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Cotidiano
Nada de 'vida fácil'

Profissionais de sexo do Amazonas têm encontro marcado dia 2 em Manaus

O tema deste 9º Encontro Municipal ano é “Abra os olhos: Você tem direitos e exija respeito”, que vai discutir, entre outros assuntos, a saúde da mulher, das pessoas que vivem com HIV, falar sobre Direitos Humanos, a luta contra a discriminação e a eterna batalha pela legalização da profissão / Foto: Reprodução/Internet. 23/11/2016 às 05:00
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Profissionais do sexo são vistas cada vez menos com discriminação, diz coordenação da As Amazonas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Segmento da sociedade que tem o que muitos chamam de “a mais antiga profissão do mundo”, as profissionais do sexo de Manaus vão realizar o seu 9º Encontro Municipal no próximo dia 2, a partir de 9h, no Les Artistes Café Teatro, localizado na avenida Sete de Setembro, Centro da cidade. A organização é da Associação das Prostitutas e Ex-Prostitutas do Amazonas – As Amazonas, entidade que nesta temporada existe completa 8 anos e que defende as causas da categoria.

O tema deste ano é “Abra os olhos: Você tem direitos e exija respeito”, que vai discutir, entre outros assuntos, a saúde da mulher, das pessoas que vivem com HIV, falar sobre Direitos Humanos, a luta contra a discriminação e a eterna batalha pela legalização da profissão.

“Trabalhamos ‘em cima’ desses pontos, e mostramos para a sociedade que a classe é totalmente discriminada”, comenta Sebastiana dos Santos, 60, mais conhecida como Ana, coordenadora geral da As Amazonas e do encontro. 

A coordenação ainda não confirmou, mas uma das convidadas especiais do evento poderá ser Francisca Ferreira da Silva, 32, a “Coroca”, que recentemente elegeu-se para vereadora na cidade de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus).

A programação do 9º Encontro divulgou que o evento terá as presenças da secretária de Estado da Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Graça Prola, da coordenadora estadual de DST/Aids/TV, Silvana Lima e Silva, do deputado estadual Luiz Castro (Rede), da vereadora Jacqueline Coelho Pinheiro e da representante nacional das prostitutas, Gilmara Pereira, do Distrito Federal.

Fundada oficialmente em 26 de março de 2008, a Associação das Prostitutas e Ex-Prostitutas do Amazonas – As Amazonas, tem, cadastradas, cerca de 1.100 mulheres, sendo uma entidade criada para abrigar somente o sexo feminino, ressalta Sebastiana dos Santos. A estimativa da entidade é que um número superior a 200 profissionais participem do encontro no Les Artistes Café Teatro.

Batalha 
A coordenadora falou que as profissionais do sexo enfrentam as mesmas dificuldades das outras pessoas da sociedade, “pois são iguais a qualquer trabalhador e sobrevivem”.
Ela comentou que o combate à discriminação é dado em um “passo de formiguinha”, mas que a situação melhorou muito em relação ao passado. “Devagarzinho a sociedade está se conscientizando que elas são mulheres, pagam impostos e criam filhos, estudam, fazem faculdade e seus programas para sobreviver”, pontua Ana. 

Sede
A sede da Associação das Prostitutas e Ex-Prostitutas do Amazonas – As Amazonas fica na rua Brasil, nº 35, no bairro São Jorge, Zona Oeste da cidade. Curiosamente, as mulheres que militam nesse segmento da sociedade não gostam de ser chamadas de prostitutas e, tampouco, de putas, informa Sebastiana dos Santos, sobre a nomenclatura dessas mulheres.

“Eu, por exemplo, sempre questionei o nome da associação com esse termo ‘prostituta’. Aí, chegamos à conclusão que não poderiam ser chamadas de outro nome que não fosse ‘profissionais do sexo’”, explica a coordenadora-geral.

Frase

"A sociedade está cada vez mais consciente que elas são mulheres, pagam impostos, criam filhos, estudam e fazem seus programas para sobreviver”

Sebastiana dos Santos, coordenadora da As Amazonas

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