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Primeiros passos no negócio

Ao concluir a faculdade, muitos profissionais liberais tentam abrir seu próprio escritório ou consultório, ignorando aspectos que podem comprometer o negócio 15/03/2013 às 23:53
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Após superar a questão do financiamento, sócias da Clare Dente finalmente comemoram a consolidação da empresa no mercado
Antônio Melo Manaus (AM)

Muitos profissionais liberais recém-formados – médicos, dentistas, advogados etc – só descobrem após o curso que também precisam de formação gerencial se quiserem ter seu próprio consultório ou escritório. O resultado é que, se por um lado, jovens são os que mais empreendem, por outro, são os que mais quebram antes do primeiro aniversário. Especialistas dão dicas para aumentar as chances de sucesso para esses profissionais.

Segundo Ananda Carvalho, membro da Unidade de Atendimento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro Pequenas Empresas (Sebrae/ AM) e presidente do Conselho de Jovens Empreendedores (CJE/AM) da Associação Comercial do Amazonas (ACA), o primeiro obstáculo é a falta de capital inicial.

"A principal dificuldade é ter o aporte suficiente para as primeiras estruturas necessárias para abrir a empresa. Muitas vezes este jovem ainda não dispõe de credibilidade sólida junto às instituições financeiras”, afirma. Uma boa saída é estabelecer sociedade com um empresário já estabelecido, facilitando o acesso ao crédito.

Financiamento

Foi com muita dificuldade e por meio de financiamento de longo prazo que as sócias Luana Machado, 24, e Laiz Almeida, 27, montaram o consultório Clare Dente, no conjunto Eldorado, Parque 10. O projeto foi resultado de um planejamento que começou ainda na faculdade, época ideal para reunir informações sobre o setor, levantar custos e desenvolver ideias.

“No início, foi complicado achar um ponto estratégico e saber o que precisava para montar um consultório. Em odontologia tudo é muito caro. A burocracia na área de vigilância sanitária e alvará na prefeitura é muito dispendiosa”, conta Luana, que é especialista em ortodontia.

Vale ressaltar que ter capital inicial não é o bastante. É preciso pensar no capital de giro, pois lucro de verdade sempre demora para chegar. “Nosso investimento foi de longo prazo. Foi necessária muita paciência, porque nos primeiros meses toda nossa renda era direcionada para o pagamento dos equipamentos que havíamos comprado”, disse Laiz.

Em busca de capacitação

A dificuldade com questões gerenciais é outra barreira frequentemente menosprezada pelos jovens. Se houver planejamento, o empresário vai se capacitar antes de abrir a empresa. Do contrário, o desafio será maior, terá que aprender já com o negócio em andamento. Foi o que aconteceu com Jhonathas Duarte, 28, que há um ano, abriu uma empresa de aplicações para smartphones. Ele logo descobriu que não bastava ser um ótimo programador, era necessário conhecer pelo menos as rotinas básicas de administração. Resultado: fechou em menos de um ano.

Duarte aprendeu a lição e pretende reativar a empresa ainda este ano, desta vez com um curso de gestão e vários treinamentos no currículo. Sem tempo para frequentar cursos regulares, ele experimentou um treinamento online da Fundação Getúlio Vargas (FGV online), a “série estratégica em gestão”.

O Sebrae dispõe de uma série de opções que podem ajudar o jovem a desenvolver suas habilidades empreendedoras. Em junho o Sebrae será co-realizador do Líder Norte – um encontro de jovens empreendedores da Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conage), coordenado pelo CJE da ACA. Durante uma tarde de painéis, será discutido o que são startups, como funcionam, e conceitos como MVP – mínimo produto viável –, modelagem de negócio, Pitch, além de ferramentas para “prototipar” ideias.
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