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Cotidiano
Diligências e crimes

Prisão a todos os criminosos

É assim que pensam os delegados Carlos Tavares e Roberto Campainha, para quem bandido deve estar atrás das grades 15/06/2013 às 17:56
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Atualmente existem, na justiça do Amazonas, 474 processos cuja autoria do crime continua desconhecida
Joana Queiroz Manaus

Não basta só identificar o autor do crime. Ele tem que ser localizado e preso. É com esse pensamento que os delegados de Polícia Civil Carlos Tavares e Roberto Campainha trabalham para dar cumprimento às solicitações de juízes e promotores das varas do Tribunal do Júri para a realização de novas diligências em processos que, na maioria das vezes, chegam à Justiça com a autoria desconhecida. Atualmente, existem 474 processos nessa situação.

Segundo o delegado Carlos Tavares, a maioria desses processos está voltando para a justiça com as diligências cumpridas. Em 2011 foram 136 processos que corriam o risco de ir para o arquivamento por estarem com autoria desconhecida. Eles voltaram para a justiça com os nomes dos autores, alguns deles presos. Em 2012 foram 217 e, em 2013, até o final de abril deste ano já eram 257 processos. São processos de crimes que aconteceram a partir de 2004.

Carlos Tavares disse que muitas vezes ele consegue identificar e até prender os homicidas só fazendo algumas ligações telefônicas. Ou ainda com a ajuda do retrato falado dos suspeitos que é uma ferramenta usada pela polícia e que tem ajudado muito a polícia na elucidação dos crimes. Segundo o delegado, alguns  dos suspeitos têm rostos identificados, mas as identidades ainda são desconhecidas. A expectativa é de que alguém possa reconhecê-los e informar a polícia.  “Muitas vezes a gente divulga na imprensa a imagem de um foragido e sem muita demora chegam informações para nós dando conta do paradeiro dele”, diz Tavares.

Atualmente, a dupla de delgados está tentando localizar um homem identificado apenas como Alexandre, o “Chance”. Ele está sendo apontado como o assassino do cabeleireiro Gilson Zau Farias, o “Gil Cabeleireiro”, dono de um salão localizado na avenida Carvalho leal, bairro da Cachoeirinha, Zona Sul. O crime aconteceu em 2008 e o processo chegou à justiça tendo outro nome como sendo o autor do crime. O delegado espera localizar o suspeito por meio do retrato falado de uma tatuagem que o mesmo tem no braço, com a imagem de Jesus com a coroa de espinho sangrando.

Identificação

Os delegados também estão tentando identificar uma vítima  de um processo que já está com a autoria identificada e pronto para ser julgado. O que os delegados têm é a foto da vítima feita no Instituto Médico-Legal (IML). A mesma ficou por muito tempo em uma câmara frigorífica, aguardando por parentes para identificá-la e acabou sendo sepultada como indigente.

Policial civil teve crime elucidado

Os delegados disseram que entre os crimes que já foram solucionados está o do policial civil José Albérico da Cruz Andrade, ocorrido  em 2008. Os autores foram identificados e levados a julgamento no mês de maio. Eles são Givaldo José dos Santos, José Henrique Silva de Andrade e Adonias Júnior Cardoso Filho.

Segundo os delegados, há casos que o processo retorna somente para ouvir testemunhas como é o caso  do melhor de Jeferson de Souza Caldas, ocorrido em 2006, cuja autoria é atribuída ao tenente-coronel da Polícia Militar Audo Albuquerque, que alegou ter agido no estrito cumprimento do dever legal. O promotor do caso solicitou que fosse ouvida uma testemunha, mas esta já está morte.

Uma das dificuldades que os delegados enfrentam para chegar aos autores dos crimes é o pacto de silêncio, principalmente entre pessoas que estão nos presídios. Quando um preso é assassinado, dificilmente  a autoria é identificada. Muitas vezes um terceiro é obrigado a assumir a autoria do crime e as sindicâncias instaladas para apurar as mortes nunca são concluídas.

Os delegados têm outros processos que já estão com os retratos falados prontos e só falta os autores serem identificados. Eles têm a esperança de que muitos deles poderão ser identificados assim que suas imagens sejam divulgadas na imprensa. “Nós esperamos que a população colabore. Caso reconheça um dos criminosos, que denuncie por meio do disk-denúncia 181 da Secretaria de Segurança Pública (SSP)”, informaram.

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