Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
FALTOSOS

Primeiro dia de provas do Enem registra 24% de abstenção em todo o país

Em todo o Brasil, cerca de 5,1 milhões de pessoas estavam inscritas para o exame, mas 1,2 milhão deixaram de comparecer neste primeiro dia



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04/11/2019 às 07:06

Em todo o Brasil, cerca de 5,1 milhões de pessoas estavam inscritas para o exame, mas 1,2 milhão deixaram de comparecer neste primeiro dia – um índice de 24% de abstenção. No Amazonas, mais de 118 mil candidatos se inscreveram, segundo o Ministério da Educação (MEC). No entanto, o número de abstenções no Estado não foi divulgado até o fechamento desta edição.

Na capital, 72 escolas da rede estadual foram mobilizadas para a realização do certame, que é a principal porta de entrada das universidades públicas. Em uma delas, a Escola Estadual Princesa Isabel, no Centro, os candidatos chegaram cedo e estavam ansiosos pela prova. Muitos iriam fazer a mesma pela primeira vez, como a dona de casa Lenice Pereira, de 50 anos. “Minhas sobrinhas me incentivaram. Eu não tenho formação e vou tentar nota para entrar na área da saúde. Estou confiante”, contou.



Correria dos atrasados

Nos minutos finais para o fechamento dos portões, os locais de prova em Manaus registraram, como de costume, muita correria. Ainda assim, teve gente que não conseguiu entrar por conta do atraso no ônibus e, também, quem se baseou pelo horário oficial de Brasília.

O técnico de enfermagem Rau Freitas chegou cinco minutos depois do fechamento dos portões em uma faculdade particular na avenida Constantino Nery. Segundo ele, o atraso no ônibus foi a motivação do atraso.

“Eu conheço o horário dos ônibus no domingo. Estava no terminal da Constantino (T1), mas não passou. Fiquei mais de meia hora no local. Tive que pegar um Uber. O motorista correu, mas não deu tempo”, lamemtou o candidato, que iria buscar uma vaga para Enfermagem.

Assim como ele, o adolescente Leonardo Oliveira, de 17 anos, chegou atrasado e perdeu o primeiro dia do exame. Ele disse que no cartão de confirmação o horário de fechamento dos portões estava às 13h.

“A gente chegou meio dia e já tinha fechado. Aqui no papel não falava isso. Eu estudei a noite toda e não consegui entrar. Infelizmente”, contou o jovem, que também reclamou na demora dos ônibus coletivos.

No sábado, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que a frota de ônibus seria reforçada para os dias de prova do Enem, o que, segundo muitos candidatos que conseguiram entrar nos locais de prova, não aconteceu de forma eficaz.

Tema da redação surpreende

As questões da prova de ontem abordaram temas ligados aos direitos das mulheres e minorias, além de questões raciais como refugiados e escravidão. Questionamentos sobre bullying, anorexia e discursos de ódio também apareceram. No próximo domingo, dia 10, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza (45 questões de Biologia, Química e Física) e Matemática (45 questões).

O tema da redação, “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, surpreendeu muita gente que esperava um assunto mais em voga, como as questões ambientais. Os candidatos tiveram de elaborar um texto dissertativo de até 30 linhas sobre o assunto.

Para a professora de Língua Portuguesa Cristiane Balieiro, do curso preparatório Gabaritar, o tema da redação desse ano foi relativamente fácil de desenvolver. “O tema em si não é complexo, o que pode frustrar aqueles alunos que se prepararam intensamente para escrever sobre temas mais desafiadores’’, comentou, ressaltando que, no geral, as decisões do governo em relação ao cinema nacional em contraste com o tema da redação foi uma das questões que mais chamaram a atenção.

Sobre o tema da redação em si, o professor doutor Luiz Carlos Martins, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), aponta que o tema expôs toda a “hipocrisia do governo”, já que, recentemente, o presidente Jair Bolsonaro criticou o cinema brasileiro e entrou em guerra com o principal órgão de fomento às produções audiovisuais. O governo cortou quase metade do orçamento da Agência nacional de Cinema (Ancine).

“Podemos fazer uma leitura além do acesso das pessoas de baixa renda a uma sala de cinema ou da inclusão de pessoas com deficiência física nesses espaços. Democratizar o cinema deveria acontecer em toda a cadeia produtiva da produção cinematográfica brasileira. É fazer com que favelas, periferias e cidades pequenas produzam o seu próprio audiovisual. Isso inclui também a produção, a distribuição e, até mesmo, a formação acadêmica em cinema. É um tema complexo”, avaliou ele, que além de pesquisar discursividade no cinema, atua como documentarista, curta-metragista e roteirista.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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