Sábado, 06 de Junho de 2020
Mal da Saúde

Profissionais de Enfermagem vivem fase de lamentos, anseios e reafirmação pela área

Técnicos, estudantes e profissionais de nível superior traçam panorama atual nada positivo do segmento, que enfrenta reclamações por conta da falta de reconhecimento salarial, entre outros problemas relatados por eles



saude1.JPG Protestos de técnicos de enfermagem por conta de atrasos de salários e outros benefícios são frequentes na cidade / Foto: Euzivaldo Queiroz
13/05/2016 às 20:03

A Semana da Enfermagem em Manaus foi marcada por muitas reclamações, críticas mas, também, a reafirmação pelo amor ao próximo refletido nas ações dos profissionais da área.

“Nessa semana tivemos mais a lamentar do que para comemorar, infelizmente. Lutamos por uma carga horária de 30 horas semanais e nosso reajuste, de 9,9% em âmbito municipal, veio parcelado: agora neste mês de maio vamos ganhar 5% e só em 2017 que vamos receber os 4,9% restantes”, disse o enfermeiro concursado Everton de Freitas Gomes.



Curiosamente, atualmente, a categoria não encontra representação suficiente para lutar em prol de sí. Prova disso é, de acordo com Everton Gomes, que o “sindicato que congrega os trabalhadores do setor está desativado e não há eleição para o mesmo há cerca de 3 anos”.

Técnica de Enfermagem desde 2011, e atualmente atuando no Hospital e Pronto-Socorro Adriano Jorge, a profissional Márcia da Silva faz das tripas coração para sobreviver em meio ao atraso de quatro meses de salário, 13º salário e vales-transportes.

“Sem salário, estamos á mercê do nada. No meu caso, o  problema é a cooperativa Macflan, que não repassa o dinheiro devido problemas de inadimplêndia e documentacão, informou a Susam (Secretaria de Estado da Saúde). Não tem nada pra comemorar. Tudo está cada vez pior” , indigna-se a profissional.

Universidade

A área acadêmica da Enfermagem reserva um futuro de muita dedicação e amor ao próximo para alunos como Ruth Teixeira Santana, que cursa o 3º período e estava ontem acompanhando a 13ª Semana de Enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

No entanto, ela citou que, em face dos problemas de atrasos de salários existentes na categoria, é preciso ter muita força e coragem. “Acho que toda a dificuldade que existe na categoria reflete uma falta de respeito com o profissional da área de saúde. É uma desvalorização. Já me senti desmotivada, sim, mas não vou desistir, quero olhar para a frente e fazer a diferença, buscando nossos objetivos e direitos”, comentou ela.

“Após me formar espero focar no atendimento, na prioridade à vida, trabalhar com o ser humano e me especializar mais porquê os futuros enfermeiros têm que buscar aperfeiçoamento tanto no atendimento, quanto na qualidade. O que mais me motiva na profissão é o amor pela vida. A Enfermagem é a arte de cuidar”, disse a acadêmica.

A enfermeira e professora universitária Alessandra Cristina dá uma das melhores definições sobre o que é atuar no ramo da Enfermagem: “Cuidar não é fácil, requer complexidade e amor pelo outro, por mais que o paciente brigue com você, você está do lado, limpando, dando banho, remédios, fazendo curativos, etc”.

Acadêmica homenageia símbolo da ciência

Este 2016 será inesquecível para a acadêmica Viviane Kicy da Graça Mendes, 26, que vai concluir no final de ano o curso de Enfermagem na Universidade do Estado do Amazonas. Próxima da graduação, a estudante encontrou um jeito diferente de lembrar com  muito carinho dos últimos dias nos corredores da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA/UEA): durante esta semana, a convite de algumas professoras, ela se fantasiou de Florence Nightingale, famosa enfermeira britânica, considerada a “mãe da enfermagem moderna”, que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia (conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Crimeia (mar Negro), no sul da Rússia e nos Bálcãs).

Assim como Nightingale, Viviane Kicy até empunhou uma antiga lâmpada, a exemplo da renomada enfermeira, que utilizava o instrumento para auxiliar na iluminação a feridos durante as noites de batalha.

“Para mim é uma grande honra representar Florence Nightingale visto que ela foi uma peça fundamental para a mudança da Enfermagem moderna. Ela revolucionou  e até hoje o que ela fez é vigente e importante. Era de uma família rica e abastada, mas deixou tudo para servir pessoas. E tinha muito conhecimento teórico e cientifico pois já tinha essa bagagem. Florence fez uma grande diferença, reduzindo os índices de infecção com os cuidados que tinha e foi maravilhosa a participação dela”, explicou a graduanda, curtindo seus momentos de fama com o afago de outros acadêmicos, que a todo momento pediam para tirar fotos com ela.

BLOG: Alessandra Cristina, Professora de Enfermagem da UEA

“Os enfermeiros representam uma uma importante parcela da sociedade. Nós delegamos 24h por dia aos pacientes, atendendo a todos os segmentos, seja de médicos a qualquer outra categoria. Vislumbro avanços principamente na Educação (universidade), por mais que não vejamos essa projeção agora, a semente vai brotar daqui a alguns anos. Se não acreditarmos no processo da Educação e principalmente na enfermagem, não teremos reflexos futuros”, disse a professora de Enfermagem Clínica e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).


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