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Presidente da Federação dos Comerciários vai dar maior visibilidade à entidade no AM

O novo presidente da Federação, Elias Sereno de Souza concedeu entrevista e disse: ‘Tentaremos resgatar a dignidade do trabalhador’ 01/03/2013 às 10:00
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Elias Sereno, novo presidente da Federação dos Comerciários do Amazonas
Adan Garantizado Manaus

A Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado do Amazonas (Fetracom-AM) está sob nova direção desde o começo do mês. O técnico em contabilidade Elias Sereno de Souza, 54, assumiu a entidade prometendo “organizar a casa”.

Representando cerca de 500 mil trabalhadores do setor no Estado, a Federação quer se tornar uma voz mais ativa nas questões que envolvem os comerciários.

A nova diretoria também tenta superar os prejuízos deixados pelo duelo dos dois últimos grupos políticos que dirigiram a entidade. Elias Sereno acusa os ex-presidentes de terem desviado quase meio milhão de reais da Fetracom. O novo gestor recebeu a equipe de A CRITICA ontem, na sede da Federação e falou sobre as ações previstas para os quatro anos de mandato.

Quais são as prioridades que a Federação terá durante seu mandato?
Nós temos 62 municipios no Amazonas e somente Manaus possui um sindicato dos comerciários. A Federação então fica obrigada a dar assistencia onde não existe sindicatos, ou seja, todo o restante do Estado. Temos as funções de fazer contratos coletivos, fiscalizar alimentação, transporte, horários de trabalho, exigir o cumprimento da legislação, promover as convenções coletivas com a Fecomércio, que representa os comerciantes... Existem municípios que sequer sabem da nossa existência. E é exatamente nestes locais que o comerciante faz o que bem entende com o trabalhador. Isso agora vai acabar. Vamos fundar sindicatos no interior do Estado, promover visitas, criar o portal da Federação e estabelecer esses canais de comunicação. Assim, vamos resgatar a dignidade dos trabalhadores e fazer com que se sintam representados pela Federação.

Quantos trabalhadores estão inseridos no comércio formal do Estado atualmente?
Hoje temos mais de 500 mil trabalhadores no setor de comércio e serviços no Amazonas. São números que ultrapassam e muito os do Distrito Industrial, por exemplo. Somente na capital, são mais de 300 mil. É uma categoria imensa que está totalmente abandonada.

E o que a Federação vai tentar fazer de imediato para acabar com este “abandono”?
Além das fiscalizações nos comércios, vamos também trabalhar para melhorar a qualificação do comerciário. Temos órgãos como o Sesc que podem se tornar parceiros para cursos. E de imediato, nós pretendemos buscar junto aos comerciantes, as negociações para a convenção coletiva. A última convenção foi em 2007. São praticamente 6 anos sem reajustes.

Que avaliação o senhor faz da situação do comércio local?
Não temos dúvidas nenhuma em relação ao crescimento do comércio. Temos uma politica federal que incentiva o consumo interno e de recuperação do salário mínimo. Tudo isso transfere recursos que vão direto para o setor do comércio. Hoje ainda temos o fenômeno da Copa do Mundo. A cidade está um canteiro de obras e isso gera recursos. A crise no ano passado provocou alguma variação, mas não tenho dúvidas que isso não vai afetar em nada os resultados deste ano. Agora é necessário que o trabalhador seja beneficiado com este bom momento. O comerciário não tem participação nos lucros, não tem estabilidade, trabalha sem receber horas extras é sendo assediado moralmente. Isso precisa acabar.

A Fetracom foi por muitos anos alvo de uma disputa política...
Desde 2005 dois grupos aqui se revezavam no comando. Um era comandado pelo Aluísio Ribeiro Guedes e o outro pela Percília da Silva. Era uma guerra de liminares. Isso só acabou depois que a Justiça determinou uma eleição, a qual nós vencemos. A federação sobrevive do imposto sindical. uma verba que possui fins e regras para ser usada. os dois grupos anteriores estavam usando sem critérios e sacando aleatoriamente. Temos vários documentos que comprovam que os ex-presidentes e algumas pessoas envolvidas com eles sacaram indevidamente quase 500 mil dos cofres da Federação nos últimos 30 dias. Já encaminhamos a denúncias para o Ministério Público e para a Polícia Federal. A sede nos foi entregue totalmente destruída, com a água cortada por falta de pagamento. Fizemos algumas reformas. Por pouco a federação não foi extinta.

 

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