Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
DEBATE

Principais usuárias, mulheres são as mais vulneráveis à violência no transporte público

Cerca de 70% dos deslocamentos das mulheres nas grandes cidades é feito por transporte público; em Fortaleza, aplicativo ajuda a denunciar casos de assédio



WhatsApp_Image_2019-05-30_at_10.34.45_943FA04E-6492-4D95-AE6A-718AED637159.jpeg (Foto: Luiz G. Melo )
30/05/2019 às 10:54

As mulheres representam a maioria dos usuários do transporte público, mas ao mesmo tempo são as mais vulneráveis a diversos tipos de violência. Esse foi o mote da discussão da palestra "Por elas e para elas", um dos painéis do Summit Mobilidade Urbana 2019, realizado em São Paulo pela 99 em parceria com o jornal "O Estado de São Paulo".

Segundo dados apresentados pela diretora executiva da Ong Think Olga, Juliana de Faria, cerca de 70% dos deslocamentos das mulheres nas grandes cidades é feito por transporte público (28% é a pé). 



"Os pontos de ônibus são os lugares onde as mulheres se sentem mais inseguras. Não somente assédio sexual, mas acabam sendo o alvo preferencial de assaltantes", disse.

A fundadora do Nina Mobile - um aplicativo da prefeitura de Fortaleza usado para denunciar assédio no transporte público - , Simony César, sentiu isso na pele quando quase foi vítima de um latrocínio na capital cearense. 

"Havia dois homens na parada de ônibus, mas o assaltante foi pra cima de mim com uma faca", relatou ela, que perdeu parte do movimento dos dedos das mãos por conta do ataque.

"Sou usuário do transporte público, e isso me ajuda a ter uma visão ampla e real da situação da mulher no transporte público. O aplicativo Nina Mobile foi fruto de uma pesquisa de campo que foi baseada numa inquietação pessoal diante da quantidade absurda de assédios impunes", disse ela, que é filha de cobradores de ônibus.

Para a especialista em cidades inteligentes, Stella Hiroki, a presença cada vez maior de mulheres à frente de elaborações de políticas públicas de mobilidade urbana no setor público (e até mesmo à frente de empresas privadas) faz toda a diferença.

"Câmeras de segurança e suportes para denúncias são essenciais, sem dúvida, mas o problema da violência contra a mulher no ambiente urbano é estrutural. Uma mulher à frente da elaboração dessas políticas é diferente porque há mais sensibilidade no acolhimento de mulheres vítimas de assédio, por exemplo", defendeu.

O painel foi um dos debates que serão discutidos ao longo do dia na Summit Mobilidade Urbana 2019.

Sobre o aplicativo

O Nina Mobile é um aplicativo para denunciar casos de assédio no transporte público.  Basta apertar um botão para que vítima ou testemunha denunciem o ato de violência: as imagens captadas pelas câmeras dos veículos são gravadas e enviadas à Polícia Civil para viabilizar a identificação do agressor. O app se tornou política pública em Fortaleza

*O repórter viajou a convite da 99

 

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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