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Professor da Ufam propõe novo jeito de ensinar História

Tese de doutorado do professor Ricardo Bessa indica o uso de novas metodologias no ensino da disciplina em sala de aula 14/06/2015 às 15:19
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Professor da Universidade Federal do Amazonas, Ricardo Bessa mostra o guia desenvolvido para os professores
Isabelle Valois Manaus (AM)

Transformar a tradicional sala de aula em fonte para um ambiente de construção do conhecimento é o novo método que o professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ricardo Bessa, desenvolveu em sua tese de doutorado para ser aplicado nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o País.

Cansado das metodologias tradicionais que os professores adotam, segundo ele, “desde o período da colonização do Brasil”, Bessa foi a fundo na pesquisa e desenvolveu um novo método disciplinar que se transformou em um “guia” para educadores, e que tem a previsão de lançamento para julho deste ano, no Rio de Janeiro.

O pesquisador explicou que a tradição portuguesa de só apresentar o conteúdo ao aluno precisa ser trocada por outra, em que o aluno desenvolva o seu conhecimento. Para que este novo método inicie, o professor necessita realizar um questionário social para saber qual o trabalho a qual o professor deverá se dedicar para fazer com que os alunos “entrem” na metodologia de ensino. “A criança precisa entender, desde criança, que o Brasil não foi descoberto pelos portugueses. Esta raiz ainda é de Portugual, estamos desenvolvendo e precisamos mudar esse conhecimento e apresentar a verdade”, explicou.

Bessa disse que, com este novo conceito, qualquer professor de História pode transformar o espaço de aula em um local voltado para criatividade dos alunos, desenvolvendo o interesse e colaborando para a redução da evasão escolar. Com a aplicação do novo projeto, os alunos vão aprender a desenvolver a criatividade. “Há tantas formas de conseguir realizar o entendimento de um assunto, música, viagem, entre outros”, completou.

Conforme Bessa, a tese de doutorado em História, concluída na “Faculdade de Xeografia e História” - tradicional unidade de educação da Europa - foi polêmica, pois vai contra a posição européia sobre os princípios da história do Brasil. A tese se transformou no livro Contexto no Ensino da História: “Do Advento da internet ao colapso tradicional”.

Bessa, agora, procura parcerias e apoios para o projeto para ser desenvolvido em Manaus. “Quero poder ver uma nova sociedade, onde os alunos tenham criatividade. Meu trabalho todo é esse, tenho certeza que assim poderemos mudar a população, que está acostumada a só receber o conhecimento e não o desenvolve, não cria. Por isso, busco parcerias das secretarias estaduais e municipais de ensino e abro mão dos direitos, pois meu papel é colaborar”, disse.

Método promove a autonomia

O método proposto pelo pesquisador Ricardo Bessa para a produção do conhecimento a partir do cruzamento de fontes se destina à possibilidade de dar aos alunos o convívio com uma pedagogia libertadora e propícia à afirmação de suas personalidades.

Outro ponto que o pesquisador pretende estimular com a metodologia é a criatividade dos alunos e a sua autonomia intelectual, além de promover o desenvolvimento da capacidade de observação.

O trabalho vai permitir, ainda, o desenvolvimento intelectivo da abstração. Conforme Bessa, esses são os procedimentos que a pedagogia tradicional, centrada no professor e na aula expositiva, não oportuniza.

O professor Ricardo é formado em História pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tem Mestrado em Ciência Política e recentemente recebeu o título de Doutor em História.


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