Terça-feira, 21 de Maio de 2019
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Professores da Seduc dizem que compartilhamento de cargas prejudicará ensino no Amazonas

Profissionais do ensino terão que trabalhar em até três escolas diferentes para cumprir a carga horária



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Professores ressaltam que os alunos serão os principais prejudicados com o compartilhamento de cargas
07/01/2016 às 12:10

Professores da rede pública de ensino de Manaus reclamam que uma nova medida adotada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) irá causar prejuízo na qualidade do ensino. Trata-se da carga compartilhada, modelo pelo qual alguns professores serão designados a cumprir seus horários em até três escolas, tendo que adaptar-se a cada regimento das instituições. Os mestres garantem que o prejuízo nas salas de aula será grande.

O professor de História Sérgio Soares Gois relata que a partir desse ano terá que trabalhar em duas escolas diferentes: "Vou trabalhar em duas escolas, quatro turmas em uma e quatro turmas em outra, por isso, terei que planejar duas vezes. Ao invés de estar trabalhando, planejando pra uma realidade, terei que adaptar isso para duas”.

Ele ressalta outros problemas que irá enfrentar com a mudança:. “Terei que me deslocar bastante, gasolina, passagem de ônibus, pois fica mais longe da minha casa, sem contar o planejamento (das aulas), terei que planejar duas vezes”. “Vou acabar fazendo um péssimo trabalho, não irei conseguir dar uma boa aula”, conclui.

A professora de Eduação Física Gilmara Aguiar também irá lecionar em duas escolas diferentes no ano letivo de 2016. “Fiquei com quatro turmas, tenho que compartilhar a carga divida em outra escola. Isso prejudica a mim, prejudica a escola, os alunos, a educação de um modo geral, pois um dia o professor está em um lugar e no outro, em outra escola para outros alunos. Fora o deslocamento...”, conta.

Gilmara destaca ainda a falta do cumprimento da Hora do Trabalho Pedagógico (HTP), que é um horário garantido por lei para que os professores prepararem suas aulas, corrijam provas e façam seus planejamentos em geral. O HTP precisa estar incluso na carga horária. Com a carga compartilhada, essa garantia é impossibilitada.

“Eles te roubam isso. Acaba que não temos esse horário certo, ou temos pela metade. Muitos colegas não têm tempo para preparar nada. Se quiser preparar as aulas, tem que preparar em casa”, afirma.

Uma professora de Geografia que preferiu não se identificar, com medo de represálias, contou que terá que lecionar em três escolas diferentes. “Oito horas vou ficar numa escola, depois vou para outra escola, não necessariamente no mesmo dia. No turno da tarde, também terei que ir para outra escola, ou seja, serei professora em três escolas.”, reclama.

“Isso prejudica o vínculo do professor com a escola, pois são três realidades totalmente diferentes. Cada uma tem sua filosofia, seus procedimentos”, destaca. “A valorização do profissional não se tem, nem o respeito”, finaliza.

Resposta

A assessoria de comunicação da Seduc informou, por meio de nota, que desconhece o problema relatado, já que o processo de lotação de professores para 2016 ainda não está sendo realizado. "Neste início de ano a Secretaria está trabalhando no planejamento estatístico visando a futura lotação de profissionais", diz a assessoria. 

"A Secretaria informa que, considerando o Estatuto do Servidor Público e também o Estatuto do Magistério Público, todos os profissionais devem cumprir a jornada de trabalhado estabelecida em contrato, sendo assim, alguns professores, para não ter que atuar em áreas divergentes de sua formação acadêmica, precisarão complementar sua referida jornada de trabalho atuando em mais de uma escola", continuou o órgão. 

Ainda no comunicado, a Seduc informou que "esta complementação de jornada de trabalho, conforme o Departamento de Pessoas (DGP/Seduc), deverá ser cumprida em dias diferentes e em escolas situadas no mesmo bairro ou zona da cidade".


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