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Procurador-geral deve investigar saída ‘perigosa’ de detentos do regime semiaberto do AM

Liberdade para prisioneiros sair da penitenciária, fazer assaltos e voltar para dormir deve ser explicada pelo Estado, segundo procurador-gerla Fábio Monteiro 22/10/2014 às 09:34
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Procurador Fábio Monteiro promete reunir promotores que atuam na Vara de Execuções Penais para abrir investigação
Joana Queiroz Manaus-AM

A saída de presos do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) para praticar crimes será alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE), conforme anunciou ontem o procurador geral de Justiça, Carlos Fábio Monteiro. Ele não descarta a possibilidade de que as saídas de presos estejam acontecendo em conluio com pessoas que exercem o controle da segurança da unidade prisional.

O procurador, que está em Brasília, disse ter ficado sabendo do assalto ao colégio e convento Preciosíssimo Sangue, quando seis assaltantes, todos do sistema semiaberto, invadiram o local e fizeram 11 religiosas de reféns, entre elas cinco acamadas. Os bandidos acabaram sendo presos por policiais da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD).

Fábio Monteiro disse ser inadmissível que alguém que esteja preso consiga sair para praticar crimes e depois voltar para onde está custodiado. “Há algo muito estranho nisso que precisa ser apurado de imediato para evitar que essas saídas que acontecem fora do que manda a lei continue acontecendo”, disse o procurador.

Investigação

Monteiro informou que vai reunir os promotores que atuam na Vara de Execuções Penais (VEP) e o coordenador do Centro de Combate ao crime Organizado (Caocrimo) para abrir uma investigação sobre a conduta dos servidores que trabalham naquela unidade para então determinar que sejam tomadas as medidas necessárias. Para ele, é uma coisa surreal e inadmissível que isso venha acontecendo.

O promotor de Justiça que atua na 2ª Vara do Tribunal do Júri, Ednaldo Medeiros, afirmou que o sistema penitenciário do Estado está sem controle. “Do jeito que está não dá para continuar. O regime semi-aberto virou álibi para a prática criminosa”, disse o promotor. Para Medeiros, o sistema precisa passar urgente por uma reformulação. Os crimes estão sendo praticados por bandidos conhecidos que deveriam estar encarcerados.

Medeiros disse que o pior é a facilidade de movimentação que os presos têm. “Isso é um incentivo a criminalidade e o descrédito das instituições de segurança”, afirmou o promotor. De acordo com ele, se não for tomada nenhuma medida para reverter essa situação, as organizações criminosas vão se instalando dentro das unidades prisionais e o Estado vai acabar perdendo a guerra.

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