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Produtos regionais somem das feiras de Manaus

Mercado local amarga a falta de cupuaçu, graviola, pupunha e outras frutas que não ainda não são cultivadas em escala 18/06/2013 às 08:20
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Frutas regionais não são produzidas em escala no Amazonas, onde predomina ainda fortemente a cultura da coleta
jornal a crítica Manaus

Além do tucumã, o mercado local amarga a falta ou escassez de cupuaçu, graviola, popunha, macaxeira, castanha, maracujá, mamão , taperebá e maracujá. Foi o que constatou A CRÍTICA ao visitar nesta segunda-feira (17) a Feira Manaus Moderna.

“Alguns deles não se encontra mais mesmo e outros estão sendo trazidos de fora com o preço elevado e o consumidor sente essa diferença”, comenta o feirante Aldo da Costa.

O problema é aquele de sempre: o Amazonas não tem uma cultura de cultivo racional – e em larga escala – desses produtos regionais. Vive, ao contrário, basicamente da coleta deles, o que inviabiliza o consumidor local de tê-los regularmente em sua mesa. A oferta reduzida tem um efeito ruim para o bolso do consumidor, que acaba tendo que desembolsar um pouco mais por esses produtos”.

Fato comprovado pela dona de casa Maria do Socorro Souza, que costumava consumir diariamente taperebá, tucumã e pupunha no café da manhã. Nesta segunda (17), ela esteve na Feira Manaus Moderna e verificou no bolso o aperto dos preços.

“Não estamos na época de nenhum deles, então o jeito é pagar mais caro até que venha uma nova safra e a oferta aumente”, lamentou a consumidora, que acredita que com o passar dos anos frutos regionais estão ficando cada vez mais escassos.

Mais que dobrou

Aldo, que comercializa tucumã, comprava a saca do produto por R$ 50. Agora, na entressafra, passou a pagar pela mesma quantidade mais de R$ 200. “Antes, vendíamos o quilo do tucumã por R$ 15, enquanto hoje não sai por menos de R$ 50. Quem tem padaria ou trabalha com café da manhã regional não tem deixado de comprar, mas eles acabam tendo que aumentar o preço do x-caboquinho”, afirma o feirante.

O cupuaçu também desapareceu das bancas das feiras, o que tem inclusive frustrado alguns turistas. “Muitas pessoas de foram vêem aqui na feira para conhecer a fruta e acabam saindo frustradas, porque a época dele é de janeiro a maio”, ressalta Jorge Mirek, o único feirante que ainda possuía o cupuaçu, que era do restante da última safra.

Cheia
O Maracujá e o mamão são alguns dos frutos que têm sofrido com a cheia dos rios, que acabou cobrindo as plantações na área de várzea. Por conta disso, a saída para muitos feirantes foi trazer os produtos de fora do Estado. “Temos trazido o maracujá de Porto Velho, em Rondônia, onde compramos o quilo por R$ 3,50 e o revendemos a R$ 4. Já o mamão está sendo trazido de Santarém, no Pará, e acaba saindo por R$ 3,50. Antes, vinha sendo vendido por R$ 2”, revela o feirante Eduardo Machado.

Para o vendedor de polpas Francisco Nazareno, a solução encontrada foi acondicionar as polpas em um freezer para não faltar no restante do ano. Ele fez isso com o taperebá, que costuma ser colhido apenas duas vezes ao ano. Atualmente, oquilo sai a R$ 8, mas na época do fruto a polpa chega a custar R$ 5.

“Algumas delas nós tivemos que trazer de fora para compor o estoque, porque aqui está em falta mesmo. É o caso da acerola e da graviola, que estão sendo compradas em Fortaleza”, explicou.

Cheia dos rios e escoamento

De acordo com o diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), José Ramonilson Gomes, a sazonalidade é a causa do desabastecimento de vários desses produtos, como o cupuaçu e o tucumã. “Já o mamão, a cheia dos rios é o que tem levado o consumidor sentir a falta dele”, informou.

Com a cheia dos rios, Gomes diz que a alternativa encontrada pelos agricultores foi criar canteiros suspensos sobre estacas de madeira para cultivar salsinha, coentro, couve e cebolinha.

Neste período, segundo ele, quando inicia o verão, há ainda aqueles que utilizam a água do período chuvoso para irrigar o cultivo, por exemplo, de abacaxi, laranja e limão, que largamente produzidos nos arredores de Manaus.

Gomes diz que o escoamento é um gargalo, pois impede que parte da produção dos municípios chegue à capital. Disse, ainda, que apesar dos recursos tecnológicos disponíveis, a produção de determinados alimentos se torna difícil pelo clima e solo característico da Região. “O tomate, por exemplo, acaba saindo mais caro cultivar ele aqui do que comprar de fora”, exemplifica José Gomes.

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