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Prioridade da FVS é extermínio do mosquito Aedes aegypti

Após a confirmação de mais um caso de transmissão do vírus Zika por relação sexual, Bernardino Albuquerque afirma que a preocupação maior da Fundação de Vigilância em Saúde é combater o principal vetor 03/02/2016 às 17:05
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Bernardino Albuquerque [FVS]
Isabelle Valois Manaus (AM)

A confirmação de casos de transmissão do Zika vírus por meio de relação sexual, transfusão sanguínea e aleitamento materno não são prioridades diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque. De acordo com ele, por enquanto, o foco continua sendo o combate ao principal vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti.

De acordo com Bernardino, os casos de transmissão do Zika por meio da relação sexual - confirmado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos -,  por transfusão de sangue - confirmado em um hospital de Campinas (SP) - e a confirmação da presença do vírus no leite materno de grávidas diagnosticadas com a doença são considerado “casos isolados”, mas, ainda assim, precisam ser investigados com mais detalhes.

“O Zika vírus é uma doença nova e ainda está se aflorando. Vários estudos estão sendo realizado para cada caso, mas como são isolados, continuamos focados em combater o principal vetor, aquele que tem a responsabilidade maior de transmissão: o mosquito”, reforçou.

Do caso de transmissão por meio da relação sexual, Bernardino disse que ainda é preciso esclarecer como ela ocorreu, se pelo contato com sêmen, secreção feminina ou contaminação da mucosa interna, o que poderia implicar em um risco de contaminação por saliva, ainda não confirmada.

No caso da transfusão de sangue, Bernardino explicou que a contaminação pode ocorrer com qualquer tipo de vírus ou parasitas, pois qualquer doador doente pode contaminar o receptor, daí a importância da triagem desses doadores, para evitar problemas como o ocorrido no hospital de Campinas esta semana.

Desde então, todas as Fundações Hospitalares de Hematologia e Hemoterapia (Hemoam) passaram a adotar critérios mais rígidos na entrevista dos doadores, para identificar se eles têm histórico de Zika. “Lembrando que em 80% dos casos o paciente não desenvolve sintomas”, alertou Bernardino.

E ele completou: “No Amazonas não é diferente, estamos com esse cuidado para evitar que tenhamos algum caso, mas reforço que a nossa preocupação maior está em evitar a procriação do vetor para que não tenhamos uma epidemia”, disse o diretor-presidente da FVS.

Campanhas no Carnaval

Após a confirmação do caso de transmissão de Zika, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) reforçou que irá intensificar os alertas ao uso de preservativo neste Carnaval, com campanhas de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), para evitar a transmissão do vírus.

A campanha teve início ontem e deve seguir até a terça-feira gorda de Carnaval. A presença é confirmada nos desfiles das escolas de samba, Carnaboi, bandas e em pontos estratégicos da cidade, como Manaus Moderna e Camelódromos. Aproximadamente 1,4 milhão de preservativos masculinos serão distribuídos na capital e no interior.

Unidades referência no tratamento

A rede estadual de saúde passará a contar com duas unidades de referência no atendimento a bebês com diagnóstico de microcefalia relacionada à infecção pelo Zika vírus: o Centro Especializado de Reabilitação (CER) do Governo do Estado e o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), este último específico para o atendimento oftalmológico.

As unidades foram definidas durante reunião do Comitê Multidisciplinar de Apoio ao Monitoramento, Prevenção e Controle da Ocorrência de Casos de Microcefalia.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Susam), esta é uma forma de suporte caso venham a surgir casos de bebês com diagnóstico de microcefalia em decorrência da infecção pelo Zika. O CER será unidade de referência na oferta de serviços de estimulação precoce e específicos de reabilitação para os bebês com diagnóstico de microcefalia.

Números

Vinte e cinco casos de Zika vírus foram confirmados em Manaus, sendo sete em gestantes. Aguardam confirmação da doença pelo laboratório 201 pessoas, sendo 21 gestantes. Com relação à dengue, o Amazonas registrou, este ano, 330 casos. Ainda não há casos de Chikungunya.

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