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Presidente Dilma Rousseff será atacada e defendida em protestos por Manaus nos próximos dias

Com a popularidade caindo, fruto da insatisfação da sociedade com medidas de austeridade fiscal, aumento da conta de luz, da gasolina e do escândalo na Petrobras, a presidente será alvo de manifestações nesse fim de semana 12/03/2015 às 09:41
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Em 2013, a multiplicidade de temas e de atores marcou protestos que reproduziu em Manaus movimento que tomou conta do País
Aristide Furtado Manaus (AM)

LÍDERES FALAM SOBRE O ATO (VÍDEO)

Catapultada pelo escândalo de corrupção na Petrobras e pelas medidas impopulares tomadas pelo Governo Federal, a guerra campal ensaiada ao final das eleições gerais do ano passado promete ser reeditada nesse final de semana com mobilizações contra e a favor da presidente Dilma Rousseff (PT).

No domingo, com o apoio dos partidos de oposição, inclusive do PSDB do senador Aécio Neves, segundo colocado na disputa presidencial, protestos estão sendo convocados por meio das redes sociais contra a presidente da República. Dilma, segundo dados divulgados pela imprensa nacional, menos de cinco meses após ser reeleita, vê sua popularidade despencar. Com o mote “Fora Dilma”, as convocações para o movimento de rua defendem o impeachment da presidente.

Esse é o caso do evento divulgado no Facebook por João Lago, intitulado “Vem para rua Manaus: Fora Dilma”. A mobilização está marcada para as 16h, no Largo de São Sebastião, no Centro da cidade. Outra comunidade virtual chamada “Vem pra rua Manaus” também convoca internautas para se concentrar no domingo, às 17h, no Posto 700, na avenida Djalma Batista.

Em outro evento divulgado no Facebook, “Impeachment Dilma - Manaus”, Weckley Nogueira, convida a população para se concentrar na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, às 9h de domingo. Na tarde de ontem, o chamado contava com 101 mil convidados, dos quais 10 mil haviam confirmado presença. “Nós estamos organizando o evento e somos de vários grupos.

O movimento não tem bandeira única. Temos membros de igrejas católicas e evangélicas, de partidos políticos, do movimento ‘Vem pra rua’, do movimento ‘Brasil melhor’. As lideranças servem somente para motivar. Se as lideranças desistissem da manifestação, ela aconteceria do mesmo jeito. Tornou-se independente. Quem está fazendo não somos nós, é o povo. Já houve três reuniões de panfletagem e adesivagem”, disse o organizador.

Segundo Weckley, o evento é motivado pela corrupção que teria tomado conta das instituições. “O que leva todos nós a exigir isso (impeachment), que não é golpismo, é a corrupção institucionalizada da República, o aparelhamento estatal em todos os níveis”, disse o internauta.

O presidente do Instituto Amazônico de Cidadania (Iaci), Luiz Odilo, disse que o Iaci apoia a manifestação contra Dilma e dela participará no domingo. “A presidente está sem condições de governar. Qualquer pessoa de bom senso enxerga isso. Porém vemos com muita preocupação essa situação por conta de um possível golpe militar. O silêncio dos militares das três forças me preocupa. Não podemos retroceder”.

Outro lado

Na trincheira oposta, entidades sindicais articuladas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por partidos da base de apoio da presidente, como o PCdoB, preparam um movimento de apoio a Dilma para sexta-feira. Em Manaus, o ato público está marcado para as 16h, na Praça da Polícia.

“É um grande equívoco esse ato contra Dilma. É manipulação. Hoje temos oportunidade de ver as pessoas envolvidas em corrupção investigadas. O governo Dilma nunca mandou frear investigação. As pessoas estão se deixando levar por grupos que têm interesse político. A gente tem problema? Tem. A presidente foi honesta quando disse que estamos passando por uma crise, mas o governo está trabalhando. Por trás desse protesto há o interesse de vender a Petrobras, de olho na riqueza do pré-sal. Dia 13 vamos para a rua defender a Petrobras e o governo Dilma. Vamos resolver os problemas democraticamente, sem golpes. Não podemos retroceder”, disse Isis Tavares, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil seção Amazonas.


Comentário do ex-deputado Marcelo Ramos:

“É legítima a manifestação contra Dilma, mas temo que alguns aproveitem essa insatisfação do povo para propagandear ideias atrasadas, autoritárias, relacionadas à intervenção militar. A superação da crise tem que se dá dentro da democracia. Sou oposição ao governo Dilma, mas não quero dá passo para trás. Não podemos condenar a democracia pelos crimes dos políticos. É o mesmo que condenar a mulher que anda de minissaia pelo crime do estuprador. Infelizmente, os últimos governos têm avacalhado a República, utilizando o dinheiro público como instrumento de cooptação política. A panela estoura quando se agrega ao escândalo de corrupção o aumento de combustível, de energia, dos juros, da inflação, a restrição a direitos trabalhistas. Tem crise ética, política e econômica. Falar em impeachment é um instrumento da democracia. O PT disse ‘Fora FHC’ e ‘Fora Collor’. O ‘Fora Dilma’ é instrumento legítimo de retórica da oposição. Mas para que aja o impeachment é necessário a configuração do crime de responsabilidade no exercício do mandato”.

Análise do Presidente Estadual do Partido Comunista do Brasil, Eron Bezerra:

 “A mobilização de sexta-feira tem três eixos centrais: a defesa da democracia, e repúdio ao golpe militar que a direita defende; a defesa da Petrobras; e o fim do financiamento empresarial de campanha. Parte dessa campanha contra a empresa é uma velha luta para privatizá-la ou mudar o sistema de partilha do pré-sal. A população não tem ideia do que está acontecendo. Por trás da pseudo campanha de moralidade há o interesse nas reservas do pré-sal. O centro da corrupção é o financiamento empresarial. Empresário não financia campanha, faz investimento e cobra depois com juros e correção monetária. As empresas que contribuíram para Dilma são as mesmas que contribuíram para o Aécio. No domingo, as forças de direita farão a mobilização, proselitismo contra a presidente. Entendemos que é legitimo, mas somos contra a pauta deles. A direita não tem o menor respeito pela democracia. A tática é provocar o caos para cria terror na população, isolar o governo e o assalto ao poder. Há risco institucional. É preciso reagir em defesa da democracia”.

Blog do deputado estadual pelo PSB, Serafim Corrêa:

 “Já vi esse filme. Tinha 17 anos quando o Jango (João Goulart) fez, no dia 13 de março de 1964, o comício da Central do Brasil onde ele, como presidente da República, pediu o apoio na rua pelas reformas de base. O movimento contra o Jango foi logo a seguir: ‘A marcha da família com Deus pela liberdade’, que aconteceu em São Paulo. O resto da história a gente conhece. Foram 21 anos de ditadura militar. A Dilma ganhou a eleição e no presidencialismo ela vai governar quatro anos. É verdade que ela mentiu, e muito. Até foi desleal quando desconstruiu adversários da forma mais desonesta possível, mas ela ganhou. No Brasil, não tem terceiro turno. Só tem dois. Nós do PSB não participaremos nem de um lado nem de outro. Mas respeitamos o direito de cada um ir a qualquer uma das duas mobilizações. Entendemos também que o resultado das urnas deve ser respeitado”.

Presidente da Cieam, Wilson Perico COMENTA:

“A manifestação não é contra um indivíduo, é democrática contra os rumos que o País está tomando. Um País que não cresce, que está à beira de um nível grande de desemprego. A atividade industrial vem sofrendo muito nos últimos anos. E esse ano não vai ser diferente. Ao invés de medidas para retomada da industria nacional o governo transfere para a sociedade e a classe produtora o custo dos desmandos com a coisa pública por meio do aumento da carga tributaria, tudo para cobrir o rombo. Na questão local, temos o descaso do governo com o modelo Zona Franca de Manaus, a precariedade das vias do Distrito Industrial, a falta de autonomia da Suframa de usar os mais de R$ 3 bilhões arrecadados aqui no desenvolvimento dos estados da região Norte, os desmandos com o CBA. É preciso levar riqueza para o interior, desenvolver a matriz econômica. É um clamor público. Não vinculo isso a movimento golpista. Como cidadão entendo que o País está sendo mal conduzido”.

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