Volta às aulas

Preço de material escolar pode subir até 30% em relação ao ano passado

Economia pode ser feita em reaproveitamento de materiais utilizados no ano anterior ou por opções de marcas mais baratas

Karol Rocha
28/01/2022 às 11:16.
Atualizado em 08/03/2022 às 15:50

(Foto: Arlesson Sicsú)

A volta ás aulas está chegando e com ela, também a corrida dos pais para a compra dos materiais escolares das crianças. Para este ano, a tendência, segundo economistas, é de que os preços dos materiais escolares acompanhe o cenário de inflação e de alta do dólar, o que obriga os pais a reavaliarem a compra dos itens escolares.

O fotógrafo Alailson dos Santos tem uma filha de sete anos. Segundo ele, o maior desafio, nesse período, é encontrar itens a bons preços. Nesse ano letivo, por exemplo, a família optará por reaproveitar materiais como mochila, estojo e lancheira.

“O mais pesado são os livros, sem dúvida. Quando a mãe disse pra ela: ‘filha, você vai usar a mesma mochila, ok?’. A resposta foi: "tá bom, pelo menos não fica gastando dinheiro à toa”. Então, ela entendeu que a ideia é economizar e utilizar o que se pode aproveitar do ano passado”, explicou.

A economista Denise Kassama elencou que os itens básicos para a compra nesse período são artigos de papelaria, composto de cadernos, lápis, canetas, lápis coloridos, livros escolares e uniforme. Ela explica que geralmente as maiores diferenças de preços estão nos artigos de papelaria.

“Estima-se que a alta de preços dos materiais escolares possa chegar a 30% em relação a 2021, alavancados principalmente pela inflação e pela alta do dólar. Além disso, existe uma variação de preços entre os estabelecimentos que pode chegar a 300%. Por exemplo, qualquer item com personagens de Disney ou Marvel será mais caro do que o mesmo item sem tais personalização”, comenta.

De acordo com ela, escolher os materiais escolares em sites como OLX ou marketplace do Facebook, por exemplo, pode ajudar, no entanto, é necessário ficar atento aos golpes. “É importante checar as referencias do vendedor, pois sempre há caso de golpes”.

Ela faz inúmeras recomendações, entre elas, para que os pais verifiquem da lista de materiais o que já tem em casa e o que pode ser reutilizado. Além disso, ela recomenda pesquisar bastante antes de comprar; evitar produtos de marcas que possam custar mais caro; se juntar a outros pais na hora de adquirir itens por que as compras no atacado saem mais baratos; buscar livros usados e pedir descontos nas lojas.

“Estamos passando por difícil processo de recuperação econômica. Janeiro normalmente sofre uma pressão inflacionária por conta do aumento da demanda. Infelizmente, em função do calendário acadêmico, não é possível postergar a compra do material escolar por muito tempo. Vale o diálogo com as escolas para buscar uma forma mais suave de envio do material, conforme a necessidade da instituição, por exemplo. Afinal, está difícil para todo mundo!”.

Expectativa de Crescimento

De acordo com o proprietário das lojas Queiroz, Anderson Queiroz, as vendas cresceram 50% em relação ao ano passado, com tudo, o crescimento ainda é abaixo de 2020.

“A gente percebe que o comportamento do consumidor vem mudando, os pais reaproveitando muitos materiais, as listas das escolas mudaram substancialmente por conta do modelo hibrido. Nós percebemos o mercado morno, acreditamos que ainda haverá o repiquete do volta as aulas em fevereiro”, acrescenta.

Ainda segundo ele, a loja de materiais escolares tem apostado em promoções e comodidade ao cliente. “A gente tem apostado em mix de produto, promoções, em conveniência oferecendo para os pais os mais diversos canais para que ele faça a lista de compras do filhos quer seja na loja física, e-commerce, televendas ou whatsapp”.

Atenção na Hora da Compra

A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC/ALEAM) também orienta a população a ficar atento aos preços dos materiais escolares, fazer comparações entre estabelecimentos e qualquer irregularidade pode ser denunciada para a Comissão, que as devidas providências serão tomadas. As dúvidas, reclamações e denúncias podem ser feitas pelo WhatsApp da comissão, por meio, do número: (92) 99440-2019.

Confira algumas dicas para o consumidor:

- Não pode haver exigência de marca nem de indicação de local para a aquisição de material escolar;

- A escolha é do consumidor. Fica a critério dos pais efetuarem a escolha dos produtos e o local onde desejam realizar as compras;

- Material de uso coletivo não pode ser exigido ao consumidor (materiais de escritório, de higiene ou limpeza, por exemplo), nem mesmo taxas para despesas com água, luz e telefone, uma vez que os custos correspondentes já devem estar considerados no valor da anuidade ou semestralidade escolar, segundo a lei 12.886/13;

- O consumidor deve realizar uma pesquisa de preços nos estabelecimentos, para a comparação dos valores, tais como: papelarias, depósitos, lojas virtuais, lojas de departamento, entre outros;

- Verificar quais dos produtos da lista de material já possui em casa e se estão em condição de uso, evitando assim, compras desnecessárias;

- Considerar a troca de livros entre alunos;

- Ponderar compras coletivas, já que alguns estabelecimentos concedem descontos para compras em grandes quantidades;

- Tomar o devido cuidado quanto ao selo do Inmetro nos materiais;

O Inmetro publicou a portaria 481/2010, com requisitos mínimos de segurança para a fabricação, importação e comercialização de artigos escolares. Alguns itens como lápis, borracha, apontador, compasso, régua, lápis de cor, de cera, cola, caneta, tinta guache, tesoura entre outros, só podem ser comercializados se apresentarem o selo do Inmetro.

- Todo produto deve apresentar informações adequadas, claras, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, prazo de validade e preço, bem como os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores;

- Nas compras pela internet, o consumidor deve estar atento ao site acessado, verificando se é confiável e conferir o custo do frete, que pode encarecer a compra;

- Caso faça as compras fora do estabelecimento comercial, como pela internet ou por telefone, o consumidor tem o prazo de 7 dias para se arrepender, contados a partir do recebimento do produto ou da data de assinatura do contrato;

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