Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
publicidade
produtores-ruarais_C71CA490-ACAD-45D9-8E79-C4C45A3F9A3F.JPG
publicidade
publicidade

AGRICULTURA

Produtores rurais do Amazonas podem ter acesso a linha de crédito de R$ 275 milhões

Além do crédito no Banco da Amazônia, Sepror promete lançar ainda no primeiro semestre o Plano Safra da Agricultura Familiar


30/01/2019 às 21:07

Dentre as ações de desenvolvimento do setor primário divulgadas para este ano, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) apontou que R$ 275 milhões estão disponíveis para o crédito rural no Banco da Amazônia (Basa), além da promessa do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar para o primeiro semestre.

O plano serve principalmente para delinear as cadeias produtivas com as associações e cooperativas do setor no Estado. O plano de ações foi divulgado ontem em reunião com representantes de 28 sindicatos do setor. 

O titular da Sepror, Petrúcio Magalhães, afirmou que está dialogando com instituições de pesquisa e fomento para alavancar o setor produtivo. “Estamos em busca de pesquisas aplicadas para a otimização da produção e do comércio de diversos insumos”, disse Magalhães. A ampliação de benefícios fiscais para insumos vindos de outros Estados também está incluído, segundo o secretário.

Atualmente, o produtor rural tem a isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), porém, o preço sai ainda mais barato quando comprado fora do Amazonas.

A criação do Conselho Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Ceapo) também está dentro das ações para este início de gestão. A lei que institui o órgão está em vigor deste abril do ano passado, quando instância estadual foi sancionada pelo Poder Executivo.

Sem estrutura

A principal reivindicação do setor primário na reunião com o Poder Público foi a precariedade com que os agricultores familiares vivem. A produtora Maria do Rosário, de 50 anos, criticou a falta de energia elétrica em sua comunidade, localizada no Lago do Juma, em Autazes (a 107 km de distância de Manaus).

Segundo ela, o principal prejuízo é não poder trazer o pescado da região para vender em outros lugares. “Só conseguimos tirar os peixes se tivermos como refrigerar, mas como fazê-lo sem luz?”, reclamou. 

A produtora rural Maria Lucinete, de 51 anos, que mora mais próxima a Manaus, ressaltou que sua comunidade também carece de infraestrutura básica. 

Residente a 60 km adentro do ramal do Pau Rosa, no km 21 da BR-174 (Manaus/Boa Vista) ela disse que a ausência de pavimentação das ruas impede o escoamento da produção de alevinos. “Forneço leite e outros itens básicos para a comunidade, mas todo o escoamento é paralisado quando não conseguimos levar os itens para vender ou os compradores não conseguem chegar até nós. Além disso, toda a nossa família é produtora agrícola, porém, só uma pessoa pode ter os benefícios da carteirinha”, lamentou.

Denise Kassama, consultora do Conselho Federal de Economia

Apesar  da Zona Franca de Manaus (ZFM) também englobar o fomento à agropecuária, as pessoas só lembram da indústria e do comércio quando o tema é abordado. Isso se dá pelo grave problema de logística enfrentado na região, não somente pelos entraves geográficos, mas a ausência de investimento na infraestrutura do setor. Isso, consequentemente, impede as empresas de apostarem no crescimento agropecuário no mesmo nível que visam o industrial. A agricultura familiar não somente é fonte de abastecimento alimentício para as cidades, mas uma fonte rica de geração de empregos. Facilitar a implementação de insumos, investir na parte de estocagem e transporte, entre outras partes técnicas, é a solução para o escoamento eficaz do produtor. Não é à toa que a agricultura familiar representa em média 70% da produção agrícola de todo o País, incluso no Produto Interno Bruto.

Edjane Rodrigues, presidente da Fetagri-AM

Representando os mais de 275 mil agricultores do Amazonas, conforme o último censo do IBGE, 65 lideranças apresentaram uma lista de prioridades através da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Amazonas (Fetagri-AM) ao governo. “O gargalo sofrido há anos é a falta de organização das associações e cooperativas do Estado em relação às dez unidades regionais responsáveis pelo zoneamento econômico da produção. Cada uma comercializa como bem entende o que desencadeia uma competitividade injusta na hora de ofertar os insumos para a merenda escolar das escolas, por exemplo. Também é preciso de subsídios para a formação do jovem agricultor, visto que há muitos analfabetos tecnicamente. É o próprio legado da família que precisa ser investido para que permaneça conservado. Uma política diversificada para cada produto agro nos municípios do Amazonas é essencial para atender às diferentes necessidades das famílias. A ampliação de programas sociais, como o de acesso ao crédito, Pronaf, é imprenscindível".

publicidade
publicidade
Em Parintins, Boi Boiola realiza chegada das itens no próximo dia 28
Bolsonaro e Paulo Guedes se contradizem ao falar sobre Zona Franca de Manaus
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.