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‘Prefeitura é o que pedem’, diz deputado estadual Marcelo Ramos em entrevista

O deputado fala quais os planos para o futuro e conta que a eleição de 2016 está nos planos dele como uma espécie de 'imposição' das pessoas com quem tem dialogado 05/01/2015 às 09:49
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Marcelo Ramos fala sobre o futuro na política em entrevista
Raphael lobato Manaus (AM)

Tendo deixado a campanha pelo governo diretamente cotado para a disputa pela prefeitura em 2016, Marcelo Ramos (PSB) terá pela frente a missão de se manter no protagonismo político mesmo sem mandato eletivo. O socialista que atraiu 180 mil votos com um inflado discurso baseado em “renovação” diz que agora quer recrutar um exército de fiscais das contas do Executivo. Em entrevista ao A CRÍTICA, o deputado faz afagos na relação com o prefeito Arthur Neto (PSDB), mas diz que “o povo não pede” uma candidatura a vice. Ele repete categoricamente a sua pretensão por se tornar prefeiturável e até elege o ponto mais fraco do possível futuro adversário: Mobilidade Urbana, que, segundo ele, será o tema da próxima campanha.

Deputado, o senhor tem dito que em 2015, quando ficará sem mandato, irá se dedicar a um instituto de contas. Como isso vai funcionar? Quais são os outros planos?

Eu vou criar um instituto de contas publicas, no estilo do Contas Abertas. Nós vamos monitorar os gastos do governo e da prefeitura. Isso é um projeto que envolve outras pessoas, profissionais liberais, economistas, professores da universidade, gente que vai participar do instituto junto comigo. Nós vamos criar um ambiente de formação do que eu chamo de ‘agentes voluntários de contas’, ou seja, serão cidadãos que estarão preparados para fiscalizar a execução orçamentária do poder público. Também tenho outros planos, como escrever um livro sobre corrida, um livro de poesias e eu tenho uma encomenda da Valer de escrever um ensaio sobre política para 2015.

O senhor deixa a ALE-AM após quase metade dos parlamentares terem ensaiado fazer oposição ao governo na casa. Como o senhor viu esse movimento e como acha que se comportará o Parlamento neste ano?

Em primeiro lugar é preciso dizer que ninguém que acompanha política poderia levar a sério aquela falsa rebelião que se inventou dentro da Assembleia. Aqueles deputados não têm vocação para fazer oposição. Afinal, eles votaram a favor em tudo do governo durante quase quatro anos. Aquilo não foi sério e não vai se consolidar. São deputados que têm, em regra, uma relação fisiológica com os eleitores. Sem governo, não sobrevivem. Eu penso que a oposição deve continuar resumida aos deputados José Ricardo e Luiz Castro.

Mas e quanto a Casa em 2015, o senhor acha que haverá mudanças?

Eu sou daqueles que pensam que fiscalizar o executivo não é uma atitude, nem de oposição, nem de situação, é um dever parlamentar. Um deputado, por exemplo, como o Serafim Corrêa, fará parte da base do governador, mas eu não tenho dúvida de que será um parlamentar diligente, que vai olhar as contas do Estado, que vai chamar atenção do governador em assuntos diversos. Agora, eu vejo que será uma Assembleia de muito enfrentamento. O governador tem dito que quer abrir o diálogo. Se ele tiver essa atitude, como tinha o governador Omar, já é uma boa lição.

Após a reeleição, o governador José Melo adiantou parte das medidas que irá implantar na área econômica e anunciou mudanças na segurança. Como o senhor tem avaliado essas medidas?

A troca na segurança publica é absolutamente positiva e louvável. Haverá uma troca da água para o vinho. O governador está tirando uma cúpula atrasada e comprometida com o que há de pior na segurança pública e trazendo um homem com visão moderna de polícia, que é o Sérgio Fontes. Os sinais de troca na PM e na Polícia Civil também são bons. Na questão administrativa, eu só tenho o que elogiar porque o governo está fazendo justamente o que eu defendia na campanha. A máquina do governo é paquidérmica, é enorme e ineficiente, com muitos cargos comissionados. Enfrentar isso, o que não é fácil, significa contrariar interesses. Mas também não é só sobrar dinheiro que resolve, é preciso reequilibrar as contas públicas, que vão fechar neste ano com déficit.

E o que o senhor acha que deve ser prioridade neste segundo mandato?

Falta ao governo um trato mais transparente das contas, falta abrir aquela caixa preta que é a Comissão Geral de Licitação (CGL), que causou muitos prejuízos ao Omar. Eu espero que o governador entre nisso. Existem coisas indispensáveis: enxugar a máquina, economizar nas compras públicas. Hoje o governo compra muito caro, como exemplos temos a alimentação da PM, mas poderia citar várias outras. O terceiro aspecto é ter metas claras. Quando se tem metas, o governo persegue objetivos. Eu quero ouvir, no dia da posse do governador, ele dizer em que lugar o Amazonas está hoje no IDEB e em que lugar vai estar daqui a quatro anos. Qual é o índice de desnutrição agora e qual será em quatro anos. Essas metas objetivas, claras, permitem o controle do governo sobre a atividade do secretário e da sociedade sobre a atividade do governo. Sem metas, como você avalia um secretário? O Amazonas saiu de 11º para 16º no IDEB e o secretário continua no governo. É uma conta que não fecha. Ele está lá pra quê? Qual é o objetivo? É pra melhorar a educação. Se não melhora, tem que sair.

O senhor apoiou Melo no segundo turno. Houve convite para fazer parte da administração?

Não. Eu tive uma conversa com ele, como todo mundo sabe. Falamos sobre a autonomia financeira da UEA, que ele se comprometeu a cumprir. É algo importante para o Estado e importante para a universidade, mas em momento nenhum discutimos a minha entrada no governo. Nem ele me convidou, nem eu quero também.

E a sua relação com o prefeito Arthur Neto? Esses recentes sinais de aproximação já antecipam cenários para 2016?

Na verdade, as pessoas confundem as coisas. Eu tenho uma amizade antiga com o prefeito Arthur. Nós tivemos uma conversa e depois fomos a um lugar público. Eu e ele. E disso começa uma série de especulações. Eu não tenho nenhuma tratativa com o prefeito em relação à composição para 2016. Quando eu ando na rua, as pessoas não pedem para que eu seja candidato a vice-prefeito. Elas me pedem para que eu seja candidato a prefeito. Agora, eu não vou é torcer para que o governo do prefeito dê errado. Mesmo os governos que eu mais fiz oposição, eu torci para que desse certo. Eu me prepararei para ser candidato a prefeito em 2016.

O senhor, então, descarta compor como vice de Arthur?

Na política, ninguém descarta e nem confirma nada. Agora, eu não posso tratar uma hipótese que não existe. Não há nada nesse sentido. Recentemente o PSB se indispôs com o prefeito na Câmara e o senhor foi contra a decisão do partido. A posição já é um reflexo dessa aproximação?A crítica que eu fiz e faço é que não dá para tomar uma decisão sobre a bancada sem ouvir o membro, sem reunir a executiva com todos os seus membros, sem cumprir as regras do estatuto do partido. Os partidos têm estatutos, eles têm regras. Você não pode tomar uma decisão sobre a mesa diretora da Câmara sem chamar para consulta um dos membros da bancada. É a única crítica que eu fiz. A opinião do vereador Elias Emanuel deveria ter sido levada em consideração.

A direção do partido e o senhor já tiveram diversos atritos. O senhor, inclusive, não descarta deixar a sigla para concorrer em 2016. O PSB seria contra a sua candidatura?

Eu não posso falar pelo PSB. Eu quero ser candidato pelo PSB, mas o partido tem que querer também. É óbvio que quem teve um candidato a governador que, com um minuto e quarenta de TV, que sem nenhuma estrutura material, alcançou quase 18% dos votos em Manaus, 174 mil, é natural que qualquer partido que tenha alguém com esse perfil queira ter candidato a prefeito em 2016.

No caso da sua saída, a Rede Sustentabilidade seria a primeira opção?

Eu farei todos os esforços para que a Rede se constitua como partido. Por toda a solidariedade e companheirismo que eu recebi da Marina (Silva) e dos amigos da Rede aqui no Amazonas. Mas eu não posso conjecturar em torno de um partido que ainda não existe e que a gente não sabe com qual tamanho vai sair. Então nós precisamos ter paciência e esperar.

E como o senhor avalia os dois primeiros anos da gestão de Arthur?

Eu penso que o prefeito enfrentou uma questão que o povo estava refém da administração passada, quando não existia prefeito. Ninguém via o prefeito. Nessa administração há uma presença física do prefeito e isso é importante, mas isso não é o suficiente para resolver os problemas da cidade. Eu não posso negar que no Centro da cidade o prefeito tem feito um trabalho de recuperação, mas esse trabalho ainda não chegou na periferia de Manaus. Eu tenho andado na periferia de Manaus e tenho visto muitos buracos, problemas até de recolhimento de lixo. É preciso que nesses próximos dois anos o prefeito avance nesse trabalho que hoje atende apenas a classe média, para atender a periferia. Espero que ele consiga. O que me incomoda muito é essa questão da mobilidade urbana. Transporte público e trânsito. Me incomoda porque nada foi feito, pouco foi feito. E o principal é que não é só que não há uma solução em implantação, é que não há plano. O BRT é um bom caminho, mas cadê esse projeto? O projeto que temos hoje é equivocado.

Mobilidade urbana será o principal assunto da campanha pela prefeitura?

Eu penso que sim, mobilidade deve ser o principal tema de 2016. É preciso apontar um caminho, uma solução. Eu não sou irresponsável, fui gestor do SMTU. Não posso dizer que problemas complexos têm soluções simples. Problemas complexos têm soluções complexas. Se você entrevistar qualquer pessoa hoje sobre qual é o principal problema da cidade de responsabilidade da prefeitura, vão dizer que é transporte coletivo. E o orçamento do SMTU é R$38 milhões. Como é que se revolve o maior problema com o menor orçamento? Não é dada a devida prioridade ao transporte público.

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