Domingo, 20 de Outubro de 2019
Pesquisa alcoólatras

Prevalência de hepatite C é maior entre alcoólatras, afirma estudo

Levantamento  apontou que 2, 75% dos entrevistados ouvidos em Manaus eram positivos para hepatite C



1.jpg Pesquisadores durante levantamento sócio-demográfico
24/09/2013 às 13:23

O álcool deixa a população mais vulnerável à infecção por hepatite C.  Uma pesquisa realizada em Manaus  denominada ‘Prevalência de Hepatite C entre os Alcoólicos Anônimos(AA) , conseguiu constatar a prevalência da doença entre os alcoólatras.

Iniciado em agosto de 2012 , o levantamento é feito por estudantes de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas que também são bolsitas do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic/Fapeam).



Durante a pesquisa, foi verificado que 2,75% dos entrevistados eram positivos para hepatite C. “São números que por si só chamam a atenção e identificam uma população mais vulnerável à infecção viral”, ressaltou a cientista Cristina Melo Rocha, coordenadora do grupo de pesquisadores da Fundação Hospital Adriano Jorge que avaliaram os dados coletados. Ao todo, foram entrevistados 111 voluntários entre os grupos de AA espalhados pela capital. Em Manaus, há 63 grupos, dos quais foram selecionados indivíduos levando-se em consideração a acessibilidade.

Por sua vez, Figueiredo disse que a intenção é que o projeto seja expandido e que o número de entrevistados aumente. Ela também explicou que os participantes foram todos voluntários. “Não houve restrição quanto ao sexo, etnia ou religião. A faixa etária dos participantes foi a partir dos 18 anos, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os entrevistados responderam a um questionário sociodemográfico e a perguntas sobre o estado de saúde”, pontuou.

Complicações à saúde

Doutora em Ciências pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), Rocha explicou que a partir do contágio com o vírus da hepatite C, as chances de cura espontânea da infecção são menores no alcoólatra, quando comparada a um indivíduo saudável. Ela disse que uma vez portador crônico da infecção viral, há dois agentes agressores ao fígado: o vírus e o álcool. Com isso, a evolução da doença hepática é mais acelerada, com maiores riscos de complicações, como o aparecimento de cirrose e câncer hepático.

A maior dificuldade na associação dessas doenças está em convencer o paciente sobre a necessidade da abstinência alcoólica, de acordo com Rocha. Isso se deve porque o tratamento atual da hepatite C, seja aguda ou crônica, é baseado no uso de medicações com sérios efeitos adversos. “O tratamento exige monitoramento por meio de consultas e exames laboratoriais e o consumo de bebidas alcoólicas acarreta a baixa adesão ao tratamento antiviral e, consequentemente, poucas chances de cura da infecção pelo vírus da hepatite C”, alertou. 

Hepatite C

A hepatite C é causada por um vírus transmitido principalmente pelo sangue contaminado, mas a infecção também pode passar através das vias sexual e vertical (da mãe para filho). O portador do vírus da hepatite VHC pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a lesões no fígado (cirrose) e câncer hepático. Não há vacina contra a doença.

 


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