Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
voto por consulta

PRE/AM pede explicações sobre o caso do deputado estadual Dr. Gomes

ALE-AM deverá responder a ofício encaminhado pela entidade a respeito de suposta quebra de decoro do parlamentar, que aparece em vídeo utilizando seu gabinete para realizar consultas médicas e pedir votos



dr._gomes.JPG Deputado Dr. Gomes usou o próprio gabinete na ALE-AM para realizar consultas médicas em troca de votos dos pacientes / Foto: Antonio Lima
18/05/2016 às 10:50

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) terá que responder a ofício encaminhado pela Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas (PRE/AM) dando explicações sobre a conduta do deputado estadual Dr. Gomes (PSD), o qual utilizou seu próprio gabinete para oferecer consultas médicas e pedir votos aos seus pacientes.

 Em março deste ano, A Crítica denunciou a conduta do parlamentar por meio de um vídeo. Nele, Dr. Gomes realiza a consulta e solicita o “apoio” do paciente para a sua possível candidatura a vereador.    

Segundo a PRE/AM, a atitude pode ser configurada em dois crimes eleitorais. “A utilização do gabinete na ALE para realizar consultas médicas configura ato de improbidade administrativa e, caso o deputado seja candidato às eleições deste ano, pode configurar também abuso de poder político”, informou a PRE/AM.

Ofício

A PRE/AM encaminhou à Assembleia Legislativa na última sexta-feira (13) um ofício comunicando a instauração de investigação sobre a suposta quebra de decoro parlamentar cometida pelo deputado Dr. Gomes.  

De acordo com o presidente da ALE-AM, Josué Neto (PSD), o ofício deve ser respondido em até 15 dias (contados a partir de segunda-feira).

“Como tudo que é encaminhado pelo Ministério Público, vamos responder a esses questionamentos. Responder algo por dever de ofício não é algo ruim. Isso mostra que a Casa tem cumprido suas obrigações e sido transparente, agora essa é uma questão que está institucionalizada e não é necessária uma opinião política dos acontecimentos”, declarou o presidente da Assembleia Josué Neto.

Comissão de ética

Nos bastidores da Casa, circula a informação de que o próprio Dr. Gomes teria se comprometido a abrir procedimento na Corregedoria da ALE para comprovar sua inocência, no entanto, até a tarde de ontem (17), nenhum pedido formal havia sido realizado, conforme o presidente da comissão, deputado Vicente Lopes (PMDB).

Questionado se a Comissão de Ética deve agir nesse caso, o parlamentar minimizou as provas apresentadas contra o político. “Eu honestamente não vejo dessa maneira como está sendo noticiado, como um caso para se apurar na comissão de ética. Nenhum médico convida seu paciente para ser atendido no meio da rua. Não conheço o teor e  detalhes da denúncia, mas você dizer que o atendimento refere-se a uma compra de votos, é pouco palpável”, declarou.

A reportagem tentou contato com o deputado Dr. Gomes, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.

Deputados preferem não opinar

Enquanto a PRE/AM cobra da ALE esclarecimentos sobre a denúncia contra o deputado, os parlamentares da Assembleia preferem não opinar sobre o caso.

 “Existe comissão específica pra isso e eu creio que deve estar tratando. Eu não sou da Mesa Diretora e não faço parte dessa comissão”, declarou o deputado Sinésio Campos (PT).

A resposta é similar a do deputado Platiny Soares (DEM). “Se eu não me engano isso é de competência da Comissão de Ética. Não tenho acesso ao tipo de processo que foi gerado referente a isso e fica difícil fazer um juízo de valor”, disse ele.

“Acho que essa pergunta deve ser feita à presidência da Casa. O Ministério Público se dirige a presidência da Casa e formaliza a representação, mas cada um assume a responsabilidade. O que eu não quero é fazer um pré-julgamento”, declarou o deputado Serafim Corrêa (PSB).

Os deputados Bi Garcia (PSDB) e Bosco Saraiva (PSDB) não quiseram comentar sobre o caso.

Uso indevido do espaço público

Em um vídeo eito pela reportagem no dia 17 de março, o deputado Dr. Gomes realiza uma consulta com um paciente no seu gabinete. Conforme A Crítica apurou, o parlamentar reservava dois dias de sua agenda para a realização dos atendimentos, que chegavam em média a 14 pacientes.

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