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Cotidiano
SETEMBRO AMARELO

Problemas mentais como ansiedade e depressão crescem entre os mais novos

Centro de Valorização da Vida (CVV) informa que mais de 90% das pessoas que tentaram ou praticaram suicídio têm um histórico ou tendências a desenvolver problemas mentais 30/09/2017 às 05:20
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O Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, que será o palco da ação de hoje, ainda oferece atendimento emergencial (Foto: Arquivo/AC)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Mais de 90% das pessoas que tentaram ou praticaram suicídio têm um histórico ou tendências a desenvolver problemas mentais, segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV).  E é entre os jovens que os casos de depressão, ansiedade e síndromes de pânico latente mais cresce. Os dados  da Associação Amazonense de Psiquiatria (AAP) destacam a importância de ficarmos atentos às mudanças de comportamento que possam apontar indícios de postura suicida, como o afastamento da família, amigos e atividades sociais. 

O alerta é da psiquiatra Alessandra Pereira, que revela que mais de 90% das pessoas com comportamento suicida tem um transtorno mental de base que precisa ser adequadamente tratado para reduzirmos o número de casos, que atualmente fazem de Manaus a 8ª capital do País em números de suicídio. Segundo ela, esses dados tendem a crescer, principalmente entre os jovens. 

“Suicídio é uma emergência médica e o tratamento precisa ser conduzido por profissionais habilitados, médicos e psicólogos. A verdadeira prevenção ao suicídio é o tratamento adequado”, afirmou.

Como prevenção ao suicídio, a especialista destaca o combate ao estigma e à psicofobia - preconceito contra as pessoas com transtorno. Segundo Alessandra, o estigma é um grande responsável pelo portador de transtorno mental não procurar ajuda e não chegar ao tratamento adequado. “Enquanto isso, a psicofobia inicia dentro da própria família e no lar do portador de transtorno mental,  que negam a necessidade do tratamento adequado”, completou.

Nesses casos, a psiquiatra afirma que o apoio pode ser buscado nas redes pública ou privada, através de atendimento psicológico ou médico, e encaminhado para um psiquiatra quando houver a necessidade. “O Pronto Socorro do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro dispõe de psiquiatras de plantão 24 horas diariamente para atender situações de urgência. Principalmente surtos ou crises de comportamento que resultam em agitação e agressividade. Mas em qualquer situação se deve buscar uma ajuda médica”, reforçou. 

Prevenção

Conforme os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. O primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio no Brasil, divulgado pelo do Ministério da Saúde (MS) este mês, aponta os principais fatores de risco.

Entre eles estão os transtornos mentais, como depressão, alcoolismo e esquizofrenia. Mas, também podem favorecer as questões sociodemográficas, como isolamento social. As psicológicas, como perdas recentes e condições incapacitantes completam a lista. No entanto, o MS ressalta que tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado de forma individual.

O boletim revelou que no Brasil aproximadamente 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no País: 79% delas foram homens e 21% mulheres. Outro detalhe apontado na pesquisa é que, a cada 45 minutos, um brasileiro morre, vítima do suicídio.    

Para auxiliar no combate

Em Manaus existe o Núcleo de Apoio à Vida (Navima) que faz esse trabalho de orientação e conversa para aqueles que necessitarem. O núcleo está com campanhas para conseguir implantar a linha direta de apoio e também uma base física de orientação para os que buscam por ajuda.

Evento encerra campanha

Para encerrar a campanha Setembro Amarelo deste ano, o Núcleo de Apoio à Vida Manaus (Navima)realiza, na manhã de hoje, o evento “Todos Juntos pela Vida”,  na área externa do Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, localizado na avenida Constantino Nery, Chapada, Zona Centro-Sul da capital. 

Conforme o núcleo, a ideia é reforçar o encorajamento da  participação de acadêmicos, profissionais e da comunidade em atividades informativas e de sensibilização a respeito da importância de falar abertamente sobre suicídio. “O tema da ação convida a todos para uma reflexão do significado do mês de setembro. Por conta disso, iremos realizar atividades, como performances artísticas, roda de conversa, distribuição de panfletos, espaço para acolhimento e escuta, dentre outras”, disse a psicóloga Aline Félix, integrante do núcleo.

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