Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
Saúde sobre águas

Primeira UBS Fluvial Inteligente do AM vai atender população ribeirinha

Unidade vai alcançar mais de 5 mil pessoas que não tinham cobertura da Estratégia Saúde da Família



ubsf_16C91FC5-1147-434C-82F0-6A43BC679178.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
14/02/2020 às 08:05

Cerca de cinco mil habitantes de Manacapuru (distante 99 quilômetros de Manaus) que ainda não tinham cobertura em saúde da família serão atendidas pela primeira Unidade Básica de Saúde Fluvial Inteligente (UBSFI) do Amazonas, entregue na manhã de ontem (13). 

Resultado de parceria entre os governos do Estado, federal, da Coréia do Sul e prefeitura do município, o barco Catarina Brota dos Santos vai oferecer serviços nas áreas da medicina e de enfermagem, apoio diagnóstico e terapêutico, exames laboratoriais (urina, raio-x e ultrassom), e procedimentos até então inéditos em comunidades longínquas, como exames de bioimpedância (que calcula a massa corporal). 



“O sistema é tido como inteligente por conta dos investimentos em equipamentos, mas sobretudo porque é interligado e funciona em sistema chamado No Paper”, explicou o titular da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Rodrigo Tobias. “Nele, o paciente cadastra a digital para fazer o prontuário e ter acesso ao conjunto de serviços oferecidos pela UBS, inclusive nas áreas mais isoladas”.

Todo o conjunto de dados será capitaneado e, ao chegar em locais com sinal de internet disponível, o barco vai enviar dados à FVS (Fundação de Vigilância de Saúde) que devem orientar a aplicação de investimentos do Ministério da Saúde. “Vamos atender o indígena, o ribeirinho, o caboclo e as populações localizadas em áreas distantes”, afirmou o governador Wilson Lima após visita às instalações da unidade.

“Temos uma relação histórica com a Coréia, sobretudo por causa das empresas instaladas no Distrito Industrial. A UBS é a demonstração do compromisso social que a embaixada e o povo coreano têm com a Amazônia”, frisou o governador.  

A opção pela unidade de atendimento fluvial deveu-se à predominância dos rios como vias de acesso a outras localidades do Amazonas. “A tecnologia permite ao profissional de saúde levar o equipamento em embarcações menores, em rabetas e voadeiras, coletar sangue e urina, por exemplo, e inserir as informações no banco de dados”, complementou Lima. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru, a unidade móvel vai priorizar uma área de difícil acesso conhecida como rio Manacapuru. O barco, que ficará sob o comando da prefeitura, dispõe de equipamentos móveis e equipe treinada para acolher pacientes que não têm condições de se deslocar. 

A administração das Unidades Básicas de Saúde (UBS) é competência do Município. A tarefa do Estado consiste em garantir o funcionamento da unidade com recursos fornecidos por meio do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI).

(Foto: Euzivaldo Queiroz)

Cooperação com a Coréia do Sul

A Unidade Básica de Saúde Fluvial Inteligente Catarina Brota dos Santos é resultado de acordo de cooperação técnica firmado em 2015, entre os governos do Brasil e da Coréia do Sul, que doou cerca de R$ 15 milhões ao projeto. O Amazonas foi escolhido devido à expertise do país asiático, situado em uma península, em saúde fluvial.

Naquele ano, a Fundação de Apoio à Pesquisa, Tecnologia e Inovação da Universidade de Taubaté (Fapeti) fez os primeiros contatos para sensibilizar órgãos como o governo do Amazonas,  Fundação em Vigilância em Saúde do estado e universidades em função da iniciativa.

A Fapeti trabalhou junto com a Universidade de Young Seen no projeto. As equipes então começaram a desenvolver um estudo da epidemiologia do Estado em parceria com a FVS, com ênfase em  Manacapuru. O objetivo foi identificar as principais necessidades da população a partir do registro das doenças mais comuns.

 “Conseguimos mapear os principais problemas que afligiam a população ribeirinha, para ter condições de vislumbrar um atendimento melhor em uma UBS por meio de tecnologia mais avançada”, contou o diretor-presidente da Fapeti, professor doutor Eduardo Hidenori Enari.   

Com base neste perfil, foram trazidos da Coréia equipamentos de última geração, como raio-x, desfibriladores e ultrassom, entre outros. O prontuário do paciente é feito por meio de cadastro de digital e fica registrado no sistema de atendimento para futuras consultas. A tecnologia possibilita o compartilhamento de dados que são enviados à FVS, auxiliando no monitoramento e controle de casos de malária, por exemplo, além do planejamento de políticas públicas em epidemias.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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