos genéricos, na comunidade virtual ‘Dignidade Médica’ profissionais da medicina continuam pregando o veto aos laboratórios. Uma das publicações, inclusive, sugere que a defesa do genérico foi uma tática para abafar o boicote. A reportagem teve acesso ao grupo do Facebook.


Em uma postagem de um dos usuários da rede, com uma foto da capa da edição de segunda-feira de A CRÍTICA, a médica Patrícia Sicchar, que atua em Manaus, informa que o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) convocaria uma coletiva para defender a classe terça-feira. Em outro comentário, ela defende: “Vamos encabeçar a campanha: Genérico faz bem à saúde! O Ministério da Saúde recomenda!”. Sicchar também orienta que os colegas publiquem uma foto da nova “campanha” em seus murais na rede.


A reportagem de A CRÍTICA mostrou a mobilização dos profissionais da saúde pelo boicote, que foi batizado de ‘Operação ABCDE’ – a sigla junta as iniciais das empresas farmacêuticas e do primeiro nome da presidente (Ache, Biolab, Cristália, Dilma e Eurofarma). As reações foram diversas, a maioria ficou insatisfeita com a publicação.

Um dos usuários afirma: “Boicote não é crime. Também não precisa ser público, basta não ficar falando sobre isso”.  “Tem que boicotar mesmo! Nós, médicos brasileiros, temos uma legislação e a orientação do conselho a seguir e, se fizermos algo errado, poderemos ser punidos”, escreveu, um usuário. “Não tem como nos ameaçar. Somos os donos da caneta”, afirmou outro usuário da rede. “Danem-se quem não gostar. O médico é soberano na sua conduta”, comentou, outro. “Vamos prescrever chazinho! O povo adora! Kkkkkk”, disparou um dos médicos.

Por outro lado, alguns usuários da grupo  avaliaram como positiva a exposição midiática do boicote. “O boicote está repercutindo. Vamos insistir nele”, escreveu um membro do grupo. “O boicote está surtindo efeito. Vamos persistir”, orientou outro médico. “Se estão falando, está fazendo efeito”, comentou um médico. “Galera era isso que nós queríamos!!! Visibilidade!!! Deixa espernear deixa!!”, avaliou outro membro do grupo, que é restrito a médicos e estudantes de medicina. Até ontem, o "Dignidade Médica" registrava 96.352 membros.


No fim da tarde de terça-feira, em entrevista coletiva, representantes do sindicato e do Conselho Regional de Medicina (CRM) afirmaram que os médicos não vão pôr a saúde dos pacientes em risco e que a mobilização é para popularizar o uso dos medicamentos genéricos.


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