Domingo, 08 de Dezembro de 2019
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Programa ajuda na reabilitação de pessoas com deficiência no AM

Objetivo é que todos os alunos do programa aprendam habilidades motoras básicas e que a cada dia possam melhorar tanto suas condições físicas, quanto a própria autoestima, além da aceitação de sua nova condição



1.jpg Aguinaldo Soares ficou paraplégico após sem atingido por um ônibus enquanto ia trabalhar em sua bicicleta. Por meio do Proamde ele fez a realibitação, recuperou a autoestima e descobriu que a vida não acabou depois do acidente.
14/12/2015 às 14:08

Viajar sozinho, sair com amigos, ir ao cinema, sair para passear, tudo isso parece ser impossível de ser feito para muitos cadeirantes, mas não é o caso de Aguinaldo Soares, 49, que há doze anos vive nesta nova condição. Em maio de 2003 por volta das 6h30 ele seguia para o trabalho em sua bicicleta, na avenida Darcy Vargas, Chapada, Zona Centro-Sul, quando foi atingido por um ônibus de uma empresa de transporte particular. Com a força do impacto do ônibus, Aguinaldo foi lançado na rua e desmaiou.

Na época, ele foi socorrido pelo motorista que o levou no próprio ônibus para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto onde recebeu os primeiros socorros. No hospital, a vítima foi diagnosticada com fratura na coluna e lesão na medula, por esse motivo foi encaminhado para o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) para que pudesse ser atendido por um especialista em neurologia.



Com o acidente Aguinaldo ficou paraplégico (perdeu o movimento dos membros inferiores), e durante três meses ele recebeu tratamento para recuperação física no HUGV, lá ele conheceu o Programa de Atividades Motoras para Deficientes (Proamde).

“Quando sofremos um acidente nós não sabemos como reagir àquela situação. Para a família e amigos é um choque muito grande. No início, a gente tem vergonha, um processo lento, tudo muda completamente, não conhecemos mais o nosso corpo, não controlamos mais o nosso corpo e temos que aprender tudo de novo” desabafou.

Aguinaldo conta que antes de sofrer o acidente ele gostava de jogar futebol e corrida de rua, e que por conta da sua nova situação alguns amigos se afastaram, pois não sabiam como reagir, no entanto recebeu muito apoio e carinho dos amigos que permaneceram e principalmente da família.

Há dez anos ele participa do Proamde e afirma que o projeto foi fundamental na sua reabilitação. “Eu aprendi a conviver com a deficiência. Com as orientações que recebi no projeto, eu vi que ainda existe vida depois de uma lesão tão grave como esta, nós podemos, sim, ter uma vida normal”, explicou, ao acrescentar que no Proamde ele reaprendeu tudo isso, trabalhando a parte física e psicológica. Com motivação adquirida no programa ele também ficou mais confiante e independente. “Aprendi que somos pessoas fortes, e que vão existir limitações, mas nós percebemos que temos muito potencial. Eu entendi isso e segui os exemplos que eu vi”, finalizou.

Aprendendo habilidades motoras

De acordo com a coordenadora do projeto de extensão da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF) da Ufam, professora Minerva Amorim, a ideia é que todos os alunos do programa aprendam habilidades motoras básicas e que a cada dia possam melhorar tanto suas condições físicas, quanto a própria autoestima, além da aceitação de sua nova condição.

“Na FEFF temos em média de 300 a 350 alunos com diversos tipos de deficiência e com idades que variam de dois anos a 70 anos. Ensinamos, por exemplo, como o paralítico vai adaptar-se à cadeira de rodas. No caso dos deficientes visuais, como reconhecer o espaço em que estão”, explicou.

Segundo a coordenadora, cada participante segue um roteiro de atividades adaptadas ao seu diagnóstico clínico, depois passam para o aprendizado de modalidades esportivas adaptadas como basquete sobre rodas, futsal, bocha, arco e flecha, atletismo, e natação iniciante e avançado.

Sem triagem para os pacientes

Podem participar do Proamde todas as pessoas que foram diagnosticadas com algum tipo de deficiência, não existe nenhuma triagem dos pacientes.

Na Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da Ufam, os atendimentos são realizados nas terças e quintas-feiras de 14h às 17h. No Hospital Universitário Getúlio Vargas as atividades acontecem, também, nas terças e quintas das 8h às 12h.

A equipe multidisciplinar é formada por professores e acadêmicos de educação física, fisioterapia, serviço social, enfermagem, psicologia, nutrição, medicina, pedagogia, letras, dentre outras áreas. Os atendimentos são divididos em turmas de acordo com a deficiência ou idade dos alunos.

Para inscrição e necessário: RG, CPF ou registro de nascimento, comprovante de residência, foto 3x4, laudo médico e a presença do aluno com seu acompanhante no ato da inscrição. É preciso ficar atento à abertura de inscrições no site da Ufam.

Traumas

A lesão na coluna que Aguinaldo Soares sofreu o deixou paraplégica porque danificou a medula espinhal. Todos os movimentos e sensações do corpo se originam de impulsos nervosos que partem do cérebro, que são conduzidos pela medula e estimulam os músculos, conectados aos ossos e outros órgãos. No caso da lesão, uma ou muitas dessas funções ficaram comprometidas. É mais comum em acidentes de carro, ferimentos com armas de fogo, quedas de grandes alturas ou mergulhos em água rasa.

Sequelas

Quando a medula é afetada, pode levar vários meses para que se possa dizer se a lesão foi completa (com perda de movimentos e sensações abaixo do nível do trauma) ou incompleta (com preservação de certas funções motoras e sensações).


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