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Cotidiano
PRODUTIVIDADE FORTALECIDA

Produto natural repele insetos e melhora plantio de guaraná no interior do AM

Relação das formigas tachi e taracuá com os guaranazais foi ponto de partida para criação do repelente que ajudou a afastar pragas de plantações em Urucará e Maués 26/02/2019 às 18:27 - Atualizado em 26/02/2019 às 18:28
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com Manaus (AM)

No Amazonas, os produtores de guaraná dos municípios de Urucará e Maués estão fazendo uso da homeopatia para afastar pragas, como o inseto tripes, que ataca as plantações, principalmente, no período de floração. O trabalho, desenvolvido com o apoio da Coca-Cola Brasil, teve início, em 2015, e já traz resultados positivos como a repelência do inseto e o aumento de produtividade nos guaranazais.

O tripes, de acordo com o agrônomo e especialista em agricultura para o Amazonas da Coca-Cola Brasil, João Carlos Santos, é o inseto que mais causa danos às plantações de guaraná. Com aproximadamente dois milímetros de comprimento, em média, ele se reproduz de forma exponencial no período seco e de altas temperaturas.

“Esse é exatamente o período da florada do guaraná. Na fase inicial, o inseto pode ser encontrado na parte inferior de folhas novas, em estágio de desenvolvimento, causando deformações e queda das plantas. Já nas inflorescências o inseto provoca o secamento prematuro das flores impedido a florada e o nascimento de frutos. É possível também o ataque aos frutos nos estágios iniciais, comprometendo o crescimento. A ação severa do inseto pode levar a perda de 100% do guaraná”, explica João.

Para combater o predador de forma natural, o conhecimento dos produtores foi fundamental. “Os próprios produtores observaram que as formigas tachi e taracuá são repelentes naturais. Onde existe essas formigas no pé de guaraná não se encontra a presença do tripés e a produção é abundante. Os dois não convivem juntos. Isso foi o ponto de partida para que buscássemos um produto natural com base nessas formigas para que o inseto fosse repelido, sem causar um desiquilíbrio ambiental ou a predação das formigas em outros habitats”, destaca o agrônomo.

E foi na homeopatia, explica João Carlos, que eles encontraram a saída para repelir o inseto e melhorar a produtividade nos guaranazais sem necessidade do uso de moléculas químicas ou a multiplicação de ‘casas’ de formigas taracuá e tachi.

“Com a consultoria de uma empresa especializada em homeopatia foi elaborado um preparado homeopático e iniciamos gradativamente as aplicações localizadas e de baixo volume nas flores de guaraná emitindo para o ecossistema um sinal de que, naquelas flores, existe essa formiga. Isso explica, de forma simples, o efeito de repelência do tripes”, pontua.

Homeopatia na agricultura 

O farmacêutico e especialista no tema, Alexandre Henrique Leonel, da Homeopatia Brasil - uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de produtos homeopáticos para uso na saúde humana, na medicina veterinária e na agricultura – explica que a homeopatia é uma ciência com mais de 200 anos de existência e, desde o início, teve como foco a vitalidade dos indivíduos. Segundo ele, o uso de produtos homeopáticos em plantas tem crescido nos últimos dez anos, muito disso se deve ao aumento da demanda por alimentos seguros, livres de resíduos de agrotóxicos.

"Inicialmente aplicada ao ser humano, a Homeopatia logo conquistou espaço na medicina veterinária e mais recentemente no Brasil a agricultura tem se interessado pelo assunto. A grande contribuição é o estímulo da vitalidade do sistema solo-planta com o objetivo de favorecer a produção de alimentos de forma segura e sustentável”, disse.

O preparado homeopático de uso nos guaranazais, ressalta Alexandre, se deu de forma extremamente científica. “A avaliação minuciosa das condições de campo, bem como dos fatores que favoreciam a presença do inseto-praga nas plantas nos permitiu considerar a hipótese de que existiria uma relação simbiótica entre o guaranazeiro e as formigas tachi e taracuá. O desafio estava lançado no sentido de desenvolvermos um produto homeopático capaz de mimetizar, induzir, ou até mesmo simular a presença das formigas em todos os guaranazeiros”, explica.

Melhora na produtividade

Depois de estudos e testes chegou-se a uma formulação com a qual os produtores pudessem pulverizar os cachos de flores e então afugentar ou repelir o tripes.

Inicialmente os trabalhos começaram por Maués e, em seguida, em Urucará, segundo João Carlos. Os produtores receberam assistência técnica e treinamento para a identificação das plantas infestadas pelo tripes e, ainda, para a aplicação do produto. 

“A ação foi capaz então de garantir a frutificação das flores do guaranazeiro e por fim levar a uma produção de frutos com qualidade suficiente para serem comercializados”.

De acordo com o produtor e presidente da Cooperativa Agrofrut de Urucará, Antônio Carlos Monteiro, antes do uso da homeopatia havia muita perda de produção e os produtores não entendiam o porquê da baixa produtividade. “Nós tínhamos um problema. As plantações floravam e não aparecia a produção correspondente. Tinha muita perda, descarte. Foi aí que a gente fez um convênio para assistência técnica. Deu muito certo, a produtividade aumentou para os produtores que seguiram o cronograma correto e a produção até superou a expectativa”, comemora.

Com dois hectares de área plantada, o produtor Márcio Queiroz é um dos que comemora o aumento da produtividade após o uso da homeopatia. “Em algumas áreas saímos de 400 quilos para cerca de 550, após o uso da homeopatia. A gente vê que deu resultado. Isso também traz mais mão de obra porque aumente a colheita e isso demanda chamar mais gente para trabalhar”, destaca.  Para o produtor, a assistência técnica trouxe melhorias significativas para o cultivo do guaraná. “Quando a gente não conhecia os nossos guaranazais não sabíamos o porquê de uns produzirem muito e outros poucos. Às vezes, uma árvore do lado não produz nada e a outra produz muito. Ao iniciarmos a assistência técnica passamos a entender de fato sobre a produção. A partir do trabalho com a poda, o corte e, principalmente, com a homeopatia, começamos a ter mais retorno”, comenta.

Quem também exalta os bons resultados é o produtor Edér Moises Paz. Na última safra ele colheu aproximadamente 1,2 tonelada de guaraná: “Foi o meu segundo ano usando a homeopatia e pude perceber que os cachos estavam mais cheios na floração e na colheita com frutos maiores e mais bonitos. Inclusive a área mais velha deu até mais frutos do que a área nova”.  O aumento da colheita para o produtor ajudou até na contratação de mão de obra temporária. “Em 2017, nós éramos dez pessoas para a colheita. Duas pessoas da família e as outras oito foram contratadas para esse período. Nesta safra (2018/2019) queremos repetir os bons resultados”, conclui Éder.

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