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Cotidiano
RESSOCIALIZAÇÃO

Professor quer reabilitar detentos do Amazonas com projeto socioeducativo

A proposta é fazer o detento ter autoconhecimento, alcançando um despertar espiritual, qualificação social e profissional e a saúde mental 12/02/2018 às 17:13 - Atualizado em 12/02/2018 às 17:20
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Professor Almir Barros Carlos. Foto: Arquivo AC
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Reabilitar detentos por meio do autoconhecimento e do reconhecimento dos seus atos criminosos é o objetivo de um projeto elaborado pelo professor e historiador Almir Barros Carlos. Batizado de “Projeto Socioeducativo Despertar para a Liberdade”, o público alvo são os internos de toda as unidades prisionais, tanto as masculinas quanto das femininas, independentemente de crimes e penas a cumprir.

O objetivo, afirma o professor, é que o cidadão recluso alcance a plena recuperação por meio de uma reformulação em sua vida. O projeto será defendido em Buenos Aires ainda neste primeiro semestre, como tese de doutorado de Almir Carlos.

“A ideia é proporcionar condições para o autoconhecimento do indivíduo, através de estudos filosóficos, psicológicos e antropológicos, desenvolver atividades que facilitem o despertar espiritual dele e capacitar os integrantes do programa em atividades sociais e profissionais. Da simples aceitação do seu problema e, passo a passo, buscar o contato consciente com o poder superior, passando pela espiritualidade. Todas as igrejas, independente de credos, se envolvendo, poderiam ajudar”, afirma.

Para isso, segundo o historiador, os primeiros passos são: uma entrevista individual com cada detento a fim de obter o máximo de informações pessoais, o uso de técnicas de autoanálise e a inserção do indivíduo em um programa de três atividades para o despertar espiritual e reformulação de vida, além de capacitação profissional.

“Após as entrevistas e de posse de informações pessoais de cada indivíduo, apresentaremos, através de palestras, as atividades que os mesmos deverão praticar, a fim de alcançar sua serenidade e o despertar espiritual”, afirmou Almir

Lista de atividades

As atividades a que o professor se refere consistem na crença na existência de um poder superior; fazer um minucioso e destemido inventário moral e admitir a natureza exata de suas falhas; rogar humildemente e se prontificar inteiramente a deixar que o poder superior remova todos esses defeitos de caráter e suas imperfeições; construir uma relação de todas as pessoas que tenha prejudicado e fazer reparações diretas dos danos causados a tais pessoas; e procurar, através da prece e da meditação, melhorar o contato consciente com o poder superior e procurar transmitir uma mensagem positiva a todos que necessitam.

Sobre o tempo de execução e as primeiras atividades do programa, Almir Barros Carlos contou que as entrevistas e técnicas de autoanálise vão durar três meses, com a execução das atividades perfazendo de seis a noves meses. No total, o programa será aplicado no detento num período de até um ano.

“Vi que há uma média de 80% a 90% de jovens entre 19 a 25 anos presos. E a ‘fábrica de criação de presos e bandidos’ está aumentando a cada dia e a escola, a família, a sociedade, enfim, não está cumprindo com seu papel social. O programa apresenta-se como uma forma educativa eficaz, de buscar respostas que possam influir e ajudar os cidadãos em regimes prisionais a conseguirem uma total reformulação em suas vidas”.

Historiador critica postura do sistema prisional

Desde a antiguidade os sábios tentam conseguir respostas para as indagações que o próprio homem faz a si: “De onde venho?”, “Para onde vou?”, “Qual a origem do mal?”. A filosofia de Jean Jacques Rousseau tem, como centro de sua teoria, a crença de que o homem é bom naturalmente, embora esteja sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à depravação.

Para ele, o homem e o cidadão são condições paradoxais na natureza humana, pois o reflexo das incoerências que se instauram na relação do ser humano com o grupo social, inevitavelmente, o corrompe.

“A política prisional é totalmente falida. Como educador por quase 40 anos e acreditando nos conceitos acima descritos, nos propomos a realizar um trabalho socioeducativo com os detentos em busca de uma reformulação em suas vidas, através do autoconhecimento, alcançando um despertar espiritual, qualificação social e profissional e sua saúde mental que o transformará em um verdadeiro cidadão”, explica Almir Carlos.

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