Publicidade
Cotidiano
Notícias

PRE requisita investigação do irmão de José Melo em suposto caso de compra de votos no AM

Matéria exibida pelo programa Fantástico, Rede Globo, mostrou recibo com o nome de Evandro Melo, apreendido pela PF. Informações contra o governador José Melo foram enviadas à Procuradoria-Geral da República 12/03/2015 às 11:46
Show 1
Documentos apreendidos pela Polícia Federal ligam Evandro Melo ao suposto esquema de compra de votos
Lúcio Pinheiro Manaus (AM)

A Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) requisitou, na terça-feira, a instauração de inquérito policial para apurar suposto envolvimento de Evandro Melo, irmão do governador José Melo (Pros), em caso de compra de votos nas eleições de 2014.

Matéria exibida pelo programa Fantástico (Rede Globo), no domingo, mostrou recibo com o nome de Evandro Melo, apreendido pela Polícia Federal, em outubro do ano passado em um comitê de campanha. No documento, estava registrado o repasse de R$ 5,3 mil para uma comissão de formatura de universitários.

Segundo a reportagem, em troca dos R$ 5,3 mil, os estudantes de odontologia prometeram votar em José Melo. Evandro Melo foi o coordenador da campanha do irmão, no ano passado. Também em 2014, ele coordenou as ações do Estado relacionadas à Copa do Mundo em Manaus.

A PRE/AM informou, ainda, que remeteu cópia do processo à Procuradoria-Geral da República para análise das informações com referências a José Melo. Isso porque o político possui foro especial por prerrogativa de função por ser governador.

Na nota, a PRE/AM justifica que não apurou e ajuizou ação cível eleitoral contra Evandro Melo e o governador porque não teve acesso às provas contra os mesmo a tempo.

“A PRE/AM esclarece que não teve acesso, a tempo de apurar e ajuizar eventual ação cível eleitoral no prazo previsto em lei, às provas colhidas ao longo da investigação criminal referente à prisão de três pessoas em Manaus, no dia 24 de outubro de 2014, por compra de votos”.

As pessoas presas no dia 24 de outubro em prédio usado pela coligação de José Melo durante a campanha foram Nair Blair, Karine Cristina da Costa Brito e Moisés Barros.

Segundo a PRE/AM, o único documento ao qual teve acesso foi o comunicado de prisão em flagrante e soltura mediante fiança dos três envolvidos, “impossibilitando a propositura de eventual ação cível eleitoral”.

De acordo com a nota, agora, a PRE/AM teve acesso a todas as provas apreendidas por policiais federais em outubro do ano passado no comitê de campanha de José Melo.

Além das providências com relação ao envolvimento de Evandro e José Melo, a PRE/AM informou que apura o que ocorreu em relação à remessa dos documentos e provas do caso que só agora chegaram ao órgão.

“Agora de posse de todo o material, a PRE/AM adotou medidas para averiguar o que ocorreu em relação à remessa dos documentos e provas do caso e para dar seguimento, no âmbito criminal, ao trabalho do Ministério Público Eleitoral”.

Investigação sobre transporte

A Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) informou, na nota, que vai investigar também a prática de crime de transporte ilegal de eleitores. O assunto também foi alvo da denúncia veiculada pela matéria do Fantástico.

Segundo a reportagem, por telefone, Augusto Terço, que foi candidato a prefeito de São Sebastião do Uatumã, no interior do Amazonas, confirmou que recebeu pelo transporte de mais de 40 pessoas para votar na capital.

Sem ser informado que falava com um produtor de TV, Augusto diz ter recebido R$ 20 mil pelo serviço contratado por Evandro Melo. Procurado pessoalmente pela equipe de TV, o político negou.

Faltavam provas em novembro

Um dia depois da matéria do Fantástico, a PRE/AM informou, também em nota, que, em relação à denúncia feita pelo programa, adotou, ainda em novembro de 2014, as medidas penais cabíveis contra Nair Blair, Karine Cristina da Costa Brito e Moisés Barros.

Segundo a PRE/AM, no referido episódio, não foi encontrado “provas contundentes” para pedir a cassação de registro de candidatura ou mandato do governador José Melo (Pros).

“Não haviam sido detectados elementos de prova mais aprofundados e contundentes o suficiente para embasar, com a responsabilidade que pauta as atuações do Ministério Público Eleitoral, a propositura de ação que pudesse ensejar a cassação de registro de candidatura ou mandato de qualquer candidato supostamente beneficiado pela prática ilícita denunciada criminalmente”, informa a nota.

Publicidade
Publicidade