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Cotidiano
Reeleição em 2016?

Prefeitos do Amazonas terão dificuldades para se reeleger devido à crise econômica

O presidente da Associação Amazonense de Municípios afirmou que a população pode creditar na conta dos prefeitos as mazelas oriundas da crise econômica que assola o País 13/06/2016 às 20:35 - Atualizado em 14/06/2016 às 09:01
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(Foto: Antônio Menezes/A Crítica)
Aristide Furtado Manaus

O novo presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), João Campelo, afirmou nesta segunda-feira (12) que os atuais prefeitos terão dificuldade para se reelegerem por conta da crise econômica que assola o País.

“Comparando com a época do crescimento econômico, de 2000 a 2008, a reeleição era mais favorável, tinha condições de fazer uma gestão mais positiva. Hoje a dificuldade de atender as demandas da população é muito grande”, afirmou o prefeito que não disputará o pleito por ter sido reeleito em 2012.

No cargo desde sexta-feira, quando o ex-titular do posto o prefeito de Boca do Acre (a 1.038 quilômetros de Manaus) Iran Lima se afastou da associação para disputar a reeleição no município, João Campelo, que é prefeito de Itamarati  (a 980 quilômetros da capital), avalia que o eleitorado do interior pode creditar na conta dos atuais dirigentes municipais a queda da receita e as mazelas decorrentes dela.

“A dificuldade de reeleição é maior por conta da crise. A cobrança é muito grande. No interior, somos o governo municipal, estadual e federal. Se alguma coisa não funciona bem em algum órgão federal  na cabeça da população o culpado é o prefeito, assim  como nos órgãos estaduais”, disse.

O quadro se agrava, segundo ele, quando a baixa na arrecadação é turbinada pelo aumento de preços, o que corroí ainda mais as finanças municipais e compromete a prestação de serviços básicos à população. “A inflação esta engolindo a gente. O custo de hoje é superior ao de  dois anos atrás principalmente nos municípios distantes como os das  calhas do Purus, Juruá. Aqui em Itamarati, por exemplo, o litro da gasolina custa R$ 5,5 litro. O cimento é R$  45. A  passagem de avião para Manaus é R$ 1,2 mil. O dinheiro que já é difícil para quem está nos arredores de Manaus imagina nos municípios como o meu que ficam a 800 quilômetros em linha reta da  Manaus”, explicou.

De acordo com o presidente da AAM, a redução dos recursos financeiros começa a causar problemas na prestação de serviços de saúde e educação nos municípios. “Os prefeitos estão tendo dificuldade de fechar o balanço geral e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. A receita caiu mais o salário mínimo foi reajustado. Estamos com dificuldade de fazer saúde eficaz. E já começa a atrapalhar a área de educação”, alertou Campelo.

Momento é de cautela

João Campelo avaliou como positiva a principal mudança no processo eleitoral deste ano, que é a proibição do financiamento empresarial de campanha. “Acho que todos os políticos têm que se adequar a realidade. Vejo com muita clareza. A coisa tem que ser dessa forma para que a gente, quando chegar ao poder, chegue por mérito, por projetos. A população escolhendo de fato o seu governante não pelo seu volume de campanha, mas por conhecer as suas propostas”, disse.

Segundo ele, a prática do caixa dois deve ser combatido e será visível aos órgãos de  fiscalização quem extrapolar a previsão de gastos de campanha informados à Justiça Eleitoral.  Acho que a fiscalização da Justiça eleitoral é importante para evitar esses excessos. O que mais se vê no Pais são políticos sendo eleitos e sofrendo na Justiça para manter o seu mandato. O momento é de cautela e responsabilidade para não cometer erros no processo eleitoral”, afirmou Campelo.

Além do veto ao financiamento de empresas às candidaturas, medida imposta por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçada pela minirreforma eleitoral sancionada no ano passado pela presidente Dilma Rousseff (PT), a campanha deste ano também foi reduzida de 90 para 45 dias.

Prefeitos encrencados

Dos 44 prefeitos do Amazonas que podem disputar a reeleição este ano, por estarem no primeiro mandato – sete podem ter os registros de candidatura contestados pelo Ministério Público por fazerem parte das listas de inelegíveis do TCE e TCU.

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