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Cotidiano
EDUCADORES

Professores do Amazonas criticam salário incompatível com serviço nas escolas

Profissionais da rede pública de ensino acreditam que a valorização é uma forma de melhorar a educação e motivar jovens para seguir o magistério 29/03/2018 às 15:56
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Para a professora Lucila Targino, os baixos salários não motivam os jovens a seguirem a carreira no magistério no Estado (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

Quando um profissional se sente valorizado, o resultado final do trabalho dele é a excelência. É o que afirmam educadores do Amazonas. Valorizar profissionais da educação da rede pública da educação básica para equiparar os salários aos dos  demais profissionais com escolaridade equivalente também é meta do Plano Nacional de Educação (PNE).

Para a professora Lucila Targino, que disse amar a profissão que escolheu, os salários dos professores não é o equivalente pelo serviço que prestam à sociedade e, atualmente, muitos jovens não se sentem motivados a seguir carreira no magistério.  “É uma profissão para quem ama educar porque o salário realmente não é o que de fato deveríamos receber. Mas é importante que a gente continue fazendo nosso trabalho da melhor maneira possível. Eu me aposento neste ano, mas continuo com a mesma dedicação de quando iniciei nessa carreira”, contou.

A professora leciona no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Abelinha, localizado no bairro Coroado, na Zona Leste, e é querida pelas  mães dos alunos. “Você percebe quando alguém faz seu trabalho com amor. A grande maioria dos professores dessa escola ainda têm um brilho no olhar, mesmo sabendo que os salários desses profissionais deixam a desejar”, afirmou a dona de casa Ana Maria da Silva, 39.

A professora do ensino infantil Ana Carolina Serderia, 30, também aponta o salário como um dos principais entraves na profissão. Segundo ela, muitas vezes os professores precisam retirar dinheiro do próprio bolso  para investir em alguma atividade em sala de aula. “Hoje em dia os jovens não sentem tanta vontade de ser  professor porque os salários não são atrativos e não motiva ninguém”, disse ela.

Outra meta estipulada pela PNE é  assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e tomar como referência o piso salarial nacional profissional.

Rendimento médio

 Segundo dados divulgados pelo PNE, o rendimento médio dos professores da educação básica no Brasil é de R$ 3.846,39. A Secretaria Municipal de Ensino (Semed) informou que de 2013 a 2016 concedeu reajuste salarial de 40% e reajuste de 10% no auxílio alimentação de todos os servidores da rede.

Já a  Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) informou que o piso dos professores no Estado é maior que o piso nacional. Conforme a Seduc, enquanto o piso nacional gira entorno de R$ 1.400 por 20h, o estadual  é de R$ 1.619,59 pelas mesmas 20h. A pasta alegou ainda que é um dos poucos estados a pagar abonos aos professores com as sobras do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Servidores em greve

A insatisfação com os salários pagos atualmente aos professores da rede pública estadual  motivou  a categoria a, desde o início do mês, realizar manifestações e deflagrar greve em todo o Amazonas.   

Na última sexta-feira, o secretário de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc), Lourenço Braga, afirmou que o valor de 35% de reajuste  exigido pela categoria é considerado ilegal pela lei fiscal. Ele afirmou ainda que a proposta de negociação do governo prevê além dos 4,57% de ganho real, cerca de 28% com o pagamento de outros benefícios.  “Esse percentual agrega outras vantagens para a categoria como correção do auxílio alimentação e gratificação de localidade, pagamento do Fundeb em 11 parcelas, além de outros ajustes”, destacou.

O secretário  aconselhou ainda os professores a voltarem para as salas de aula. “Eu, como professor, acredito que a classe tem todo o direito de se manifestar. Mas, como secretário, faço apelo aos professores para que compreendam e acatem a decisão judicial”, disse.

Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que é solidário à greve deflagrada pelos servidores da educação. No entanto, defendeu que as greves deveriam ter acontecido nos governos anteriores “que não os atenderam” e que as “orientações grevistas são equivocadas”. O governo disse que a categoria dos professores “tem sido injustiçada ao longo do tempo, principalmente pelos dois últimos governos que lhe faltaram com o pagamento constitucional da data-base”.

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