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Presidiárias do Centro de Detenção Provisório ganham Natal especial em Manaus

Desde ontem, as detentas do CDP Feminino vem recebendo visitas dos familiares como parte da programação  23/12/2015 às 21:17
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Detentas do Centro de Detenção durante os preparativos para o Natal e Ano Novo na área interna da unidade prisional
Kamyla Gomes ---

Elas tinham sua liberdade e sonhavam com a luxúria, vaidade, dinheiro e vida fácil, mas o mundo do crime no qual elas escolheram para seguir interrompeu tudo isso.  Com a chegada do Natal, o período para as  presidiárias do Centro de Detenção Provisório (CDP) Feminino, é de reflexão, saudades, arrependimentos e vontade de estar ao lado da família, amigos e pessoas que mais amam.

Localizado no quilômetro 8 da BR-174, a unidade abriga atualmente cerca de 205 detentas,  sendo sente grávidas e três com filhos. Com um significado que é o nascimento de Jesus Cristo, para elas a data é de causar também tristeza, pois para elas é muito sofrido estar longe da verdadeira casa e familiares.

“Me arrependo muito de tudo isso”,  “Ai, que ódio”, e “Ah, se eu pudesse voltar atrás”, foram as principais frases da detenta Marjorie Kate Ane Justino, de 26 anos, que está presa pelo crime de homicídio e ocultação de cadáver há 10 meses. Ela  destacou durante entrevista seus verdadeiros sentimentos referentes a esta data. Por um crime que chocou Manaus, a mulher foi presa com mais duas pessoas após matarem e esquartejarem um homossexual em 2014. Em todo momento, ela se mostrou arrependida e disse que com a chegada da data a tristeza e arrependimento são maiores.

“No momento em que eu estava louvando durante nossa festa de natal realizada aqui dentro no domingo, passou um filme na minha cabeça. O que mais machuca é estar longe de quem amo. Eu não vejo o natal com aquele significado de Papai Noel, e sim pelo nascimento de Jesus, e isso toca bastante. Agradeço a Deus por não ter desistido de mim”, disse Marjorie, alegando ser a primeira vez que passará o Natal atrás das grades.

Também aguardando julgamento, a detenta Klissia Braga da Silva, 24, presa por tráfico de drogas durante um ano e três meses, conta que o significado da data não é diferente. A mulher que entrou para o mundo do crime aos 12 anos e que antes gerenciava o tráfico e costumava ostentar com dinheiro, carros, festas, celulares e drogas, contou que este é seu segundo Natal dentro da cadeia.

A ex-presidiária Adriana Lira, que retornou para o CDP com o propósito de pregar a palavra de Deus durante o primeiro batismo realizado na manhã da última segunda-feira (21), dentro da unidade, contou a emoção de passar o natal esse ano com sua família.

“Foram três Natais dentro da cadeia, e vocês não imaginam o quanto estou feliz por esse ano estar com a família, pois antes batia uma tristeza muito grande e a saudade maior ainda”, Disse.

Familiares

A diretora adjunta do CDPF, tenente Socorro Freitas, disse que esse período natalino as detentas, além de Deus, procuram bastante suporte dos familiares.

Estrutura do Ipat

A diretora também relatou que estão felizes por a unidade estar se desenvolvendo. “Tudo o que sonhávamos em deixar a unidade, está sendo realizado. Antes as detentas eram revoltadas com a cadeia, hoje não”, informou Socorro.


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