Janeiro roxo

Prefeitura vai realizar busca ativa de casos suspeitos para diagnóstico precoce de hanseníase

No ano passado, houve um aumento de 44,29% no número de casos em relação ao ano de 2020

Portal A Crítica
14/01/2022 às 10:32.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:03

(Foto: Reprodução)

A cerimônia oficial de abertura do “Janeiro Roxo”, campanha para a prevenção e controle da hanseníase, foi realizada na manhã desta quinta-feira, 13/1, na Unidade Básica de Saúde (UBS) José Figliuolo, no bairro Lago Azul, zona Norte, coordenada pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

O subsecretário de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, destacou que as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da hanseníase ocorrem durante todo o ano, mas que janeiro é um mês de reforço do trabalho.

“É um momento de orientar a população para a importância do diagnóstico precoce e os sintomas da doença. A hanseníase tem cura e o diagnóstico precoce evita sequelas. Então, a gente convoca as pessoas que possam apresentar sintomas, como manchas na pele, a procurar uma unidade de saúde, para que seja feito o exame e a definição do diagnóstico”, destacou Djalma Coelho.

Em 2021, o município de Manaus registrou cem casos novos de hanseníase (sete em menores de 15 anos), com aumento de 44,29% quando comparado aos registros de 2020.

Segundo a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase da Semsa, enfermeira Ingrid Simone Alves dos Santos, com o início da pandemia da Covid-19 em 2020, a população evitou procurar as UBSs para atendimento por causa do risco de transmissão da doença, o que resultou em um menor número de diagnósticos.

Busca ativa

“Já em 2021, a Semsa reforçou o trabalho de busca ativa e a capacitação dos profissionais, assim como intensificou a oferta de exame dermatológico. Com uma meta para a realização de 42.488 exames em 2021, a Semsa encerrou o ano com 57.350 exames”, afirmou Ingrid.

Do total de 57.350 exames em Manaus, as UBSs do Distrito de Saúde (Disa) Norte realizaram 23.123 exames, acima da meta anual de 12.035 procedimentos, o que teve impacto direto na detecção de casos, resultando no aumento de número de diagnósticos em residentes na zona Norte.

“Dos cem casos novos registrados no ano passado em Manaus, 41 foram diagnosticados em pessoas residentes na zona Norte, que recebem tratamento em unidades municipais e estaduais de saúde. Por isso, a abertura oficial do “Janeiro Roxo” foi realizada este ano em uma Unidade de Saúde da zona Norte. Esse aumento no número de diagnóstico é extremamente importante, já que a detecção dos casos permite o início do tratamento com medicamentos, quando o paciente deixa de transmitir a doença, quebrando a cadeia de transmissão da hanseníase e evitando novos casos”, explicou Ingrid Santos.

Além dos 41 casos novos diagnosticados em residentes da zona Norte, houve o registro de 22 casos na zona Leste; 21 casos novos na zona Oeste; 13 casos na zona Sul; e três casos na zona Rural.

“Mesmo com o maior registro de casos em residentes na zona Norte, todas as zonas de Manaus notificam pacientes com hanseníase, sendo que há a possibilidade de subnotificação, ou seja, casos não diagnosticados e sem tratamento”, alertou Ingrid Santos.

A técnica responsável pelo Programa de Controle da Hanseníase no Disa Norte, Jucirene Ferreira, explicou que foi realizado um intenso trabalho de orientação e treinamento dos profissionais nas UBSs na zona Norte com o objetivo de intensificar a notificação de casos suspeitos e a oferta de exames dermatológicos na rotina de atendimento.

“O Disa Norte executou várias visitas técnicas às UBSs para orientar, treinar, rever e alinhar o fluxo de atendimento junto aos trabalhadores, para que houvesse a oferta do exame dermatológico no atendimento de rotina. A partir disso, o número de exames realizados aumentou e, como havia subnotificação, as UBSs começaram a detectar um maior número de casos suspeitos e confirmar o diagnóstico. O objetivo agora é trabalhar cada vez mais para melhorar a qualidade da oferta do serviço à população”, informou Jucirene Ferreira.

Hanseníase em crianças

A cerimônia de abertura do “Janeiro Roxo” contou ainda com a presença do diretor-presidente da Fundação Alfredo da Matta, Ronaldo Derzy Amazonas, que alertou para o registro de hanseníase em menores de 15 anos no Amazonas.

“O Estado apresenta um número de detecção de casos em menores de 15 anos, que é cinco vezes maior que o preconizado. Hoje há um esforço conjunto do Estado, por meio da Fundação Alfredo da Matta, de Manaus e unidades municipais do interior, para o controle da doença. É executado o projeto Apeli para eliminação da hanseníase no Amazonas, com a realização de exame dermatológico em massa em todos os escolares menores de 15 anos. Assim, é possível chegar na família, descobrir o caso de hanseníase na criança, tratar e romper a cadeia de transmissão. Mas, é necessário que os pais fiquem atentos para autorizar a realização do exame dermatológico e, ao detectar qualquer mancha na pele da criança, procurar uma Unidade de Saúde para atendimento”, recomendou Ronaldo Amazonas.

Hanseníase

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo bacilo de Hansen (Mycobacterium leprae) e a transmissão ocorre quando uma pessoa doente, sem ter iniciado o tratamento, elimina o bacilo por meio de secreções nasais, tosses ou espirros. Os sintomas podem surgir entre dois e sete anos a partir da contaminação.

Na fase inicial da doença, os sintomas são caracterizados por lesões na pele, que causam diminuição ou ausência de sensibilidade ou lesões dormentes. Em estágios mais avançados pode apresentar edema de mãos e pés, febre, dor na articulação, ressecamento dos olhos, nódulos dolorosos, mal-estar geral, dor ou espessamento dos nervos periféricos, principalmente nos olhos, nas mãos e nos pés, e a diminuição ou perda de força nos músculos, inclusive nas pálpebras.

A transmissão requer um convívio muito próximo e por um tempo muito prolongado. Por esse motivo é fundamental acompanhar os contatos domiciliares do paciente com hanseníase, para um diagnóstico precoce.

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