Publicidade
Cotidiano
Notícias

Prejuízos com a cheia deste ano devem chegar a R$ 200 milhões

Segundo Secretaria de Produção Rural (Sepror), produtores afetados pela cheia receberão estímulos como juros mais baixos, cinco municípios estão em situação de emergência 21/02/2015 às 17:38
Show 1
Em 2014, houve cheia recorde do rio Madeira
Lívia Anselmo Manaus (AM)

Mais um período de cheia no Amazonas significa mais um período de perdas para os produtores rurais. Sem tempo para reeguer as plantações de várzea que se perderam no ano passado, os municípios das cidades do interior começam a sentir os efeitos da subida dos rios ao passo que as conseqüências também chegam às feiras e aos bolsos dos amazonenses.

No ano passado, a Secretaria de Produção Rural (Sepror) contabilizou um prejuízo de R$ 200 milhões tanto na produção agrícola de subsistência quanto naquela que deveria ser comercializada, devido à subida da água nas calhas do Purus, Juruá, Madeira, Baixo e Médio Amazonas.  Uma média de 8 mil famílias produtoras foram atingidas.

O titular da pasta, Valdenor Cardoso, disse que ainda é cedo para falar dos prejuízos para este ano, mas sabe que o ritmo acelerado da subida da água já ameaça a agricultura. “Não podemos afirmar com precisão porque ainda é cedo, mas se seguir o ritmo do ano passado teremos um prejuízo semelhante ao do ano 2014”, ressaltou.

PREJUÍZO

No ano passado, um dos maiores prejuízos foi com a banana. O valor do prejuízo estimado é de R$ 84 milhões. Manicoré, principal produtora da fruta do Amazonas, ainda não retornou efetivamente ao mercado desde a cheia do Rio Madeira em 2014. “Toda a região do Madeira estava com produção de mil toneladas por mês. Tudo isso foi para debaixo d'água”.

Para o secretário, Manaus será uma das cidades mais impactadas pela cheia no Rio Madeira, seja no preço ou na escassez de produtos como banana, gerimum, melancia. “Nós teremos mecanismos de estimular a vinda de produtos de outras regiões e até outros Estados para garantir o abastecimento do mercado”.

A mandioca, matéria-prima para a produção da farinha, também está entre as maiores perdas do amazonense no ano passado. Foram mais de R$ 39,5 milhões perdidos, segundo a Sepror. “A farinha sempre é a mais afetada porque o produtor ainda mantém a tradição de plantar na várzea”.

Como medidas para dar suporte aos agricultores que estão ameaçados, Valdenor Cardoso, disse que a secretaria já tem 20 toneladas de sementes de juta de lama para a distribuição assim que a água começar a baixar. “É uma forma de manter a geração de renda enquanto as coisas se estabilizam”, ressaltou.

FEIRANTES SE PREPARAM

É nas feiras que as conseqüências da cheia começam a ser sentidas. Como ainda está no início, o cenário ainda não mudou totalmente, mas o feirante e o consumidor já começam a se preparar. Na Feira da Banana, desde o ano passado a banana deixou de ser oriunda de Manicoré. O feirante Francisco Gonzaga, 34, conta que tem trazido toda sua mercadoria do Pará, de Roraima e de Rondônia. “Aumentam os custos, mas o Rio Madeira subiu muito no ano passado e os produtores de Manicoré ainda não conseguiram produzir em quantidade suficiente para venda”, explica.

Segundo ele, em média, a banana pacovã chegava a R$ 18, o cacho. No entanto, devido ao transporte por balsa ou estrada, os fornecedores chegam a cobrar R$ 22. “Acaba que nós vendemos mais caro  para poder tirar o lucro, o do transporte e da mão de obra”.

A farinha também preocupa o comerciante José Carlos Santos, 57. Segundo ele, no ano passado, o quilo chegou a custar R$ 12. “Agora os produtores começam a vender mais caro e nós estamos vendendo por R$ 7. Mas sempre que chega no pico da cheia nós ficamos sem ganhar porque está caro para o cliente e para nós”.

Empresário, Samuel Queiroz, 52, disse que a alternativa na casa dele é economizar para investir na compra dos produtos. “A gente não pode  ficar sem comer fruta, essas coisas. O jeito é trazer mais dinheiro e aguentar até as coisas melhorarem. Já estou acostumado”, comenta.

APOIO

A Sepror garantiu que os produtores que forem afetados pela cheia receberão estímulos econômicos como juros baixos, apoio à comercialização e transporte para reduzir custos. Na última quinta-feira, a Defesa Civil do Amazonas informou que cinco municípios da Calha do Juruá estão em situação de emergência.

Publicidade
Publicidade