Publicidade
Cotidiano
Notícias

Prefeito Alexandre Carbrás: "Parintins é uma cidade que não aceita traidores"

Eleito 14 anos após a cassação de seu pai, Carlinhos da Carbrás, o novo prefeito de Parintins fala do desafio que será resgatar o nome da família, comenta a aliança de PSD e PMDB na cidade e também revela: cansou de ser solteiro 17/02/2013 às 15:59
Show 1
Prefeito diz que lidar com o povo é dar tratamento digno às pessoas
Neuton Correa Manaus (AM)

Prefeito do segundo maior colégio eleitoral do interior do Amazonas, o empresário Carlos Alexandre Ferreira Silva chegou ao comando da administração de Parintins não apenas vencendo um forte adversário, mas, principalmente, a desconfiança da população local com a desastrosa administração de seu pai, Carlinhos da Carbrás, cassado em 1998 sob suspeita de corrupção.

Nesta entrevista, Alexandre da Carbrás, como é conhecido, mostra a influência do pai, falecido em plena campanha, e reconhece o governador Omar Aziz (PSD) como seu líder político. Aos 37 anos de idade, Alexandre é um prefeito sem primeira-dama, mas diz que Deus encontrará uma companhia para ele.

 

Em duas eleições locais, o poder da máquina do Estado tentou, mas não conseguiu, derrotar o então prefeito Bi Garcia. Você, ano passado, venceu o candidato do ex-prefeito. Fale de sua eleição.

 

Minha eleição foi complicada. Na véspera da data que eu havia programado para iniciar a campanha, um dia antes de viajar a Parintins, meu pai sofreu um AVC dentro de casa (Manaus). Graças a Deus, eu estava lá aquela noite. Foi a eleição mais difícil da minha vida.

 

Quantas eleições o senhor disputou?

 

Para prefeito, três. Mais uma para vereador e outra para deputado federal. E a última foi muito difícil porque iniciei com meu pai na UTI, com AVC, com vários complicadores. Meu corpo estava em Parintins, mas minha cabeça e minha alma estavam no leito 95 da UTI do 28 de Agosto, em Manaus. Foi um pesadelo, que culminou com a morte dele uma semana antes da eleição, que caiu na data do meu aniversário. Foi uma perda muito grande para mim e até hoje existem consequências, porque não tive tempo de luto. Como estava em campanha, enterrei meu pai num dia e no outro tive que voltar para Parintins, até por pressão dos políticos que estavam, aqui precisando de mim.

 

Em Manaus, a informação que se tinha era de que a morte de seu pai acabou criando um clima de comoção que lhe favoreceu. O sr. percebeu isso como candidato?

 

Não tive tempo para avaliar isso. Mas, o povo de Parintins, assim como o povo brasileiro, é solidário. Não sei se isso foi decisivo... Para mim, hoje, me cobro muito mais porque meu pai, de alguma forma, me deu a vitória. Então, me cobro muito mais, trabalho dobrado.

 

Seu pai, o ex-prefeito Carlinho da Carbrás, foi cassado pela câmara na década de 90. Ano passado, seus adversários usaram este fato na campanha, sugerindo que o sr. seria um candidato movido pelo sentimento da vingança.

 

O sentimento de vingança nunca existiu. Quando não têm o que falar, nossos opositores inventam. Por exemplo, agora, estamos no Carnaval. Uma das coisas que muito bateram na campanha era que eu, como evangélico, iria acabar com essa festa. Você hoje está aqui, vendo a estrutura que montamos para o Carnailha. A população está abrigada da chuva e do sereno. Tudo isso é uma mostra da grande mentira que inventaram. Aos poucos, vou calando a boca de cada um. Nada como um dia atrás do outro.

 

Que memória o sr. tem de 1998, quando o seu pai foi cassado pela câmara? Aliás, você também foi cassado.

 

Não são boas. Existe um “carma” contra minha administração. Dizem: ah, ele vai fazer como o pai! Mas o meu pai foi cassado por questão política e não administrativa. Eu, como homem, como empresário, quero puxar 1000% ao meu pai, porque sei que ele era um homem trabalhador, uma pessoa que fazia as coisas acontecerem. Como empresário todo mundo bate palma para ele. Como político, ele tentou tratar a coisa pública como privada. E não é assim. Precisamos entender que, numa democracia, os políticos devem dar satisfação à população e aos poderes. Estou aqui para passar uma borracha no passado e reescrever um movo capítulo dos Carbrás.

 

O sr. fez algo novo na política de Parintins, que foi compor com tradicionais forças locais. Isso marca uma ruptura entre você e o seu pai, que chegou a impedir a entrada do então governador Amazonino Mendes em sua campanha em 1996.

 

Falo pelos meus atos. Se a gente pode agregar, não há porque dispersar. Tenho que ter humildade de admitir que sozinho não vou fazer muito coisa. Preciso da ajuda de pessoas experientes.

 

O objetivo do político sempre é o poder, o sr. não tem receio que essas forças se rebelem contra sua liderança?

 

Há uma situação de causa e consequência. O importante é que estou fazendo a minha parte. Estou tranquilo, estou abrindo as portas, abrindo meu coração. Algo que eu acho interessante em Parintins é que a cidade não aceita traidor. Parintins está ciente de tudo o que está acontecendo. Se alguém se rebelar, as consequências virão através do povo.

 

O sr. tem um slogan que diz "o povo em primeiro lugar". Como você pratica isso?

Lidar com o povo é dar tratamento digno às pessoas. Para se ter ideia, o dia, para mim, começa às 6h, às vezes, até as 5h. Eu gosto de pegar de surpresa os postos de saúde, o hospital e os garis. Quando dá 5h, vou para secretaria de obras, vou para os postos de saúde, vejo se tem fila, vejo se tem médico, se tem remédio.

 

O senhor, do PSD, do governador Omar Aziz, fez aliança com o PMDB, do senador Eduardo Braga. O que o sr. acha do senador?

 

O Eduardo Braga é uma força política não somente no Estado, mas também no País. Não é à toa que ele é líder do Governo Federal. Ser líder de um governo como o da presidente Dilma não é pouca coisa. Estive em Brasília e vi a estrutura que envolve o senador. Braga é grande nome, um grande político. Mas quero lembrar que meu líder político é o governador Omar Aziz, presidente regional do PSD, vice-presidente nacional do PSD, meu amigo, meu irmão, a quem devo fidelidade esteja no poder ou não.

 

No Amazonas, é visível as disputas entre PSD e PMDB. Nesse cabo de guerra, para que lado você puxa a corda?

 

Como acabei de dizer, sou Omar. Negociações partidárias e política passam pelo governador. Minha relação com o senador é a melhor possível. A minha relação com o meu vice, Carmona Oliveira, que é do PMDB, é a melhor possível. A gente está muito afinado. A gente sabe que tudo isso, essas coisas que acontecem, que saem na mídia, são coisas que no seu devido momento vão se arranjar, porque eu não vejo hoje o PSD e o PMDB separados.

 

Nem em Parintins?

 

Muito menos.

 

Transparência se tornou um imperativo para os novos gestores públicos. Como o sr. está cuidando desse assunto? O cidadão de Parintins terá acesso a acesso a contratos, salário do prefeito?

 

A publicidade tem que ser feita nos moldes do Governo Federal, tudo através de site, acessível a qualquer cidadão. O problema é que, em Parintins, não tivemos transição. Para se ter ideia, até agora ainda estamos no escuro no que diz respeito às finanças do município, não sabemos de convênio, estamos pegando informação de empreiteiros... Assim que tivermos essas informações, vamos colocar no site da prefeitura.

 

E a Lei de Acesso à Informação, como o senhor pretende tratar em sua administração?

 

Sou extremamente acessível. As pessoas, quando têm uma denúncia e querem conversar comigo, entram nas redes sociais, têm meu telefone, falam o que está errado. Eu não mando recado, eu vou atrás.

 

Mas a lei estabelece procedimentos, o senhor vai obedecer ao que diz a lei?

 

Estamos nos adequando.

 

Há um impasse sobre a transmissão do Festival folclórico de Parintins e a prefeitura é uma organizadores da festa. Qual sua opinião sobre esse imbróglio?

 

Infelizmente, o Município de Parintins nunca foi ouvido nesse tipo de negociação e não é momento de mexer nisso agora. Temos coisas mais emergenciais. Mas o que vejo é que está havendo um pouco mais de sensibilidade com o patrimônio público de Parintins. O festival é um patrimônio dos parintinenses, do povo, e não de pessoas. É claro que cada agremiação vai lutar para o que é melhor para si, mas é importante lembrar que festival de Parintins pode ser o grande prejudicado desse conflito. A gente torce que seja resolvido da melhor forma possível. No momento que a prefeitura for chamada, se for chamada para a mesa de negociação, estaremos preparados para dirimir, inclusive, até ajudando.

 

Quem é o Alexandre da Carbrás?

 

Empreendedor e ousado.

 

O que o sr. mais gosta de fazer?

 

Sempre gostei de caminhar, mas, desde o falecimento do meu pai, confesso que as coisas estão difíceis para mim e tenho dado um tempo, só tenho me dedicado ao trabalho.

 

O sr. gosta de leitura, cinema?

 

Como sou formado em Direito, gosto muito de ler.

 

Sua religiosidade.

 

Sou evangélico, mas nada tem a ver com o exercício da função de prefeito.

 

Evangélico praticante?

 

Praticante. Sou da igreja Batista.

 

Por que o prefeito de uma das cidades mais importantes do Estado do Amazonas, aos 37 anos de idade, ainda não tem uma companheira?

 

Por opção. Passei todos esses anos para chegar até aqui e mostrar trabalho. Mas, sem dúvida nenhuma, tenho certeza que Deus já está trabalhando uma pessoa. E na hora que ela aparecer não tenho nenhum problema em casar. Até porque, sinto falta disso.

 

Então, o prefeito de Parintins está à procura da primeira-dama?

 

Não, não é assim. Esse tipo de companheira você não procura. Esse tipo de companheira Deus coloca no momento certo.



Publicidade
Publicidade