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Prefeito de Iranduba dormiu na mesma cela que Adail Pinheiro e o canoeiro Josias Oliveira

Xinaik Medeiros e mais três assessores foram presos ontem (10), quando foi deflagrada a Operação Cauxi, que investiga corrupção na prefeitura do município 10/11/2015 às 21:14
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Prefeitura foi alvo de buscas e apreensões ontem
Joana Queiroz Manaus (AM)

O prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB), dormiu ontem (10) em uma das celas do Comando do Batalhão Especial (CPE), no conjunto D. Pedro II, Zona Oeste, onde dividiu o espaço com o ex-prefeito de Coari Adail Pinheiro e o canoeiro Josias Oliveira (que jogou o próprio filho no rio), e vai ser vizinho dos traficantes Ronairon Moreira Negreiros e Fábio Diego Mattos Oliveira, o “Piu Piu”. 

“Nós só temos duas celas que seriam para abrigar dois em cada cela, mas vamos ter que dar um jeitinho para abrigar três”, disse o comandante do CPE, Cleitman Coelho.

O prefeito se entregou na sede do MP-AM. Foto: Sérgio Fonseca

Xinaik foi preso preventivamente, na manhã de ontem, durante a realização da operação Cauxi. Ele é suspeito de cometer uma série de crimes de corrupção que causaram prejuízos de mais de R$ 56 milhões e deixou o município com serviços essenciais funcionando de forma precária, com obras inacabadas, postos de saúde sem medicação, ruas tomadas pelo lixo e escolas sucateadas. A população de Iranduba comemorou a prisão do prefeito com fogos de artifício.

Foto: Winnetou Almeida

Além do prefeito, foi preso preventivamente o Secretário de Finanças do município, David Queiroz.  Já o presidente da comissão permanente de licitação, Edu Correa, a tesoureira do fundo municipal de saúde, Nádia Medeiros (irmã do prefeito), e o secretário de Infraestrutura, André Lima, foram presos temporariamente por cinco dias. Além deles, 15 pessoas foram conduzidas coercitivamente e foi dado cumprimento a dez mandados de busca e apreensão.

O promotor Lauro Tavares, do Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas (Gaeco), que acompanhou o cumprimento dos mandados de prisões em Iranduba, disse que as investigações tiveram início há mais de seis meses nos setores do transporte escolar, coleta de lixo, obras, serviços, locação e alimentação. No setor de transportes as investigações mostraram que as empresas, para prestarem serviço à prefeitura, antes tinham que pagar propina aos administrados municipais presos ontem.

De acordo com o promotor, a coleta de lixo no município era um escândalo. Foram identificadas empresas que recebiam pela coleta de lixo, mas que não possuem nenhum carro coletor, outros que deveriam ter dez e tem no máximo dois caminhões. Na questão de obras foram encontrados muitos contratos superfaturados. “Pelo que já apuramos até agora, as licitações eram previamente acertadas dentro das salas da Comissão Permanente”, disse o promotor Lauro Tavares.

Propinas

Durante as investigações, foi descoberta ainda uma funerária que tem um contrato milionário com a prefeitura para fornecer caixões para pessoas que não tinham como comprar um. Essa funerária nunca entregou um caixão, embora já tenha recebido uma grande quantidade de dinheiro. O contrato estimava gastos de até  R$ 4 milhões.

O promotor Lauro Tavares informou ainda que foram apreendidas uma grande quantidade de carimbos de empresas que participavam do esquema de corrupção. Na casa do Secretário de Finanças, David Queiroz,  e na secretaria onde ele trabalhava. Foram encontrados ainda uma grande quantidade de contratos de locação de ônibus, barcos, automóveis e imóveis que  só existiam no papel e que na verdade os serviços não eram prestados.

O promotor informou ainda que as investigações mostraram que as licitações eram todas direcionadas para as empresas. Essas, todo mês, dependendo da obra, obrigatoriamente o empresário pagava uma determinada porcentagem em cima do valor orçado aos suspeitos, chamados de “mensalinhos” ou “dízimos”. Muitas vezes os próprios secretários eram os verdadeiros donos dessas empresas e para não aparecer seus nomes, eles contratavam um laranja.

Blog: Fábio Monteiro

Procurador-geral de Justiça

"A operação de  hoje (10) é o princípio de um trabalho que o Ministério Público Estadual, com a Controladoria Geral da União (CGU) e a Secretaria de Segurança Pública (SSP),  realizou e que vai se estender por outros municípios. O objetivo nosso com essa operação é reprimir as ações de administradores corruptos.  Queremos deixar claro para os maus gestores que a lei é implacável. É inaceitável, é inadmissível que um município não tenha medicamentos  básicos,  como dipirona, não ter fornecido merenda escolar para crianças  na fase escolar, com desvios de mais de R$ 50 milhões de recurso público. Queremos deixar muito claro que aquele que estiver praticando má conduta  será responsabilizado".

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