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Professores da UEA protestam contra cortes no orçamento e por pagamento de atrasados

No “Dia de Mobilização Docente – Diga Não aos Cortes”, professores manifestaram nas sedes da ALE e do Governo, e também nas UEAs de Tabatinga, Tefé, Parintins e Itacoatiara 10/11/2015 às 15:54
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Antes de sair às ruas, os professores se reuniram nas unidades da UEA
VINICIUS LEAL Manaus

Cerca de 80 professores membros do Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sind-UEA) fizeram um protesto na manhã desta terça-feira (10), na sede do Governo do Estado e na Assembleia Legislativa, em Manaus, para reivindicar contra o corte no orçamento e a precarização do ensino.

As manifestações fazem parte do “Dia de Mobilização Docente – Diga Não aos Cortes”, realizado por professores na capital e também nas unidades da UEA em Itacoatiara, Parintins, Tefé e Tabatinga. O objetivo é lutar pelo reajuste salarial, pagamento de diárias e dissídios atrasados e o cumprimento do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCR).

Durante o ato na sede do Governo, policiais militares impediram a entrada dos professores. “Chegamos de carreata, mas paramos fora da sede. Quando alguns professores entraram, os policiais perceberam que tinham um grupo maior e fecharam o portão. Questionamos o porquê fomos impedidos de entrar”, disse Marcelo Carvalho, professor e membro do Sind-UEA.

“Ninguém estava protestado de forma calorosa. Queríamos só entrar. Aí nós impedimos que as pessoas saíssem (da sede do Governo). Foi quando um representante autorizou a entrada, só depois de uma hora, uma hora e vinte. Eles criaram uma situação de desorganização. Não houve baderna nossa, nem bagunça”, completou Carvalho.

Depois da permissão para entrar na sede do Governo, um grupo representante do Sind-UEA protocolou um documento contendo as exigências dos professores. Segundo os professores, o PCCR deles já foi aprovado, mas nunca foi cumprido, os dissídios estão há três anos com pagamento atrasado e o reajuste salarial também tem déficit de três anos.

“Tem professor que foi trabalhar no interior, nos cursos da universidade, e está sem pagamento das diárias. Há atrasos e cortes no repasse de verbas para laboratórios e infraestrutura. E tem professor que foi fazer mestrado e está sem receber suas promoções. Eles justificam que não tem recursos”, contou Carlos Sandro, membro da diretoria do Sind-UEA.

Por meio de nota, o Governo do Estado declarou que os professores foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, e que foi definida a criação de uma comissão permanente para discutir as demandas. No próximo dia 17, terça que vem, haverá uma reunião entre os professores e representantes da Secretarias de Estado de Fazenda (Sefaz), de Planejamento (Seplancti) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE), além da Casa Civil.

Não existe greve

Os membros do Sind-UEA negaram a greve das atividades e das aulas na universidade. “Em nenhum momento isso chegou a ser pensado. A proposta foi de paralisação de um dia para que os professores pudessem ir lá (manifestação). Se não for tomada nenhuma conduta pelo governo para resolver ou amenizar o problema, vai ter uma nova discussão, se vai ter greve ou não, se o próximo período vai começar ou não”, disse Marcelo Carvalho.

Soluções para o problema

Além de fazerem exigências, os professores membros do Sind-UEA sugeriram soluções para o problema da falta de recursos declarado pelo Governo do Estado. De acordo com os professores, deve haver aumento de impostos sobre certas áreas no Estado e a transferência das arrecadações para a área da Educação.

“Estamos trazendo proposições como aumentar arrecadação de impostos sobre extração de recurso mineral, sobre a produção de energia elétrica, de petróleo e gás, impostos sobre grandes fortunas, sobre a exploração da biotecnologia”, explicou Marcelo Carvalho. Caso o governo aceite a ideia, a sugestão deverá passar por votação na Assembleia Legislativa.

Em defesa da Fapeam

Os professores também declararam repúdio à extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e ao atraso no pagamento de bolsas científicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), que demoraram até 15 dias para serem pagas a estudantes, inclusive os que cursam na UEA.

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