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Problemas na zona rural de Manaus vão de a precariedade das escolas à falta de água potável

O distanciamento do Poder Público deixam comunidades da zona rural invisíveis e carentes de necessidades mais básicas 28/02/2015 às 16:40
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O local também não possui unidade básica de saúde
Janaína Andrade Manaus (AM)

Quatro comunidades rurais, localizadas à margem esquerda do Rio Amazonas, visitadas pela reportagem do jornal A CRÍTICA, enfrentam o distanciamento institucional do poder público. Os problemas vão desde a precariedade das escolas à falta de água potável e energia elétrica.

A Comunidade Santa Luzia do Tiririca (a 70 quilômetros via fluvial da capital), última comunidade localizada à margem esquerda do rio Amazonas, a duas horas de Manaus, onde vivem 45 famílias, não começou o ano letivo bem: a escola São João, construída pela própria comunidade, ainda não iniciou as aulas por falta de professor. 

O local também não possui unidade básica de saúde, e apenas uma vez por mês recebe a visita de um agente de saúde. O descaso segue com a falta de água potável e energia elétrica.

O fundador e líder da comunidade, Sebastião Leal, 68, desabafa: “Aqui ninguém é resto para não ser lembrado, porque parece que todo mundo quer montar em cima”.

Segundo Sebastião, com a falta de professor na escola, dos 35 alunos do ensino médio, apenas 9 estão estudando numa comunidade próxima – Comunidade São Francisco do Caramuri, a 20 minutos de rabeta da comunidade. “A escola pode ser pequena, quente, mas a gente quer que o prefeito envie um professor para cá”, disse.

A escola da comunidade possui apenas uma sala de aula, onde alunos do ensino infantil e fundamental se dividiam, até 2014, no mesmo espaço para ter acesso à educação. 

Mãe de dois alunos, Silmara Freitas de Souza, 29, diz que apesar de não ser o local ideal para se estudar, não quer ver os filhos de 9 e 10 anos se arriscando diariamente numa “voadeira” (embarcação de pequeno porte). “Somos eleitores, hoje somos nós que estamos precisando deles (Poder Público), amanhã serão eles”, destacou a dona de casa.

Na comunidade São Francisco do Caramuri (a 68 quilômetros de Manaus via fluvial), a escola municipal Luiz Alberto Castelo, foi construída pela própria comunidade na beira de um barranco, onde 28 alunos do 1° ao 5° ano estudam numa mesma sala, sem refrigeração, apesar de já possuírem energia elétrica. Não há água potável.

Durante a visita da reportagem, nem a diretora, nem o único professor estavam no local, somente a merendeira. A escola recebeu merenda escolar no mês passado, mas as condições de armazenamento revelaram que houve um comprometimento da qualidade dos alimentos.

"Hoje os nossos três principais problemas são a educação, a saúde e a energia elétrica. Aqui não temos uma unidade de saúde, quando precisamos de algo temos que ir à comunidade Caramuri, com pelo menos quatro dias de antecedência, porque se for na hora não consegue atendimento. Há cerca de um mês, tive um derrame e quase morro, pois nem no Rio Preto queriam me atender”, disse Sebastião Leal, líder da comunidade Santa Luzia do Tiririca.

Erivelton Marinho Leal de Sá, 35, morador da comunidade Santa Luzia do Tiririca, explicou que antes o local era administrado pela Prefeitura de Rio Preto da Eva, mas com as constantes ausências e descasos, decidiram iniciar o processo para transferência da comunidade para Manaus, já que a área está dentro do limites territoriais da capital amazonense. “Queremos acesso à educação. Estamos pedindo apenas um professor para que o acesso das nossas crianças à educação não fique estacionado”, reivindicou. 

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