Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
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Primeiro dia dos filhos nas aulas também é desafio para os pais

Superar os desafios de um ambiente novo e com pessoas ‘estranhas’ é o início da vida escolar de milhares de crianças. Pais também enfrentam turbilhão de sentimentos



1.gif Sem chorar, Maria Helena foi para a escola pela primeira vez aos dez meses
04/02/2015 às 09:54

“É um turbilhão de sentimentos. Foi uma mistura de emoção, insegurança e ansiedade que foram passando conforme eu percebia que ela estava se adaptando”, contou Rebecca Mandel Dantas, 25, mãe da pequena Maria Helena, de 10 meses, que foi para a creche pela primeira vez no início desta semana.

A primeira semana ainda é de adaptação, quando os pais acompanham as crianças por meio de câmeras e pequenas janelas que dão acesso à sala de aula. Para a surpresa dos pais, Maria Helena não chorou no primeiro dia de aula.



“Ela estava bem, interagiu com os amiguinhos e se divertiu bastante. Toda a insegurança e ansiedade que eu estava sentindo passou”, conta Dantas.

Assim como outras centenas de mães, Rebecca terá que voltar a trabalhar e não tem uma babá de confiança, por isso, preferiu matricular a filha em uma creche. Ela passou aproximadamente um mês visitando e avaliando algumas creches.

O contato agradável com os profissionais influenciaram na escolha. “Conversei com os pedagogos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos e me senti confiante com os profissionais. Além dos cuidados, eles estimulam o processo cognitivo da aprendizagem e é isso que espero de uma instituição”, comentou.

Desafios

De acordo com a coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Estácio Literatus, Elaine Freire, é importante que os pais estejam tranquilos em relação à escola e transmitam essa segurança às crianças. “Explicar à criança que ela vai para a escola a partir de um determinado dia certamente trará mais segurança”, explica Elaine.

Outra forma de trabalhar a adaptação nos primeiros dias de escola, de acordo com Elaine, é falar dos novos amigos que a criança vai fazer, da professora, de como é a escola e o que ela vai aprender.

Mãe de duas filhas, a secretária Elyta Medeiros, 26, vai enfrentar o desafio de levar a filha mais nova pela primeira vez à escola, na próxima semana, e já está se preparando para ficar longe da pequena Marcela Beatriz, 3. “Vai ser um período de adaptação, tanto para ela quanto para mim, que vou retornar ao trabalho depois desse período e ainda sendo dona de casa”, disse Elyta.

Para Elyta, apesar de já ter passado por esse momento com a filha mais velha, a sensação de medo aparece constantemente. “Ela é uma criança independente e está adorando a ideia de ir à escola, mas eu sinto que na hora que estiver em um ambiente desconhecido, vai acabar chorando”, acrescentou.

De acordo com a coordenadora, os especialistas dizem que, nessa situação, os sentimentos dos pais são contraditórios. “Apesar de eles estarem conscientes da escolha, principalmente a mãe pode se sentir dividida, com uma angústia provocada pela culpa de não ficar com o filho o tempo todo, por isso a escola deve ser encarada como um processo necessário para que a criança faça socialização com seus pares, aprenda a resolver conflitos, adquira e aprimore suas habilidades”, esclarece Elaine Freire.

Para que essa adaptação se dê de forma tranquila, é necessário observar alguns aspectos, tais como estabelecer uma relação de confiança entre a escola e a família, participar à criança sobre seu ingresso em sala de aula, cumprir com os combinados e pedidos feitos pela escola (muitas fazem reuniões de pais antes do início das aulas para explicarem sobre o período de adaptação), o que a criança pode ou não levar consigo, entre outros. Ao cumprir com os combinados, a criança sente-se segura e começa a entender o funcionamento do ambiente, podendo, com isto, sentir-se pertencendo ao novo meio.

Elaine lembra que muitas escolas permitem que os pais acompanhem os primeiros dias do filho na sala de aula e isso é saudável, porém se, depois de passado o tempo estabelecido pela direção a criança ainda não estiver adaptada e continuar exigindo a presença dos pais, o melhor é conversar com a coordenação da escola para saber como agir.

A coordenadora entende que o ‘novo’ assusta, principalmente em se tratando de crianças que são seres frágeis e dependentes, mas os pais devem ter a consciência que a escola é considerada o segundo agente socializador, ou seja, depois da família é a instituição mais importante da vida do indivíduo.

O que esperar de uma instituição?

Entre as habilidades que são trabalhadas e desenvolvidas nessa fase estão:

Linguagem oral; Aprendizagem de conceitos de longe, perto, dentro, fora, em cima, em baixo, atrás, na frente, ao lado, dentro, fora, cheio, vazio; Desenvolver percepção visual, auditiva, coordenação viso-motora; Estimular o raciocínio lógico, estabelecendo relações entre os conceitos: todo, parte, igual, diferente, grande, pequeno, tamanho, cor, forma; Estimulação dos cinco sentidos, desenvolvendo a capacidade de auto-higiene e a identificação e nomeação das partes do corpo.


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