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Presidiários no AM enfrentam dificuldades de voltar para casa e vencer as barreiras

Confira história de presidiários que lutam para voltar a ter uma vida normal, fora das celas. Homens que sentem na pele as dificuldades de quem pretende voltar a viver em sociedade 15/08/2015 às 17:35
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A estratégia de Raimundo Pereira da Costa, 61 para ver o tempo passar mais rápido foi aprender a tecer redes, para continuar ajudando a família e ter como se manter quando sair do semi-aberto
Kelly Melo Manaus

Apenas uma chance. Esse é o desejo dos presidiários Raimundo Pereira da Costa, 61, e Jonas Cavalcante dos Santos, 36, ambos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) que lutam para voltar a ter uma vida normal, fora das celas. Há anos encarcerados, eles sentem na pele as dificuldades de quem pretende voltar a viver em sociedade.

Jonas Cavalcante passou metade de sua vida atrás das grades. Preso por homicídio ainda na adolescência, atualmente ele trabalha no presídio para conseguir reduzir a pena. A iniciativa lhe rendeu bons frutos, pois há um ano ele está no semi-aberto e espera ansioso pela notícia de poder voltar para casa. “Passei praticamente a minha vida inteira na prisão. Hoje me arrependo desse crime e se pudesse, gostaria de apagá-lo da minha vida”, conta ele.

Para ganhar uma renda e diminuir o tempo de prisão, Jonas trabalha como artesão dentro do Compaj. Ele confecciona porta-retratos, porta-joias, quadros dentre outros objetos, utilizando materiais recicláveis como papelão.

Ele vende o material na própria unidade prisional ou é liberado para vender pela capital. O dinheiro ele guarda para se estruturar quando estiver livre. “Ali dentro todo mundo precisa apenas de uma oportunidade para mudar de vida. Mas ainda temos que enfrentar muito preconceito”, comenta.

Na semana em que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) realizou a Semana do Presidiário, Jonas e colega Raimundo Pereira da Costa, 61, condenado por tráfico de drogas, tiveram a oportunidade de sair do Complexo onde estão cumprindo suas penas para participar de um feira de artesanato e expor as obras que fazem com as próprias mãos.

Arrependimento

Com os olhos cheios lágrimas, Raimundo se diz arrependido do crime que cometeu e afirma que quer mudar de vida. A estratégia dele para ver o tempo passar mais rápido foi aprender a tecer redes, para continuar ajudando a família e ter como se manter quando sair do semi-aberto, onde está atualmente.

Para ele, uma das principais dificuldades na vida externa vai ser enfrentar o preconceito. “Não desejo a prisão nem para o meu pior inimigo. Nunca imaginei passar por isso, mas reconheço que assumi o risco. Agora, decidi aprender essa profissão para não ter que depender de ninguém quando sair, porque as pessoas olham para a gente de um jeito diferente”, contou. Na opinião dele, a ressocialização dentro do sistema é possível, mas são necessários investimentos do estado e o “querer” do apenado.

Busca por melhoria

O secretário da Administração Penitenciária (Seap), Louismar Bonates, admite que um dos principais gargalos do sistema prisional do Amazonas, é a ressocialização dos detentos.

Com uma população carcerária que beira os 10 mil presidiários, fica cada vez mais difícil desenvolver ações consigam contemplar a todos.

“Por isso existe a semana do presidiário. Porque é nesse período que a gente traça estratégias e atividades para conversar com os presos e proporcionar atividades em que eles possam se aproximar das famílias”, afirmou Bonates.

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