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Cotidiano
Produção Industrial

Produção Industrial recua 2,2% no Amazonas

Indústrias amazonenses sentem os efeitos da crise que afeta a economia brasileira e amargam queda entre maio e junho 09/08/2013 às 10:50
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Queda foi registrada por levantamento do IBGE
Adan Garantizado Manaus

Entre maio e junho, a produção industrial no Amazonas despencou 2,2%. Foi o terceiro mês seguido de recuo dela entre as empresas do setor no Estado. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice de junho representa a maior queda do ano no indicador da indústria local. No Brasil, o Amazonas obteve o terceiro pior índice de produção em junho, ficando atrás apenas dos Estados do Paraná (-3,0%) e de Goiás (-2,3%).

Em 2013, o Amazonas só obteve bons resultados de produção nos meses de janeiro e março. Mesmo assim, o Estado ainda está “no azul” neste ano, registrando um crescimento de 2,2% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Boa parte desta alta é creditada aos meses de abril e maio, que registraram respectivamente, crescimentos de 9,6% e 6,6% em relação a  2012.

Mas, quando os dados dos últimos 12 meses são computados, os índices negativos voltam à tona. Na somatória, o Amazonas recuou 3,1% e foi o quinto Estado com o pior desempenho de produção industrial no Brasil neste período.

Retração

Para o economista da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Gilmar Freitas, a queda se justifica pela retração no mercado nacional. “Nossa produção vai quase que sem sua totalidade para o mercado nacional, que atualmente enfrenta uma retração, principalmente pelas limitações de linhas de financiamento e de crédito. Com o consumidor sem crédito não há demanda. O mercado de duas rodas é um dos mais atingidos”, explicou.

Gilmar disse que apesar do primeiro semestre ruim, os desempenhos da produção industrial no Estado devem superar os do ano passado com folga. “Podemos crescer tranquilamente 5% na produção. O faturamento crescerá cerca de 10%. A tendência a partir deste mês já é de crescimento por conta do dia dos pais. Depois já entra o dia das crianças e as festas de final de ano”, completou Gilmar.

Altos e baixos

O segmento de duas rodas foi o que apresentou a maior queda de produção na comparação entre os primeiros semestres de 2013 e 2012. O setor registrou baixa de 11,3%.  A produção de celulares também foi impactada, com queda de 7%. Outro polo que recuou foi o de televisores de LCD, que desceu 3,6%. Em compensação, alguns outros setores se destacaram e conseguiram manter os índices estáveis. A produção de bens de informática, por exemplo, cresceu 46,9%. Os relógios produzidos no Pólo Industrial de Manaus também obtiveram bons números neste primeiro semestre, registrando crescimento de 17,1%.

O faturamento do PIM no semestre apresentou alta de 11,4% em relação ao ano anterior. Os bens de informática (44,6%), e os setores químico (14,3%) e termoplástico (11%) foram os que mais cresceram. O faturamento do setor de duas rodas recuou 5%. Por conta da situação ruim da indústria, a oferta de empregos estagnou. Entre maio e junho houve alta de 0,6%.

Dez capitais registram crescimento

Dez das 14 cidades onde o IBGE realiza pesquisa, apresentaram crescimento na produção industrial na passagem de maio para junho.  Os avanços mais elevados foram registrados por Pará (5,9%), Rio Grande do Sul (3,9%), Bahia (3,1%), Santa Catarina (2,9%), São Paulo (2,9%) e Rio de Janeiro (2,3%). Região Nordeste (1,8%), Ceará (1,7%), Pernambuco (1,5%) e Espírito Santo (1,2%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas, mas que foram menos intensas do que a média nacional (1,9%). O Paraná, com queda de 3,0%, mostrou o recuo mais acentuado, eliminando parte da expansão de 7,4% acumulada entre os meses de março e maio. Os demais resultados negativos foram observados em Goiás (-2,3%), Minas Gerais (-0,8%) e no Amazonas, conforme o já explorado.

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial avançou 3,1% em junho de 2013, com expansão em nove dos 14 locais pesquisados. Nesse mês, as taxas positivas mais intensas foram observadas no Rio Grande do Sul (11,8%) e Bahia (9,9%).

Duas rodas produz menos

O setor de duas rodas fechou o mês de julho com sinais de queda, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

No mês, em função das férias coletivas parciais das fabricantes, foram produzidas 114.350 motocicletas, contra 152.966 em junho, correspondendo a uma redução de 25,2%.

As vendas no atacado refletiram esta situação de menor produção e ficaram 23,9% abaixo na comparação entre os dois meses, com 105.490 contra 138.586 unidades.

Na comparação de julho passado com mês similar de 2012, no entanto, a produção de motocicletas aponta um crescimento de 50,8%, enquanto as vendas no atacado tiveram alta de 21,6%. Isto se deve ao fato de as férias coletivas de julho de 2012 terem sido mais longas que as ocorridas em 2013.

No varejo, o encerramento do mês foi positivo, porém deve ser considerado que julho contou com três dias a mais de vendas (23 dias úteis) em comparação com junho (20 dias úteis). Com base nos licenciamentos registrados pelo Renavam (Denatran), houve um aumento de 7,3% no emplacamentos de motocicletas em relação ao mês anterior, totalizando 134.193 unidades, contra 125.046.

Em contrapartida a esse crescimento, houve um recuo de 3,1% sobre o mesmo período de 2012. Já no acumulado de janeiro a julho de 2013, os emplacamentos ficaram 10,6% abaixo do volume registrado nos primeiros sete meses de 2012, com 882.478 contra 987.002 unidades.

“O segmento de motocicletas ainda apresenta índices abaixo dos registrados em 2012, mas precisamos considerar que, historicamente, o segundo semestre costuma apresentar números relevantes. Além disso, neste semestre o setor contará com vários atrativos para estimular o mercado, como o lançamento de novos modelos, campanhas de marketing e a realização do Salão Duas Rodas, em outubro, em São Paulo.

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